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Aluno da Unesp participou de competição de bebida antes de morrer

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Um vídeo gravado na festa universitária que terminou com a morte do estudante Humberto Moura Fonseca no último sábado, em Bauru (SP), mostra o momento em que o jovem participa do concurso para ver quem conseguia beber mais.As imagens mostram uma mesa grande, com vários universitários, tomando vários copos de bebidas alcoólica em sequência.Durante a disputa, Humberto é ovacionado pelos competidores que o chamam pelo apelido “Lombadinha”. “Au, au, au, o Lombadinha é animal”, diziam os jovens.

“A festa começou por volta das 15h. Eu cheguei às 16h30 e já circulava esse boato que uma pessoa tinha morrido. Mas a gente achou que fosse uma brincadeira porque não vimos ninguém passando mal e continuamos na chácara. Alguns estavam fazendo o ‘bier-pong’. É como se fosse um ping-pong. Ficava um de cada lado da mesa e quem acertasse a bolinha dentro do copo do outro tomava cerveja”, contou o aluno de Publicidade e Propaganda de uma faculdade particular da cidade que preferiu não se identificar.

Humberto passou mal após a competição e foi socorrido pela ambulância do próprio evento. O aluno do quarto ano de engenharia elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), porém, não resistiu e morreu. Outros seis jovens também passaram mal e foram socorridos e levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga.

Às 19h30, de acordo com o jovem ouvido pelo Terra, os organizadores encerraram o evento. “Um pegou o microfone e pediu educadamente para todo mundo ir embora porque tinha acabado a festa. Foi aí que a gente acreditou que isso [a morte do estudante] realmente tivesse acontecido. Quando saí tinha 7 viaturas da PM lá”, contou o rapaz.

Prisões

Dois dos organizadores da festa foram presos pela Polícia Civil neste domingo acusados de homicídio com dolo eventual e lesão corporal. Segundo o delegado que apura o caso, Mário Henrique Ramos, os rapazes coordenavam a comissão organizadora que contava com a participação de membros das repúblicas.

“O que apuramos é que esses dois rapazes faziam contrato com prestadores de serviços, seguranças, ambulância, fornecedores de alimentos e fizeram a compra de bebida alcoólica para vender. Os dois foram autuados por homicídio simples, com dolo eventual uma vez com relação ao Humberto e por três lesões corporais dolosas em relação as duas meninas e ao rapaz que se encontram internados em estado grave, entubados”, explicou o delegado.

“Embora a comissão tente afirmar que foi um grupo que se reuniu no canto porque quis, nós temos evidências de que era uma prova já programada, elaborada, coordenada e executada pela equipe organizadora. Pode não ter sido efetivamente pelos dois rapazes, por auxiliares, mas efetivamente sob a responsabilidade da equipe coordenadora”, explicou o delegado.

De acordo com o delegado, o socorro prestado às vítimas foi insuficiente e as pessoas contratadas para tanto não tinham preparo. Os estudantes que começavam a passar mal e procuravam atendimento recebiam apenas um copo de chá.

Ainda na noite de ontem, os jovens detidos foram liberados pela Justiça para responder o processo em liberdade. A decisão, do juiz da 4ª Vara Criminal Fábio Correia Bonini, foi confirmada pelo advogado de defesa dos suspeitos, Luiz Celso de Barros.

“Os organizadores da festa são os membros de cada república (estudantil). Os meus clientes foram responsáveis apenas pela parte operacional. Contrataram som, enfermeiro, ambulância e fizeram a compra de bebidas. Em linhas gerais, o delegado quis que eles previssem o imprevisível”, avaliou o advogado, referindo-se a morte do universitário.

Os suspeitos são acusados pela Polícia Civil por homicídio simples com dolo eventual em relação ao estudante Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, que morreu por coma alcoólico, e por lesão corporal, no caso de duas jovens e um rapaz que seguem internados em estado grave.

Gabriela Alves Correia, 23 anos, está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual, Juliana Tibúrcio Gomes, 19, está na UTI do Hospital de Base e Matheus Pierri Carvalho, foi transferido para o hospital da Unimed.

“No caso de homicídio simples, se condenados eles pegariam seis anos, no máximo, de prisão. Pela lei, quem é condenado há seis anos cumpre pena em regime semiaberto. Então não haveria motivo para mantê-los presos”, justificou o advogado reforçando que os rapazes envolvidos estão à disposição da Justiça para esclarecer o que for necessário.

De acordo com o delegado plantonista, Milton Bassoto, que recebeu o mandado de soltura do juiz, os envolvidos não têm passagens pela polícia e possuem residência fixa, o que pode ter contribuído para a decisão. Eles assinaram um termo em que se comprometem a comparecer sempre que forem chamados.

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