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Ao menos sete presos tentaram se matar em delegacias do DF

Em um intervalo de 30 dias, dois moradores do Distrito Federal foram encontrados mortos em celas de delegacias de polícia. Para as autoridades locais da Segurança Pública, eles cometeram suicídio – versão contestada pelas famílias de ambos – e não teriam sido os únicos que atentaram contra a própria vida quando estavam sob a responsabilidade do Estado. Segundo a Polícia Civil, essa situação tem sido recorrente. Nos últimos dois meses, agentes da corporação teriam evitado que ao menos sete pessoas se matassem nas carceragens de delegacias locais.

Em um intervalo de 30 dias, dois moradores do Distrito Federal foram encontrados mortos em celas de delegacias de polícia. Para as autoridades locais da Segurança Pública, eles cometeram suicídio – versão contestada pelas famílias de ambos – e não teriam sido os únicos que atentaram contra a própria vida quando estavam sob a responsabilidade do Estado. Segundo a Polícia Civil, essa situação tem sido recorrente. Nos últimos dois meses, agentes da corporação teriam evitado que ao menos sete pessoas se matassem nas carceragens de delegacias locais.

O caso mais recente foi registrado na noite desta terça-feira (15/8), quando um homem sob custódia na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) conseguiu cortar o pulso direito. Os plantonistas da unidade intervieram e acionaram o Corpo de Bombeiros, que prestou socorro ao detento.

Em um dos episódios mais surpreendentes, uma jovem detida na 1ª DP (Asa Sul) tentou se enforcar com o sutiã. O fato ocorreu há duas semanas, durante o plantão noturno. Presa em flagrante pela Polícia Militar, sob acusação de uso e porte de drogas, a suspeita estava algemada a um banco de concreto no corredor da 1ª DP enquanto o flagrante era registrado por policiais civis.

Mesmo presa por um dos braços, a mulher conseguiu tirar a peça íntima e a usou para se enforcar. Quando os policiais civis que estavam no balcão perceberam, a suspeita já estava agonizando. “Os agentes correram e fizeram uma série de procedimentos para reanimar a mulher, inclusive respiração boca a boca. Por sorte, ela voltou a respirar, pois chegou a ficar sem pulso”, afirmou uma fonte policial ouvida pelo Metrópoles.

Sem alarde
A morte do motorista da Caixa Econômica Federal (CEF) Luís Cláudio Rodrigues, 48 anos, encontrado sem vida em uma cela da 13ª DP (Sobradinho), em 14 de julho, não foi a única situação desse tipo na unidade. Dez dias antes de o motorista supostamente se enforcar com a própria roupa, outro homem já havia tentado se matar da mesma forma, mas a equipe da delegacia conseguiu evitar o pior.

Um policial ouvido pela reportagem revelou que as tentativas de suicídio dentro de delegacias sempre foram um problema existente, mas tratado sem alarde até a divulgação das mortes de Luís Cláudio e de Giovânio Alves da Silva, 43 anos, – encontrado morto por enforcamento dentro de uma cela da 27ª DP (Recanto das Emas), na segunda-feira (14/8).

“Esses dois suicídios em sequência acabaram se transformando em um sinal de alerta para uma deficiência que existe dentro das delegacias há muito tempo. Além da falta de efetivo, a estrutura acaba comprometendo tanto a integridade física de cidadãos quanto a dos servidores”, disse o policial.

Há duas semanas, outra tentativa de suicídio foi registrada na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Um homem, que sofria crise de abstinência por não consumir drogas enquanto estava detido, tentou se matar se jogando contra o chão de forma violenta. Ele sofreu uma série de lesões na cabeça e no rosto antes que agentes lotados na carceragem interviessem.

Sindicatos atacam
Para o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais Criminais do DF (Sindperícia), Bruno Telles, as autoridades locais não podem adotar uma estratégia de esconder mortes e tentativas de suicídio, fingindo que elas não ocorreram. 

Dezenas de suicídios acontecem nas penitenciárias do Brasil todo mês e não há como o Estado evitá-las com leis ou procedimentos. É impossível vigiar e controlar uma pessoa com tendências suicidas sem infringir uma série de direitos fundamentais. Saídas precisam ser estudas para minimizar o que está ocorrendo.” Bruno Telles, presidente do Sindiperícia

As entidades de classe da Polícia Civil afirmam ter encaminhado ofício à direção-geral da instituição há um mês, pedindo a adoção de medidas drásticas e urgentes para impedir que presos se matem nas carceragens do DF.

“A arquitetura das celas precisa de modificações a fim de impedir que as grades sejam utilizadas como suporte para enforcamento”, destaca o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Rodrigo Franco, o Gaúcho. “Sem falar que os 300 agentes policiais de custódia, que atualmente trabalham no sistema penitenciário, precisam retornar urgente para a PCDF, pois estamos com uma falta muito grande de efetivo, o que contribui para fatos como esses”, considera.

O presidente da Associação e do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Adepol e Sindepo), delegado Rafael Sampaio, confirmou que as tentativas de suicídio nas delegacias se tornaram uma triste realidade. “Também oficiamos a direção-geral pedindo providências o mais rápido possível. As celas precisam ser reformadas para, assim, evitar que as grades sejam usadas como forcas pelos presos”, disse.

O outro lado
Procurada pela reportagem, a direção-geral da Polícia Civil afirmou que está avaliando algumas medidas preventivas, como a colocação de proteção nas grades das celas, para reduzir o risco de autolesão por parte de pessoas detidas.

“A análise está sendo feita pela Divisão de Engenharia e Arquitetura da PCDF, uma vez que qualquer alteração nas instalações prediais deverá levar em conta também critérios de salubridade, ventilação e luminosidade das celas”, detalhou a instituição.

Fonte: metropoles.com

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