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Abandonar o vício no cigarro ajuda a manter a audição saudável

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Alcatrão, monóxido de carbono, nicotina, formol, solventes e amônia são apenas algumas das cerca de 4700 substâncias tóxicas que compõem o cigarro. Essas substâncias somadas às outras presentes no cigarro causam, dentre vários problemas de saúde, a diminuição na capacidade de oxigenação sanguínea, causando obstruções vasculares e alterando a resistência que o sangue oferece ao seu próprio movimento.

E o que isso tem a ver com a audição? Bom, a Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães otorrinolaringologista e otoneurologista, de Curitiba, explica resumidamente. “Os ouvidos possuem estruturas muito sensíveis e qualquer mudança na circulação sanguínea pode afetá-los. A redução do oxigênio e de nutrientes no órgão provoca a morte das células auditivas, ocasionando perda de audição progressiva,” diz.

A dependência do cigarro é causada pela nicotina, substância que estimula o cérebro ao prazer e está presente no tabaco. “Ao entrar em contato com a corrente sanguínea, a nicotina provoca uma sensação de bem-estar, relaxamento e minimiza a ansiedade”, explica a médica.

Porém, apesar do prazer, a fumaça exalada pelo fumante é tóxica e traz malefícios tanto para quem fuma quanto para quem entra em contato com ela. “Pessoas que tem o hábito de fumar contam com o filtro do cigarro, que minimiza a quantidade de toxinas inaladas. Já os fumantes passivos inalam a fumaça integralmente, ficando expostos a todos os tóxicos”, observa.

De acordo com um estudo apresentado como dissertação de mestrado da Unifesp, quem fuma, no mínimo, cinco cigarros por dia há mais de um ano tem quatro vezes mais chances de sofrer com o zumbido no ouvido. “O zumbido é um sintoma percebido na cabeça ou nos ouvidos sem a presença de uma fonte sonora externa. A perda de audição e alterações no sistema auditivo são as suas principais causas”, ressalta a especialista, que diz que a melhor maneira de evitar os danos do cigarro é parar de fumar o mais rápido possível – em 72 horas sem o cigarro a quantidade de monóxido de carbono no corpo é normalizada.

Dois anos sem o cigarro reduz pela metade as chances de algum evento cardiovascular e em 10 anos o ex-fumante corre menos riscos de ter câncer. Quanto menor for o tempo do vício, mais cedo os benefícios irão surgir. “O ideal é parar de fumar gradualmente para minimizar os sintomas de abstinência, que são desagradáveis e desencorajam o indivíduo a seguir em frente. O fumante pode até procurar um médico especializado para que seja indicada a melhor estratégia terapêutica para interromper o hábito”, acrescenta.

Algumas orientações para aqueles que desejam largar o vício é retardar a hora de fumar o primeiro cigarro, “assim você passará a consumir menos cigarros por dia”, explica. Fazer atividades físicas, mudar os hábitos, como, por exemplo, evitar locais em que hajam fumantes e escovar os dentes logo após a refeição ajudam a ficar longe do cigarro por mais tempo – assim como a não ingestão de bebidas alcoólicas.

 Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães (CRM 9009)

Otorrinolaringologista, otoneurologista, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR

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