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Aécio Neves, a lacônica interrupção de uma carreira política promissora

Mandato de senador tucano acaba em 2019 e dificilmente ele vai conseguir se recuperar das acusações

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Apesar dos pedidos de isonomia de tratamento, feitos por Eduardo Cunha e Delcídio do Amaral, nenhum deles teve uma biografia política tão promissora e importante quanto o mineiro Aécio Neves, herdeiro político de Tancredo Neves, principal apoiador e articulador das Diretas no Brasil.

Aécio foi talhado para ser político e tinha tudo para chegar à presidência da República, não fosse a falta de bom senso e principalmente, observar a frase de Magalhães Pinto, “política é como nuvem. Você olha e ela esta de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Afoito, logo após perder as eleições presidenciais em 2014 se arvorou em ser o comandante do processo que derrubaria Dilma Rousseff. Oportunista, não economizou na hora de acusar seu colega, Delcídio do Amaral e esqueceu de seu imenso telhado de vidro. Meses mais tarde seria ele próprio a experimentar o gosto amargo do desprezo e de ter que se humilhar para permanecer no mandato.

O Senado não salvou o mandato de Aécio. Salvou a pele de todos naquela Casa que estão sujeitos a serem alvos de condenações e denúncias. A prisão de Delcídio havia deixado uma lacuna, aberto um precedente perigoso, uma situação delicada que precisava ser resolvida. E calhou de ser Aécio a “bola da vez”.

O senador mineiro que já foi governador de seu estado terá muito que explicar nos próximos meses. Vai ter que convencer a população de Minas Gerais que ele é “vítima”, que é “alvo de uma sórdida armação”, mas essa é uma tarefa complicada em tempos de Lava-Jato. Aécio Neves não é Fernando Collor que demonstrou uma incrível capacidade de ressuscitar politicamente. No Senado, Aécio já é olhado de soslaio por seus pares, uma pessoa a ser evitada. Ele terá como primeiro desafio manter-se na liderança do ninho tucano para depois pensar em sua reeleição. Se perder o comando do PSDB a derrocada final estará mais próxima, e membros da legenda já dão como certo seu afastamento. É questão de tempo.

O PSDB vem derretendo tal qual a carreira política de Aécio. O tucano-mor foi abatido em pleno voo. Resta saber se com esse episódio ele vai assimilar como aprendizado ou vai insistir na velha mania de achar que “o povo tem memória curta”, até tem, mas não para seus ícones. Aécio representava a antítese do PT e agora está em situação igual ou pior.

Fato é que, se mantiver o tom de seu primeiro discurso feito após reassumir o mandato vai ser bem difícil conseguir a “boa vontade dos mais de 7 milhões de mineiros“.

Confira a íntegra do breve discurso de Aécio Neves em plenário:

O SR. AÉCIO NEVES (Bloco Social Democrata/PSDB – MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, eu reassumo hoje meu mandato nesta Casa, mandato que me foi conferido pela vontade de mais de 7 milhões de mineiros; mandato que continuarei a honrar como sempre honrei todos os que recebi ao longo de 31 anos consecutivos de mandatos eletivos e quase 40 anos de vida pública.

Faço isso, Sr. Presidente, em razão de decisão soberana tomada ontem por esta Casa, pela maioria absoluta dos seus membros, em respeito à Constituição, à independência e à harmonia entre os Poderes.

Saúdo, portanto, cada Sr. Senador e Senadora que tiveram a compreensão da importância daquele voto.

Sr. Presidente, será no exercício do meu mandato que irei me defender das acusações absurdas, falsas de que tenho sido alvo. Sou, Sr. Presidente, devo dizer neste instante, vítima de uma ardilosa armação, uma criminosa armação perpetrada por empresários inescrupulosos que se enriqueceram às custas do serviço público e não tiveram qualquer constrangimento em acusar pessoas de bem na busca dos benefícios de uma

inaceitável delação, ora suspensa, em razão de parte da verdade estar vindo à tona, Sr. Presidente.

Mas o que é mais grave: corroboraram, contribuíram para essa trama ardilosa homens de Estado, notadamente alguns que tinham assento, até muito pouco tempo, na Procuradoria-Geral da República.

Novos depoimentos, delações, gravações que haviam sido omitidas vão dando um contorno claro às razões que levaram àquela construção, repito, criminosa da qual fui vítima.

Portanto, Sr. Presidente, no exercício deste mandato, irei trabalhar a cada dia e a cada instante para provar a minha inocência. Fui, sim, alvo, Sr. Presidente, dos mais vis e graves ataques nos últimos dias, mas não retorno a esta Casa com rancor ou com ódio. Venho acompanhado da serenidade dos homens de bem, daqueles que conhecem a sua própria história. E a minha história, Sr. Presidente, é honrada, é digna, é de dedicação ao longo de quase 40 anos aos mineiros e ao Brasil.

Estarei, portanto – e encerro, Sr. Presidente –, pronto, como sempre estive, para o debate franco sobre os mais diversos temas de interesse do País. E, da minha parte, sempre de forma respeitosa.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

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