Agentes da Força Nacional dizem que número de bandidos com fuzis no Rio é incomum

A quantidade de armas pesadas nas mãos dos bandidos tem impressionado os agentes da Força Nacional de Segurança que estão no estado para reforçar o patrulhamento. Na manhã desta sexta-feira, agentes de diferentes partes do país que faziam uma blitz na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna, foram unânimes ao dizer que o Rio é o estado mais inseguro do país. Segundo eles, o poder de fogo dos criminosos não se compara a nada visto em outras cidades. Atualmente, já autuam no estado 620 agentes da FNS, sendo que os primeiros 300 chegaram aqui em 15 de maio.

— No Ceará, só pegamos um fuzil quando vem um bandido de outro estado para assaltar um banco. Aqui, até um menino de 11 anos anda com uma arma longa na mão — disse um policial cearense, que pediu para não ter o nome divulgado.

O agente, que não sabe quanto tempo vai ficar no Rio, contou ainda que essa situação de guerra deixa sua família muito apreensiva. Segundo o policial, sua mulher “reza o tempo todo” para que ele volte logo para casa. O casal tem um filho de 2 anos.

Um outro policial, que veio de Sergipe há um mês, disse que sua mãe vive sobressaltada:

— Ela me pediu para não vir. Me liga todos os dias para saber se estou bem. Está com medo das notícias sobre a violência crescente no Rio.

Apesar do clima de tensão, os agentes dizem que não sentem medo de atuar nas ruas.

— Nós não temos medo. Mas o Rio está inseguro, muito mais do que as outras cidades do país. O poderio bélico de um bandido daqui é maior do que o de qualquer outro estado — afirmou um policial pernambucano.

Para um agente do Rio Grande do Sul, a presença da Força Nacional é apenas um paliativo no combate à violência:

— Não é a Força Nacional que vai resolver esse problema. Não depende de nós, mas de planejamento e da implantação de uma política de segurança pública eficiente.

Os agentes da FNS recebem uma diária de R$ 224, para que paguem a sua hospedagem. A base do grupo é o Centro de Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar, em Sulacap.

TIRO ACERTA CARRO EM BLITZ

Em outra outra blitz da FNS, em Acari, um carro foi atingido por um tiro disparado por um dos agentes. O dono do veículo, Marcelo José, de 46 anos, contou que o militar atirou quando ele passava pelo bloqueio na Avenida Martin Luther King Jr., por volta das 7h30m. A bala acertou o capô da picape.

— Não houve ordem para parar. Eu não sou bandido. Queria saber como ele faz uma coisa dessas. Atira primeiro, e pergunta depois. Eu poderia estar morto — afirmou o motorista, acrescentando que pretende entrar na Justiça contra os agentes.

O sargento Idair, que participava da operação, negou a versão do motorista de que não tenha havido ordem para parar. Segundo ele, o agente levantou o braço.

— Foi levantada a mão para (o carro) parar. O vidro (da picape) é todo escuro. E ele quase atropelou o agente. Além disso, está com irregularidades na documentação do carro — disse ele.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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