Tentativa de homicídio: Para Sesdec “jornalista caiu no banheiro”

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Sérgio Mello à esquerda em pleno surto no JP II, “foi anestesia”, diria horas depois

Painel Político – O jornalista Rubens Coutinho, editor do site Tudorondonia foi brutalmente espancado diante de dezenas de testemunhas na madrugada de domingo em Porto Velho pelo médico Sérgio Mello, que é professor de jiu-jitsu em uma academia que leva seu nome. A tentativa de homicídio ocorreu em um bar e o jornalista só não morreu por que populares ameaçaram agredir o médico, que fugiu do local. Mas Sérgio Mello, que foi diretor do hospital João Paulo II, telefonou para o jornalista Santiago Roa, assessor da Secretaria de Defesa e avisou o que tinha ocorrido, só que deu outra versão dos fatos. Ele contou que foi agredido por Rubinho no banheiro do bar Estaleiro, e revidou com um empurrão. O jornalista teria caído e batido a cabeça.

Além das dezenas de testemunhas, os profissionais de enfermagem que socorreram o jornalista informaram que seria impossível tais ferimentos terem sido causados por uma queda, “ele está com um corte na nuca, um hematoma na face, além de contusões nas costelas típicas de golpes com os pés”, explicou o médico Amado Rahal, que atendeu Rubinho no hospital 9 de Julho.

O médico solicitou que o jornalista fizesse um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal para confirmar as agressões. Devido ao estado de saúde, Rubinho ainda não conseguiu realizar o exame.

O mais grave dessa história é que mesmo com boletim de ocorrência registrado, a polícia não procurou o jornalista para ouvi-lo, tampouco prendeu o médico, que foi visto no sábado, horas após a agressão, almoçando tranquilamente no Aquarius Selva Hotel.

Babando e gritando

A passagem do médico Sérgio Mello pela direção do João Paulo II foi marcada por diversos problemas. O hospital passava por uma crise sem precedentes, passando por denúncias diárias de maus tratos a pacientes a falta de medicamentos. A imprensa passou a divulgar as denúncias e Sérgio Mello se viu acuado. Em duas situações havia encontrado grupos de jornalistas em restaurantes e nas duas vezes fez ameaças de agressões físicas. Na primeira vez chegou a dizer que “não sairia do cargo por que o governador era um banana”. Na segunda vez o jornalista Rubens Coutinho registrou uma ocorrência de ameaça, comunicando a polícia que, caso lhe acontecesse algo, o responsável seria Sérgio Mello. O médico nunca foi chamado para ser ouvido.

Dias após as ameaças, o médico foi filmado tendo um surto psicótico na porta do Pronto Socorro. As imagens, chocantes, mostravam um Sérgio Mello descontrolado, babando, gritando, dizendo “sou um tarado”. Policiais e enfermeiros tiveram dificuldades para conter o médico alucinado, que tem quase 1,90 de altura e pesa mais de 110 quilos, e que horas depois diria que estava sob efeito de anestésicos que ele havia se auto-aplicado para fazer uma tatuagem. Esse episódio foi o estopim para sua demissão.

http://www.rondoniagora.com/noticias/eu-sou-tarado-sou-tarado-diz-diretor-do-joao-paulo-ii-em-novo-videou-medico-e-agressivo-afirma-sindsaude-2012-03-28.htm 

Rubens Coutinho, editor do Tudorondonia

Culpando a imprensa 

Mas Sérgio Mello, apesar de confessar se auto-medicar, parece que nunca fez autoanálise. Ele responsabiliza a imprensa por toda a sua fracassada gestão à frente do João Paulo II, e talvez por achar Rubinho fisicamente menor ou mais fraco, o elegeu como alvo. No último sábado, ele quase assassinou o jornalista.

Posição da SESDEC 

O secretário Marcelo Bessa, por telefone, informou que “tudo será investigado”, já que existe “uma outra versão contada pelo médico”. Ocorre que essa outra versão não encontra respaldo em nenhuma das mais de 100 testemunhas que estavam no local na hora do fato. Todos ficaram horrorizados com as cenas brutais de espancamento, protagonizadas por uma pessoa que, em tese, deveria salvar vidas. A fúria do agressor foi tamanha, que o jornalista ficou desacordado por mais de uma hora.

Academia 

Sérgio Mello é proprietário de uma academia de Jiu-Jitsu situada na Avenida Marechal Deodoro com Quintino Bocaiúva, no bairro Olaria, região central da cidade. Lá, diariamente ele ensina dezenas de jovens os golpes mortais da luta que já foi responsável por inúmeras mortes no Brasil, executadas por lutadores desequilibrados. Lutadores estão indignados com a atitude do médico, que foi covarde, já que segundo testemunhas, usou uma garrafa para agredir o jornalista e sequer deu chance de defesa, já que atacou pelas costas.

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