Agente envolvido em esquema de propina solicitou até R$ 500 mil para dar benefício a preso, diz MP

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) revelou nesta quinta-feira (28) que um agente prisional, suspeito de receber propina em troca de regalias a detentos, chegou a cobrar R$ 500 mil para fornecer um benefício a um reeducando. O privilégio, neste caso, não foi revelado, mas segundo o órgão, iam desde transferências de unidades a saídas para visitar a família. Um servidor e três ex-servidores foram detidos durante a Operação Regalia, que investiga o esquema.

O promotor de Justiça Ramiro Cartenedo disse que, apesar dessa cobrança, a negociação não chegou a ser fechada. “Há transferências bancárias a partir de R$ 300. Constatamos uma solicitação de R$ 500 mil para um benefício que acabou não se concretizando, mas isso não impede o crime. Isso é reiterado”, disse.

Ele explicou ainda que, se não houvesse pagamentos, havia retaliação ou entrave administrativo para o benefício.

Em nota, a assessoria de imprensa da Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) informou que não participou da ação, mas tinha demitido três dos quatro detidos e que apoia ações como esta(leia na íntegra ao final da reportagem).

Além dos quatro mandados de prisão contra um agente prisional e três ex-agentes. Foram expedidos seis mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para a delegacia para prestar depoimento, dos quais cinco foram cumpridos. Já dos 11 de busca e apreensão, falta um para ser executado.

Presos foram levados para a sede do MP, em Goiânia (Foto: Divulgação/MP)

Pagamentos de várias formas

Os promotores explicaram que os pagamentos eram feitos de várias formas com objetivos distintos. “Cobranças que foram detectas e comprovadas mediante dinheiro, cheques, bens, veículos, e eram feitas para a concessão de benefícios previstos com respaldo legal, como transferência de unidade, ou sem respaldo legal alguma, como ida à residência com a própria escolta dia vigilantes”, explicou o promotor Thiago Galindo.

A investigação começou há cerca de 1 ano, após uma denúncia anônima. Os promotores constataram que os agentes tanto recebiam propina quanto extorquiam os internos.

“Temos provas contundentes, vergonhosas, confidentes, que denigrem a imagem dos agentes corretos”, ressalta Galindo.

De acordo os promotores, as investigações continuam com a análise do material apreendido e dos interrogatórios.

NOTA-SEAP

A respeito da Operação Regalia, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28/09), a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) informa que não participou da sua execução e planejamento, ficando essa tarefa a cargo do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Destaca que três dos quatros detidos já haviam sido demitidos pelo Governo do Estado em face de condutas inadequadas. Observa, ainda, que não possui maiores esclarecimentos a respeito das conduções coercitivas em curso.

Seap apoia integralmente ações que visam coibir irregularidades e sempre atua no combate a comportamentos ilícitos de servidores que, neste sentido, respondem administrativa e criminalmente pelos atos cometidos.

Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap)

Fonte: g1/ro

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