Greve da PF opõe agentes e delegados, e acordo fica distante

Os delegados se opõem à proposta de equiparação com agentes, pois temem que ocorra uma quebra de hierarquia

Policiais federais em greve desde o dia 7 de agosto iniciaram nesta segunda-feira vigília em frente à sede da instituição, no Rio de Janeiro. Eles pretendem intensificar as ações de protesto para pressionar o governo federal a aceitar a implementação de um plano de restruturação salarial para agentes, papiloscopistas e escrivães. Os grevistas alegam que, na estrutura interna, esses três cargos não são reconhecidos como de nível superior, apesar de o 3º grau ser exigido para admissão na Polícia Federal (PF).

Segundo o Sindicato dos Servidores da PF no Rio, a adesão à greve é quase total, com exceção de delegados e peritos. Nos postos e delegacias, apenas 30% seguem trabalhando, em regime de operação-padrão, ou seja, prestando apenas serviços essenciais. Nos pontos onde são liberados passaportes, por exemplo, só são aceitos pedidos de urgência comprovados, como viagens por motivos de saúde, trabalho e para estudos. As investigações estão praticamente paradas, assegura o movimento grevista.

Com a restruturação, agentes, escrivães e papiloscopistas seriam equiparados a delegados e peritos, tanto nas atribuições quanto em termos salariais. Atualmente, um agente novato recebe salário bruto em torno de R$ 7,5 mil, podendo chegar a R$ 11 mil. Já um delegado entra na PF recebendo R$ 13 mil, e podem alcançar até R$ 20 mil, valor médio que um delegado de classe especial recebe.

O sindicato reclama ainda que os salários dos agentes ficaram defasados, se comparados aos de outras profissões que exigem nível superior para ingresso. Um auditor da Receita Federal recebe R$ 13,6 mil médios. Em 2000, esses ganhos eram de R$ 3.614, pouco abaixo de um salário de agente federal na época, que era de R$ 3.960, em média.

“Não estamos em busca de um percentual, nossa briga não é por salário. Queremos o reconhecimento de nossas atividades, e a definição das atribuições. A questão salarial vem depois, é consequência. Sem restruturação, não há como parar a greve”, afirmou Telmo Correa, presidente do sindicato.

A paralisação deixa evidente uma queda de braço entre delegados e agentes. Os delegados se opõem à proposta de equiparação com agentes, pois temem que ocorra uma quebra de hierarquia.

“A hierarquia fica definida de acordo com a estrutura de cada setor. Se um delegado é o chefe de uma determinada área, a hierarquia é automática. Mas não pelo fato de ele ser delegado”, pontua Correa.

“Os delegados estão acostumados a dar ordens, a querer que agente sirva cafezinho, e não querem perder isso”, afirmou um policial em vigília em frente à superintendência do Rio. “Como um delegado que chega novo, sem experiência alguma, comanda um agente com 20 anos de trabalho em investigações? Por que um agente não pode comandar um setor? Todos têm nível superior, têm capacidade”, observou outro agente. Ambos pediram para não serem identificados.

Correa explicou que a reestruturação vem sendo discutida com o governo federal há três anos, sem muitos avanços. Por isso, define que a situação ficou “insuportável”, e que a greve é a única saída. Em 2004, policiais cruzaram os braços durante 60 dias, pelo mesmo motivo.

Os sindicalistas garantem que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse a eles que a reestruturação depende do aval dos delegados. Cardozo teria dito que não poderia desagradar uma classe, em benefício de outra. O Ministério da Justiça não confirma as supostas declarações de Cardozo.

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Revista Ed. 15

Postado por on 3 de setembro de 2012. Arquivar como Brasil. Você pode acompanhar as respostas a esta entrada através do RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

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