Nova onda conservadora – Professor Nazareno

A Guerra Fria já não existe mais. A briga ideológica entre Capitalistas e Comunistas praticamente virou fumaça no início dos anos 1990 com o fim da URSS e o “triunfo” do regime capitaneado pela livre iniciativa dominado pelos Estados Unidos e pelas potências ocidentais. No Brasil, que já vivia ares de plena democracia desde o fim da Ditadura Militar em 1985, os novos governos, depois do impeachment de Fernando Collor, buscaram com relativo sucesso implantar a política neoliberal: menos Estado e mais iniciativa privada. Fato este interrompido temporariamente com a eleição e reeleição do petista e “esquerdista” Luís Inácio Lula da Silva a partir de 2002 e também a eleição e reeleição de Dilma Rousseff do PT para sucedê-lo. Em 502 anos de história nunca este país tinha sido governado tanto tempo por setores mais progressistas.
Porém, com a roubalheira do PT e a sua notória incompetência para governar o país, a Direita conservadora, após perder quatro eleições seguidas perdeu também a paciência e resolveu aplicar “um golpe” usando desta vez o Congresso Nacional e os políticos direitistas. Antes, em 1964, usara os militares, que puseram os tanques nas ruas e iniciaram uma truculenta fase de 21 anos, que ficaram marcados na História com prisões, exílios, torturas, censura à mídia, perseguições e assassinatos de opositores. Sem perspectivas de chegar de maneira mais rápida ao poder pela via democrática do voto e de eleições livres, os reacionários repetem a História como farsa. Talvez inconformados com a partilha da pilhagem petista aos cofres públicos e com o ostracismo a que estavam sendo submetidos ultimamente, resolveram apressar as coisas.
O Brasil vive hoje, infelizmente, uma nova onda conservadora. O Congresso Nacional, que está na iminência de derrubar em definitivo uma presidente eleita com mais de 54 milhões de votos, é quem dá as cartas no novo cenário político nacional. A Câmara dos Deputados, onde a maioria dos “nossos representantes” está enrolada até a alma em denúncias de corrupção e toda sorte de desmandos, ainda é presidida por Eduardo Cunha, que dispensa quaisquer comentários e que na prática será o vice-presidente da República com a saída da nossa presidente. Ali, criou-se um terreno fértil para as investidas dos setores mais reacionários do país como a bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia). E motivos não faltam para “temer” estes parlamentares. A adoção da pena de morte e a redução da maioridade penal, por exemplo, estão entre os seus vários projetos.
Pior: a adoração pura e simples a deputados como Jair Bolsonaro, um dos muitos que votaram pelo impeachment da presidente Dilma, chega a meter medo nos setores mais liberais da nossa sociedade. Defensor de torturadores como Brilhante Ustra, ele tem demonstrado em suas falas posições que defendem a misoginia, o racismo, a homofobia, a xenofobia, o ódio e a intolerância pura e simples às minorias. E por tudo isso é aplaudido publicamente. Tem, segundo pesquisas recentes, cerca de dez por cento das intenções de voto dos eleitores brasileiros. Se o Senado não tirar a presidente nos próximos dias, setores da Direita o farão de qualquer jeito. E quase toda a mídia, com seu “jornalismo lambe-botas”, que sempre a caracterizou, dá o empurrão final. O Brasil, sétima economia do planeta, está numa encruzilhada terrível: ou deixa uma presidente leniente com ladrões e corruptos ou entrega o poder a reacionários também corruptos.
*É Professor em Porto Velho.

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