O Senado do Paraguai rejeitou nesta quinta-feira o pedido de entrada da Venezuela no Mercosul, quase dois meses depois de o grupo ter suspendido o país, por considerar que houve quebra de regras democráticas na destitução do ex-presidente Fernando Lugo em um processo que durou menos de 24 horas, e autorizado a adesão plena do país caribenho, que foi concretizada no dia 31 de julho. O Senado adotou essa resolução após um longo debate em sua sessão semanal na qual, entre os 45 legisladores, 31 votaram contra e três a favor da aprovação do “Protocolo de Adesão da República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul”, informou uma fonte do Legislativo. Outros 11 parlamentares não compareceram à sessão.
Antes da votação, representantes de alguns grupos políticos, entre eles o governamental Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), tinham recomendado o adiamento da discussão em razão da sanção que o país enfrenta por parte do Mercosul, assim como da União de Nações Sul-americanas (Unasul). “Neste momento, estamos em uma posição internacional na qual não podemos atacar, ao contrário, são nossos irmãos”, expressou o senador liberal Alfredo Jaegli em declarações reproduzidas pela agência pública paraguaia ‘IP’. “Queremos fazer negócios, temos muitos projetos com o Brasil e a Argentina e não precisamos brigar com ninguém”, insistiu. “Se não assumíssemos uma postura desta natureza, não defenderíamos a nossa soberania, a nossa independência e a nossa liberdade. Queremos demonstrar que, apesar de ser um país pequeno, defendemos nossa dignidade e não nos vendemos ao talão de cheques de (o presidente venezuelano Hugo) Chávez”, destacou o senador José Guastella.
Vários senadores do PLRA abandonaram a sala de sessões devido à postura generalizada de rejeitar o protocolo de adesão, que foi avalizada por vários legisladores dos opositores Partido Colorado, União Nacional de Cidadãos Éticos e o Partido Pátria Querida. A decisão da Câmara ocorre dez dias depois de o chanceler José Félix Fernández Estigarribia solicitar um “estudo reflexivo e sereno” sobre o assunto. O ministro, no entanto, expressou que “o Congresso Nacional é soberano e o Poder Executivo vai acatar qualquer resolução que seja”.
O presidente paraguaio, Federico Franco, enviou para votação, a pedido do Parlamento, o pedido de entrada da Venezuela em 31 de julho, mesmo dia que os presidentes da Argentina, Brasil e Uruguai, à revelia do Paraguai, oficializaram o procedimento em uma cúpula extraordinária do Mercosul realizada em Brasília. A adesão da Venezuela foi proposta em 2006 e aprovada pelos parlamentares de Argentina, Brasil e Uruguai, mas estava pendente de resolução no Congresso paraguaio. O Paraguai alega que o Tratado de Assunção, que fundou o Mercosul em 1991, estabelece que a entrada de outro país deve ser ratificada pelos Congressos dos quatro países fundadores.
Fonte: EFE
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