Adriana Ancelmo diz que pode ter recebido joias para ‘publicidade’

A ex-primeira dama do Estado do Rio, Adriana Ancelmo, afirmou em depoimento na Justiça Federal nesta quarta-feira (12) que pode ter recebido como “publicidade” parte das joias, apreendidas em várias residências e que segundo o Ministério Público Federal eram usadas para lavar o dinheiro de propinas arrecadadas por seu marido, o ex-governador Sérgio Cabral. Ela, no entanto, admitiu que recebeu presentes de Sergio Cabral da mesma loja de joias, mas que não sabia como eram pagas.

“Fui procurada muitas vezes em aniversário, casamento, lançamento de coleção. Ela me pediu como divulgação pelo cargo que ocupava de na primeira dama, mesmo nunca tendo usado: Talvez pela publicidade. Não comprei nenhuma joia sem nota fiscal”, disse Adriana, referindo-se a uma gerente da H.Stern.

Em seu depoimento na tarde desta quarta-feira (12), ela ainda afirmou que jamais recebeu dinheiro de doleiros em seu escritório. O ex-sócio de Adriana Ancelmo em um escritório de advocacia, no entanto, a contradisse durante depoimento ao juiz Marcelo Bretas. Thiago Aragão, afirmou que o escritório deles pagou contas do concunhado dele.

Encerrado depoimento de Adriana Ancelmo, o juiz permitiu que ela encontrasse Sergio Cabral por alguns minutos, com escolta.

O primeiro a depor foi Sergio de Castro Oliveira, o Serjão. Ele trabalha como assessor de Cabral desde os tempos que este era presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre 1995 e 2002. Ele confessou que movimentou valores ilegais em campanhas de Cabral: “Sei que é prática errada que permeava e permeia política até hoje”, reconheceu ele em depoimento.

Em outro momento, ele disse que comprou remédios para pai de Cabral com dinheiro recebido por Luiz Carlos Bezerra, apontado como um dos principais operadores do esquema.

Serjão ainda garantiu que não era o citado nas anotações de Luiz Carlos Bezerra como “Big”. “Tenho certeza absoluta de que não era eu”, reforçou. Ele diz supor que Big era também outra pessoa, mas fala que Bezerra era desorganizado e não sabe dizer quem é. Os últimos pagamentos foram feitos, diz Serjão, em 2010. As anotações de Bezerra, no entanto, são de 2015.

R$ 7,7 milhões para campanha de filho de Cabral

O segundo depoimento da tarde foi de Francisco de Assis, conhecido como Kiko. Ele afirmou que R$ 7,7 mi suspeitos foram utilizados na campanha de Marco Antônio Cabral, hoje deputado federal e filho do ex-governador. O valor, segundo a denúncia, foi pago pelos irmãos Chebar após ser “lavado” na campanha. Ele nega que o dinheiro fosse para si, e diz que trabalhou de graça na campanha. “Achei que fosse bom para o meu portfólio”, afirmou.

Francisco foi subsecretário-adjunto da secretaria de comunicação do governo do Rio até 30 de dezembro de 2013, quando foi exonerado. Kiko é um dos sócios da empresa Corcovado Comunicação, que funciona em uma sala na rua Nilo Peçanha, no Centro do Rio. O endereço é citado na lista apontada pelos doleiros de Sérgio Cabral. Em um dos e-mails da investigação da Polícia Federal, mandado por Carlos Bezerra, membro da organização criminosa, Kiko é chamado de “Zambi”, em referência ao cantor Kiko Zambianchi.

‘Que história é essa?’, diz Cabral sobre 5%

Na segunda (10), Cabral prestou depoimento sobre a Operação Mascate. Pela primeira vez, ele respondeu às perguntas do magistrado — até então, só atendia aos próprios advogados.

Na ocasião, o ex-governador voltou a reconhecer que tenha utilizado caixa dois e negou propina. Ele disse que, enquanto esteve no cargo, não houve “toma lá, dá cá”.

“Basta o governante discernir e separar um assunto do outro e isso eu fiz, posso garantir à Vossa Excelência e ao Ministério Público Federal. Nunca houve uma contrapartida, seja para empresário A, B ou C por ter me dado recursos (…) oficialmente ou em caixa dois, com temas abordados enquanto governante. Nunca houve propina. Nunca houve propina. Houve apoio”, disse ele.

Anteriormente, ele já havia dito ter utilizado “sobras de campanha”. Cabral foi denunciado 13 vezes e já foi condenado uma. As outras 12 ainda aguardam desfecho.

Ele disse que as acusações do MP em relação a uma suposta propina para Cabral de 5% nas grandes obras são “injustas”.

“Eu vejo sempre que o Ministério Público, nas acusações, se refere sempre a delatores que falam em 5% (de propina). Nunca houve 5%. Que 5% é esse? Que história é essa? ‘Que 5% era uma coisa que vigia no governo Sérgio Cabral’. Que maluquice é essa? Que eu atônito vi essa… Eu estou falando para Vossa Excelência. Há colaborações, há caixa dois, há apoios, eu reconheço”.

Fonte: g1.com

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