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A nossa educação é vergonhosa – Emmanoel Gomes da Silva

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A notícia já era esperada, apesar dos secretários municipais, estaduais e o ministro da educação, propalarem, que a educação pública brasileira melhorou o resultado do ENEM 2012, demonstra que é exatamente o contrário, piorou. A educação é de longe, a área onde o setor público mais demonstra sua incompetência, cretinice, demagogia e vileza. Entre as atividades públicas é aquela que mantêm e colabora para o aumento do caos social existente, a educação poderia ser a redentora da nossa sociedade, como o fez em países como a Coréia do Sul, China e Chile. Nossa posição no ranking mundial é a penúltima, perdemos para vários países pobres da África Subsaariana.

Comprovando tal fato, tivemos a melhor Universidade brasileira saindo da lista das 200 melhores do mundo. Vivemos um profundo caos no setor e não observamos uma luz ao final do túnel. Enquanto isso, os responsáveis, ou melhor, “irresponsáveis” que respondem pelas pastas nos estados, municípios e união, produzem números na tentativa de enganar a população que se utiliza desse serviço público. Segundo estes a realidade é outra, esses números não dizem nada.

A melhor escola classificada no ENEM no Estado de Rondônia continua sendo o Classe A, de Porto Velho, sendo que a mesma não aparece nem entre as 500 melhores do Brasil. A mais bem colocada do setor público do nosso Estado da Cooperação do Doutor Confúcio, não aparece entre as 1000 melhores escolas do Brasil.

Em Vilhena, a mais bem ranqueada é o COOPEV, que comemora sua vergonhosa posição no ranking, ser a mais bem colocada em Vilhena e a segunda no estado é o que importa, mesmo que fique muito distante das 500 melhores do Brasil. A segunda colocada em Vilhena, e décima quarta no Estado é o Curso, Escola e Preparatório do professor Vanks que na lista do ano passado, segurava a ponta, agora caiu e em Vilhena ficou com a segunda colocação. As demais escolas da nossa cidade aparecem muito longe, porém, na hora que abrirem suas matrículas no próximo ano, vão produzir números e justificativas para que suas salas fiquem ocupadas e recebam polpudas mensalidades.

O resultado do último ENEM, é um recado muito claro para os professores e metodologias utilizadas em nossas escolas, estamos no caminho errado. Precisamos rever quase tudo o que estamos fazendo em nossas escolas. O abismo entre escola privada e pública é gigantesco. Cada professor, pedagogo, orientador, diretor de escola, secretário municipal, estadual deveriam refletir seriamente os números, pois eles dizem que todos são incompetentes.

Não adianta espernear, xingar ou falar mal desse colunista. O resultado está na cara de todos, envergonha quem possui caráter e vergonha na cara! Precisamos procurar caminhos que modifique esta realidade ou assumir definitivamente nossa incompetência junto à sociedade que nos mantêm com seus impostos. Uma das coisas que devemos extirpar imediatamente é a politicagem existente, ninguém aguenta mais ingerências de prefeitos, vereadores, deputados e secretários que atuam na busca de se elegerem a cargos eletivos que pagam excelentes salários. Os dirigentes deveriam adotar uma postura técnica, fazer valer a meritocracia, investir em formação real de qualidade, em planejamento estratégico eficiente, aumentar salários, modificar a grade que existe há mais de quatro décadas e não se atualiza se compatibilizando com o novo mundo e novos tempo. Em fim, é preciso dar espaço para os inovadores, espaço para aos que querem construir resultados e não essa forma comum existente que muito cara, obsoleta e ineficaz não gera transformação alguma dentro da sala de aula.

Reformar escolas, melhorar a merenda, construir quadras poliesportivas milionárias, comprar computadores, câmara para substituir os vigias das escolas, pintar muros, eleger diretores e vices, aumentar o número de crianças nas escolas etc. Isso traz alguma contribuição, porém, o essencial é qualidade dos nossos professores, este é o grande gargalo, nossos professores, em grande parte, são pobres e medíocres, enganam, enrolam, não estudam, não atuam em sua própria formação, ficam esperando pelo estado ou município politiqueiro que não adotam posturas sérias e eficazes para o fim do abismo em que nos enfiamos.

Nossos professores em grande parte, desistiram, estão em sala de aula por não ter outra opção. Não possuem condições para pagar despesas com viagens e material informativo de ponta. Utilizam a internet para diversão e não para formação, não acessam os sites locais nem os nacionais. Nossos professorem não conhecem poesia, não ouvem boas músicas, não orientam seus alunos para um universo cultural mais rico por serem pobres culturalmente e não conhecerem as grandes obras nas mais variadas manifestações artísticas. Nossos professores, estranhamente não são leitores, em suas casas é possível observar o vaso de flores de plástico sobre a mesa e o Pinguim de geladeira, livros que é bom em uma estante… Não… Nunca. Nossos professores, em grande parte, não são formadores de opinião, não produzem trabalhos que se destaque na sociedade, não escrevem para revistas, sites e jornais. Nossos professores, em grande número, se somam aos que precisam obter sua casa própria, pagar suas dívidas intermináveis, ter seus crediários aprovados pela Gazim e comprar a cartela da EXPOVIL, no melancólico desejo de ganhar um carro zero quilômetro.

