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A delicada questão indígena e quilombola na região amazônica

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Nos últimos tempos vem acirrando as relações entre brancos em índios na região Norte e o grande responsável por isso é o poder Judiciário, principalmente o Supremo Tribunal Federal, que leva décadas para julgar questões sensíveis, como a desapropriação da reserva Raposa Serra do Sol, a expulsão das famílias que viviam há mais de 30 anos na reserva dos Marãiwatsédé, no nordeste de Mato Grosso e mais recentemente o desaparecimento de 3 pessoas na região do Apuí (AM), cujos suspeitos, segundo a população de Humaitá, seriam os índios Tenharin que habitam o sudeste do Amazonas e atualmente cobram R$ 15 reais de “pedágio” de cada viajante que passa pela rodovia federal BR 319.

O caso dos Tenharins explodiu em revolta pela população de Humaitá que ateou fogo em prédios públicos e ameaçou linchar os índios. Evidente que essa tensão deve durar por um longo período.

Outra questão delicada que chama a atenção é a dos quilombolas, mais precisamente os que habitam a região do Vale do Guaporé (RO), que vivem isolados, mas necessitam do Estado e município, que se desdobram para tentar atender a situação. Mas vamos voltar aos índios.

O Estado brasileiro é hipócrita quando se trata dos nativos. Prega que eles precisam ter suas reservas, mas na verdade meia dúzia de caciques que são beneficiados, o restante da população vive na miséria. Aqui mesmo em Porto Velho, basta dar uma volta na praça da Estrada de ferro Madeira Mamoré para vermos algumas índias vendendo “artesanatos”, flechas e tacapes, expondo suas crianças a um ambiente degradante ao qual elas não poderiam estar. Ao mesmo tempo, as reservas índigenas são verdadeiras favelas, com um abismo imenso. Índios tem acesso a tecnologia de ponta, como internet por satélite e computadores, mas não tem sequer um prato de comida. As reservas índigenas são cercadas por fazendas e cidade e não garantem o sustento dos nativos. E eles também sofrem preconceito nas cidades devido as garantias que tem pela legislação.

Existem ainda as questões culturais que envolvem essa situação. Recentemente um vídeo passou a circular na internet com imagens de uma criança índia, supostamente com problemas mentais sendo enterrada viva. O vídeo é falso, e foi uma cena montada pelo diretor australiano David Cunningham para seu documentário, chamado Hakani. As imagens chocantes revoltam, e esse tipo de coisa, termina estigmatizando ainda mais os índios, que são vistos como párias na chamada “sociedade contemporânea”. A temática é delicada e precisa ser encarada como um problema social gravíssimo. Enquanto o Estado brasileiro continuar fazendo de conta de cuida de índio, mas ao mesmo tempo fazendo vista grossa as condições miseráveis em que boa parte se encontra, o destino deles fatalmente será a extinção. Mas, e os quilombolas do Vale do Guaporé?

A questão lá é complicada igual. São pequenas comunidades, a maior delas com 314 habitantes (Forte Príncipe) que tem boas condições, e fica praticamente dentro de Costa Marques. Mas outras menores, como Santo Antônio do Guaporé, que conta com 66 moradores e Pedras Negras, com 97, e são isoladas, passam por dificuldades imensas. A primeira é a distância, cerca de 4 horas de voadeira. As crianças precisam de escola, mas professores não querem ir lecionar porque precisam passar 15 dias em um local sem condições de permanência. Os pequenos não podem vir para as cidades porque não tem onde ficar e estão criados os impasses. Ao mesmo tempo, as autoridades precisam garantir condições para essas crianças, que quando crescem migram para as cidades sem nenhum tipo de preparo para lidar com a sociedade da forma como se coloca. A demora em demarcar as áreas das comunidades e o encolhimento gradativo das populações, nos dá a impressão que o Estado prefere esperar que todos morram, ao invés de resolver essas questões de forma definitiva.

E assim é o Brasil, um país de faz de contas. Mas o conto de fadas dessas minorias é uma triste realidade, que a maioria da população só lembra quando acontece alguma tragédia, seja causadas por nós homens brancos, ou por eles, os primeiros brasileiros.

 

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