O publicitário Jimmy Robert, 30, filho de Roberval Roberto de Brito, 60, uma das três vítimas da família Belota encontradas mortas na manhã desta terça-feira (22/01), em Manaus, foi entregue por quatro comparsas que confessaram, esta noite, participação nos assassinatos. Em depoimento na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), os quatro confirmaram os homicídios e apenas Jimmy negou envolvimento.
Um amigo de Jimmy identificado como Rodrigo e outros três suspeitos de serem cúmplices no crime foram detidos, já durante a noite, e encaminhados à DEHS, onde confirmaram que mataram Maria Gracilene e a filha Gabriela Belota, primeiramente, e em seguida, o pai de Jimmy. Eles foram identificados como Raphael, Bruno e Wellington – este último chefe de uma boca de fumo e que confirmou ter fornecido a arma para a execução da família.
Rodrigo, 19 – cujo sobrenome não foi revelado – e Jimmy foram presos pela polícia nas proximidades da Avenida Sete de Setembro, no Centro, onde o veículo modelo Ford Fiesta, de outra das vítimas, a universitária Gabriela Belota, o qual foi levado do apartamento da vítima após o homicídio, foi localizado abandonado. A mãe do suspeito informou que ele conhecia Jimmy há três meses, aproximadamente, e que o pai de Rodrigo também será ouvido.
A assessoria da Polícia Civil informou que, antes deles, a empregada que trabalhava no apartamento onde Maria Gracilene Belota, 59, coordenadora-geral de comércio exterior da Suframa(Superintendência da Zona Franca de Manaus) e a filha Gabriela moravam e três suspeitos dos crimes haviam prestado depoimento à polícia. A doméstica foi quem encontrou os corpos, na manhã desta terça.
Os corpos de mãe e filha já foram periciados e o do tio, seria analisado no início desta noite. Já o veículo de Gabriela foi encontrado na avenida Sete de Setembro, no Centro, nas proximidades do Prosamim, e foi encaminhado ao Instituto de Criminalística, ao lado do Instituto Médico Legal (IML), na Zona Norte de Manaus.
Vingança
Segundo informações de familiares, Jimmy estava se desentendendo com o pai porque era homossexual e levava parceiros sexuais para a residência, motivo que o levou à expulsão da casa de Roberval. Após ter sido acolhido na residência da tia, o mesmo problema ocorreu, o que pode ter motivado os assassinatos por vingança. A polícia não confirma a informação.
Segundo o delegado à frente da investigação, Emerson Negreiros, o crime já estava sendo planejado há três semanas. A desconfiança de que Jimmy e Rodrigo estariam envolvidos começou com a ida dos dois, juntos, ao local onde foram mortas mãe e filha. Os participantes, com exceção de Jimmy, alegam que as mortes foram motivadas por uma herança da família. Nesta quarta-feira (23), pela manhã, os suspeitos serão apresentados pela polícia, junto ao laudo conclusivo. “Tudo leva a crer que o crime tenha sido motivado por herança”, afirmou.
O delegado-geral de Polícia Civil, Josué Rocha, informou que Jimmy, Bruno e Rodrigo, serão autuados em flagrante por homicídio qualificado, porte ilegal de armas e formação de quadrilha. Os mesmos crimes devem ser atribuídos aos dois outros acusados, que ainda não terminaram de prestar depoimento. O secretário de Estado de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital, disse que foram encontrados com eles uma arma calibre 38 e um estilete. ”Esse é um crime que foi planejado”, garantiu em coletiva.
O caso
Na madrugada de terça-feira (22), foram encontrados os corpos de três pessoas da mesma família em locais distintos de Manaus.
No apartamento 204, do bloco 13 B, do condomínio Parque Solimões, localizado no bairro Raiz, na Zona Sul da cidade, a polícia encontrou os corpos de Maria Gracilene Roberto Belota, 59, e da filha, a estudante universitária Gabriela Belota, 26.
Os corpos foram encontrados pela empregada, ao chegar ao apartamento para trabalhar.
Enquanto a universitária estava enrolada em um lençol em cima da cama, com insulfilme no rosto, o cadáver da mãe foi encontrado jogado no corredor do apartamento, com um ferimento na cabeça.

Maria Gracilene era coordenadora-geral de Comércio Exterior, da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). A filha era acadêmica do curso de Odontologia, da Universidade do estado do Amazonas (UEA).
O veículo de Gabriela (modelo Fiesta, de placa JWZ 3248) também teria sido levado pelo autor ou autores do crime, o que a princípio para a polícia configura latrocínio – roubo seguido de morte.
No São Raimundo
Na rua Rego Barros, localizado no bairro São Raimundo, na Zona Oeste de Manaus, o irmão de Maria Gracilene, e tio da universitária, Roberval Roberto de Brito, 60, foi encontrado jogado em cima da cama com um corte na nuca, e um travesseiro no rosto.
De acordo com vizinhos da vítima, o corpo de Roberval – que trabalhava com embarcação -, também foi encontrado pela empregada da casa, ao chegar para trabalhar na manhã desta terça-feira. Não havia sinais de arrombamento no local e nenhum objeto de valor foi levado do local.
Ainda de acordo com alguns vizinhos mais próximos da vítima, Roberval seria viciado em jogos.
“Ele gostava muito de jogar, tanto aqui no São Raimundo quanto fora”, disse um comerciante do bairro, que preferiu não se identificar. As informações são do jornal A Crítica, de Manaus.