É evidente que existem os professores chatos que ganham prêmios, que são reconhecidos pela sociedade, que lutam em prol de um grande ideal educacional e humano, óbvio, que existem os “loucos” que encantam que vão além. Existe aqueles que fazem seus alunos vibrarem, aqueles que quando adentram a sala parecem flutuar em profundo prazer e delírio, sintonizados com um profundo bem, e com eles, seus alunos que acompanham e elevam os espíritos e avançam rumo a imensidão do saber. Existem os que mesmo ganhando igual aos demais, investem o pouco que possuem nas oportunidades de formação “independente” que as vezes surgem ao acaso, porém, esses são muito poucos, diante do enxame, multidão, piracema, tumulto, massa de professores que se entregaram ao desanimo e degredo.

Professor tem que ter paixão, tem que fazer o aluno vibrar, tem que ser capaz de transformar seu público em algo melhor, mais culto, mais rico em conhecimento útil. Professor tem que quebrar regras, se opor a burrice imposta pelo sistema falido, têm que afrontar a burrice e ignorância presentes na sociedade, escola, igrejas, lares, sindicatos e demais instituições, que se mantêm, através da esperteza e brechas do sistema falido. De vez em quando tem que ser louco ao ponto de acreditar que as mazelas, resultantes de séculos de corrupção e injustiça social, podem ser superadas. Tem que ser completamente maluco e acreditar que a grande arte e cultura devam habitar o espaço nas escolas e ambientes de estudo pesquisa e culto ao ser humano. O verdadeiro professor combate de forma intransigente à pornografia e banalização cultural na sociedade, defendem, como se fosse uma fera raivosa, os valores éticos e morais dentro da sociedade esquálida, andrajosa e desfigurada.

Milito por décadas em favor de uma escola íntima da boa música, poesia, artes plásticas, literatura etc. Constatamos que 80% do que ensinamos não serve para nada, não encanta nossos alunos, não se demonstra eficaz mais tarde em sua continuidade social. O aluno quando sai das escolas e Universidades, percebe que perdeu tempo, quando atua na área para o qual foi formado, percebe que não se formou ou preparou coisa nenhuma, é na prática, que vai aprender tudo aquilo que não aprendeu. Nossa educação é demagoga, falsa, ineficiente e gastadora como os nossos políticos o são, não gera os resultados necessários para o mercado de trabalho e nem para o universo cultural da sociedade.

Professores, minha metralhadora também está apontada para mim, como os que almejam outra realidade, muitas vezes me sinto pequeno e incapaz, chego a fraquejar em alguns momentos sou tomado pelo desespero. Mas não podemos nos acovardar, eu não quero ser o último do ranking, não quero ser visto como um incompetente ou inútil, quero lutar e construir uma realidade diferente. Não sinto prazer em escrever tal texto, gostaria de nunca tê-lo escrito, acredito que ninguém queira ocupar o cargo de arauto do caos educacional, porém me sinto na responsabilidade de fazê-lo, não me intimido com a voz alta daqueles que discordam de mim e defendem os padrões atuais. Estudo e pesquiso a educação em Rondônia e no Brasil e não quero fazer, como a maioria o faz, discurso para a galera. Luto há muito tempo para criarmos um fórum capaz de refletir a educação em Vilhena sem a necessidade de compor a mesa com as “autoridades” que amordaçam e impedem os avanços na área. O caos cultural existente na sociedade brasileira, que nos últimos anos se aprofundou, gerando as manifestações que atentam violentamente contra a inteligência e bom senso existentes, propostas “culturais” tão assimiladas por nossos alunos, últimos colocados no ranking das escolas nacionais e mundiais, como os sertanejos universitários, as canções que transformam as mulheres em cachorras e as expõe como se fossem pedaços de carne em vitrines em minúsculas roupas a serviço do sexo fácil e rápido, dentro das boates, pubs e bares nas madrugadas da vida, com exposição a toda espécie de lixo cultural, além das bebidas, drogas e violência. Cultura que colabora para a existência do homem machão, “o que come todas as menininhas da cidade e foi lapidado pelas “bombas” da academia de ginástica da esquina”, o adolescente, pobre e vazio que depois das drogas, busca o suicídio como resposta aos problemas que a sociedade através das suas “ricas” instituições religiosas, politicas e “educacionais” foram incapazes de refletir e buscar soluções.

Nós professores, temos sim a nossa contribuição nessa miséria social. É claro que a família desmantelada, que abandonou os filhos a sua sorte, permitindo que a rede “merda” de televisão através de programas nojentos como “A fazenda”, “Big Brother”, Faustão e companhia, famílias que permitem que rodas de amiguinhos influenciem mais seus filhos que eles mesmos, colaboram para buscarmos o fundo de um abismo inexistente. Mas, a escola, os professores, quando querem, desejam e atuam no sentido contrário, conseguem resultados diferentes, aliás, o topo do ranking das melhores escolas é composto por aqueles que existem para fazer a diferença e fazem a diferença! Se você professor não acredita ser capaz de contribuir para mudar esta realidade, como se diz no jargão popular, saia da moita, dê o espaço para quem acredita ser capaz.

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