Índios suruís flagram atividade ilegal de madeireiros em Rondônia

Membros da Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí flagraram atividades ilegais de madeireiros na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO).

A associação, que defende os direitos dos suruís, é liderada por Almir Suruí, 38, finalista do Prêmio Empreendedor Social 2012, iniciativa da Folha e da Fundação Schwab.

Em uma ronda de vigilância realizada entre 7 e 9 de novembro no território, um grupo de 14 fiscais do povo Suruí descobriu uma aldeia onde se abrigam madeireiros que praticam extração ilegal, segundo relatório do patrulhamento ao qual a reportagem da Folha teve acesso.

De acordo com o documento, em uma barraca localizada na aldeia Gaxib, foram encontradas folhas de papel com cálculos relativos ao extrativismo e madeiras esplanadas de paraju, garapa e pinho, entre outras espécies.

O grupo reporta que, ao adentrar a mata, viu um trator e um caminhão de carregamento de madeira. Quando avistaram os índios, os ocupantes desses veículos fugiram, diz o manuscrito. Às margens do rio Branco, a expedição registrou barracas, ossos de peixes, aves e jacarés, latas e cartuchos de espingarda vazios.

As práticas irregulares incluem integrantes da própria comunidade Suruí. Quatro indígenas da etnia surpreendidos pelos vigilantes confessaram sua participação nessas atividades, argumentando que as executam para “não morrer de fome”.

FALTA DE RECURSOS

Procurado pela Folha, o Ministério Público Federal em Rondônia diz que o Estado não tem recursos para coibir a extração ilegal de madeira em territórios indígenas.

“O principal fator me parece ser o abandono do Governo Federal”, declarou Leandro Zedes Lares Fernandes, procurador da República e responsável por questões indígenas e ambientais em Ji-Paraná (RO). “A região tem de receber recursos para projetos de sustentabilidade.”

Segundo Fernandes, o fato de os próprios suruís participarem das atividades extrativistas dificulta a fiscalização da Terra Indígena Sete de Setembro.

“Os suruís são um povo que se divide em quatro clãs”, explica. “O Almir Suruí é de um deles, e sua liderança é contestada por parte dos outros grupos. Muitos indígenas barram a fiscalização. O grande problema é formatar uma operação maior. A Polícia Federal de Rondônia tem poucos recursos para dar segurança a profissionais da Funai e do Ibama, que precisam desse suporte para atuar naquela região.”

O procurador da República afirma ainda que um Inquérito Civil Público já apura a ação dos madeireiros, e que vários inquéritos policiais também tratam da questão.

“Realmente as políticas públicas são ausentes aqui”, reforça Almir Suruí, uma das principais lideranças indígenas do país. “Mas isso não justifica a Funai e o governo não conseguirem fazer seu papel”, ressalva. “Em que povo ou sociedade do mundo há consenso de liderança? Fazemos nossa parte, mas precisamos de apoio para combater a ilegalidade.”

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Revista Ed. 15

Postado por on 7 de dezembro de 2012. Arquivar como Região Norte. Você pode acompanhar as respostas a esta entrada através do RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

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