Amir Lando morreu, mas só politicamente

Acompanhe a Resenha Política, de Robson Oliveira

Taekwondo

Durante o feriado prolongado, jovens praticantes da arte marcial taekwondo foram às principais avenidas da capital pedir ajuda financeira aos condutores de veículos que paravam nos sinais para financiarem suas participações num campeonato nacional do esporte. Como não há uma política governamental concreta para ajudar o desenvolvimento do desporto amador, nossos jovens são compelidos a mendigar nos sinais para que possam garantir a presença de Rondônia nos eventos nacionais. E não é a primeira vez que optam por esta única alternativa.

Demagogia

Na campanha, Confúcio Moura (PMDB) prometeu criar uma Secretaria da Juventude e dos Esportes para atender nossos jovens. Ao que parece a promessa feita não surtiu nenhuma serventia e a área é ocupada por quem conhece um esporte somente quando liga um canal de televisão. Apesar de nem sempre entender a modalidade transmitida.

Tempo

Enquanto os partidos não definem os pré-candidatos a prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif (PSB) tenta melhorar sua barra suja junto ao eleitor depois de três anos e meio de uma administração inoperante e nula. Sábado passado, por exemplo, levou um batalhão de garis uniformizados de amarelo para limpar a avenida Calama, entre o bairro 4 janeiro e Aponiã. O canteiro da avenida ficou bem apresentável, mas as ruas internas dos bairros que cruzam a avenida continuam sujas. Mesmo sem afirmações públicas, Nazif é candidato à reeleição e aproveita ações dessa natureza para tentar recuperar a imagem, visto que os eventuais adversários perdem tempo com indecisões partidárias.

Incredulidade

Com a nova regra eleitoral encurtando o tempo da campanha e ainda as Olimpíadas exatamente em agosto, a deflagração do processo eleitoral vai ser retardada e a eleição favorece em tese aos candidatos mais conhecidos. Os noviços vão ser obrigados a usar todo o tempo de mídia com profissionalismo e competência para convencer os eleitores a optar por suas propostas. No entanto, como a população está cansada dos malfeitos na política e incrédula com os serviços públicos, tanto os candidatos carimbados quanto os novatos terão que se desdobrar para convencer o eleitor a votar. Se o voto fosse facultativo, muitos candidatos perderiam para a abstenção. Embora o voto branco seja um perigo concreto.

Calamidade

A BR 364 virou uma calamidade nacional e é de longe uma das rodovias federais que mais assassina as pessoas diariamente. Pavimentada há mais de três décadas quando a frota de veículos rondoniense era infinitamente menor do que a atual, hoje é uma artéria que escoa boa parte da produção agrícola de dois estados e não tem condições de suportar um tráfego pesado de mais de três mil carretas diárias. Muito mais importante do que a ponte binacional anunciada para ligar Guajará-Mirim a lugar nenhum, a duplicação da 364 é urgente pois estamos em estado de calamidade.

Efeito

As revelações da “operação lava jato” continuam afetando o coração do Palácio do Planalto. Primeiro atingiu pessoas ligadas à presidente Dilma Rousseff, que ganhou as eleições e o governo acabou antes de começar. Segundo, atinge o presidente provisório Michel Temer com gravações feitas pelo aliado Sérgio Machado. Temer ganhou de graça um governo que começa a se desmoronar antes de começar a governar. Na medida que novas revelações forem surgindo, a tendência é Temer se isolar e a crise atingir proporções inimagináveis. O efeito destruidor da ‘Lava Jato’ é real e as revelações do Marcelo Odebrecht tendem a ser temerárias para todos os partidos, inclusive para o presidente provisório e para a presidente transitória.

Futuro

Ninguém tem condições de avaliar o que o futuro reserva no final das investigações porque a cada dia novas revelações são feitas e novas investigações são abertas. A única certeza é que a ‘Operação Lava Jato’ ao Supremo pertence, e que não vai terminar num chiste.

Cassação

O deputado federal Marcos Rogério (DEM) apresentará nesta terça-feira (31) seu parecer na Comissão de Ética da Câmara pela cassação do deputado encrencado Eduardo Cunha (PMDB). Marcos revelou à coluna que o relatório está fundamentado no artigo 5º do Código de Ética. Informou ainda que tem recebido muita pressão (sem especificar quais), mas está tranquilo pelo trabalho realizado. A notoriedade adquirida com a relatoria do caso Cunha projetou Marcos Rogério ao seleto grupo de parlamentares do Congresso Nacional do alto clero – grupo que de fato influencia as decisões do parlamento nacional.

Agronegócio

A crise não tem afetado o agronegócio estadual. A festa promovida pelo setor produtivo de Rondônia em Ji-Paraná comprova que cresce independentemente das políticas equivocadas dos governos. Confúcio Moura evitou participar da abertura do evento depois que foi avisado que haveria um protesto no local de policiais exigindo aumento salarial. O vice, escalado para falar em nome do governo, não foi poupado e levou uma sonora vaia, revelando que enquanto o setor privado recebe aplauso, o público é vaiado e começa a desmoronar sob protestos.

Proibição

Nem o pedido ao Judiciário feito pelo Governo de Rondônia para impedir que os policiais civis protestassem contra a falta de diálogo em torno das reivindicações de aumento salarial impediu que a manifestação contida fosse percebida pelas pessoas que foram à feira do agronegócio em Ji-Paraná. Autoridades presentes que foram hostilizadas estavam “p” da vida com a inércia do governador em não negociar com a categoria. Ficaram ainda irritados quando foram avisados do pedido autoritário formulado na justiça para impedir que os policiais não pudessem expressar livremente seu protesto. O protesto pacífico é algo inerente à democracia. Proibir é o mesmo que chamar pra briga: aí quem perde são todos!

Obituário

Este escriba recebeu várias ligações no domingo (29) de amigos e leitores da coluna, sobre um boato que surgiu relativo ao suposto falecimento do ex-senador Amir Lando. Para todos os curiosos que me ligaram eu confirmei o obituário político do ex-senador, mas informei que ele estava vivo e pescando no Vale do Guaporé. Morreu apenas na vida política para o eleitor rondoniense. E as razões para este obituário todos conhecem e estão registradas nos anais do epitáfio legislativo!

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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