“A empresa de Brasília não deu certo”? Diz Confúcio no grampo da PF

Élson Ribeiro e Pólvoa também fez “correria” para emplacar obras de saneamento em Porto Velho; município pode perder o recurso

Porto Velho — Em 26 de maio último, a coluna PAINEL POLÍTICO revelava que um “amigo de infância” do governador Confúcio Moura estaria tentando emplacar uma empresa para executar as obras de saneamento na cidade de Porto Velho. Trata-se de Élson Ribeiro e Pólvoa, ex-presidente do Sinduscon-DF, e pessoa que anda circulando, e muito, pela representação do Estado de Rondônia na capital federal.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]De acordo com informações obtidas pela coluna, o empresário teria procurado as grandes empresas para tentar “vender” o projeto. Ele buscou a  OAS, Odebrechet e Camargo Correa, mas em função do avanço nas investigações da Operação Lava-Jato, elas recusaram, “já estavam com problemas demais”. Sem sucesso, ele buscou a EMSA (empresa que está enrolada no Tocantins com a construção de ‘pontes fantasmas’), além da Goetze Lobato e a Augusto Velloso. O processo licitatório, na modalidade Regime Diferenciado de Contratação (RDC) é iniciado tendo como inscritas as empresas, EMPO (Empresa Curitibana de Saneamento e Construção Civil) que apresenta a inexequível proposta orçamentária de R$ 186.407.762,32; A Construtora Augusto Velloso S/A disse que realiza tudo por R$ 550 milhões; A Goetze Lobato Engenharia apresentou um preço pouco maior, R$ 564.350.000,00; e a EMSA (Empresa Sul Americana de Montagens), que apresentou proposta de R$ 720 milhões.

A Goetze e Lobato venceu o certame, e a EMSA, que ficou em segundo lugar, recorreu, alegando que a primeira colocada não dispõe de acervo técnico exigido em edital, e ainda montou um consórcio com outra empresa que sofreu pedido de recuperação judicial. Mesmo assim, a SUPEL aprovou a primeira colocada e a EMSA entrou na justiça. Em função da demora, Porto Velho pode perder os recursos que estão disponíveis na Caixa Econômica desde a gestão Ivo Cassol.

Empresa fantasma

Com as investigações da Operação Murídeos, a Polícia Federal descobriu que o empresário Élson Ribeiro e Pólvoa também tentou emplacar as obras do Hospital Regional de Ariquemes, e só não conseguiu porque a empresa Engecon, de Porto Velho, foi mais rápida e enviou um investigador para conferir o acervo que a empresa TÉCNICA, indicada por Élson, realmente tinha feito o que dizia. Em diálogo interceptado pela Polícia Federal entre o governador Confúcio Moura e Antônio Fortunato Oliveira Neto, assessor especial do governador do Estado e integrante do Comitê Gestor das Parcerias Público-Privadas -PPP, no Estado, eles tratam da licitação das obras do hospital de Ariquemes. Confúcio pergunta claramente, “a empresa de Brasília não teve jeito”? Veja abaixo:

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A Polícia Federal classificou da seguinte forma essa situação: “subsistem os fortes indícios da prática dos delitos de associação criminosa e peculato, como visto, e aparentemente não só Antônio Fortunato Oliveira Neto, assessor especial do governador do Estado e integrante do Comitê Gestor das Parcerias Público-Privadas -PPP, no Estado, como também podem estar envolvidos Elizete Leonel, Superintendente da Representação do Governo em Brasília, Normam Veríssimo, responsável pelo procedimento licitatório mediante o qual é selecionada empresa para execuçaõa da obra, Iacira Azamor, diretora da CAERD; Michele Machado Marques, servidora do gabinete do governador e Waldemar Cavalcanti de Albuquerque Filho, chefe de gabinete do governador”.

Em outra gravação, desta vez entre Fortunato e Márcio Gabriel (SUPEL), eles falam da licitação do hospital e sobre a empresa “de Brasília”:

 

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Dias depois, a Polícia Federal descobre Élson Ribeiro e Pólvoa, veja o relatório:

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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