Apenas uma palavra de incentivo ao suicídio é suficiente a uma pessoa fragilizada, diz especialista

Apenas uma palavra de incentivo pode ser o suficiente para que uma pessoa fragilizada cometa o suicídio, segundo a psicóloga Dione Maria Mendes. De acordo com ela, a falta de sensibilidade é um fator que faz toda a diferença quando alguém passa por um momento tão difícil.

A discussão sobre o tema veio à tona depois que um adolescente de 17 anos se jogou de uma passarela na BR-116 na manhã desta terça-feira (6). A situação foi filmada por várias pessoas e a suspeita é de que algumas delas tenham cometido o crime de instigar o suicídio, ao gritarem “pula, pula” para o rapaz.

Segundo a psicóloga, esse tipo de atitude acontece porque o comportamento suicida é mal interpretado pela sociedade. “Muitos costumam ver as pessoas que têm pensamentos suicidas como manipuladoras, que fazem isso para ‘chamar a atenção’. Hoje, já temos clareza de que isso não é verdade. Quem está nessa situação não encontra outra saída e acredita que o único jeito de escapar da dor é cometer o suicídio. Elas não enxergam outras possibilidades e, por isso, estão extremamente vulneráveis”, disse ela..

Justamente devido à fragilidade emocional, quem está por perto de alguém que tem pensamentos suicidas precisa conduzir essa pessoa para tirá-la dessa situação. “Em um momento tão complicado, ela não tem forças para se colocar contra os pensamentos e ideias que as atormentam. Então, se você pega alguém sem capacidade de reagir e a estimula de forma errada, muitas vezes achando que é uma brincadeira, que você não tem esse poder de influência, isso a deixa ainda mais fragilizada e ela pode sim cometer suicídio. Essa situação só traz mais a certeza de que ela realmente está sozinha e que não vale a pena fazer nada diferente, é como se você a impulsionasse”, explicou.

O que fazer então?

De acordo com a psicóloga, apenas dizer “vá procurar ajuda” não adianta. É preciso tomar a frente e acompanhar de perto todo o caso. “É necessário encaminhar, conduzir, ir junto ao pronto-socorro, ao médico… Uma rede de amigos pode se solidarizar com os cuidados, por exemplo, e fazer uma divisão. Um dia a pessoa passa o dia na casa de um, depois na casa de outro… Precisamos entender que quem está nessa situação não tem energia para fazer nada e nós mesmos temos que tomar a iniciativa até que o indivíduo se reerga”.

Dione ainda ressaltou que o incentivo à morte é uma situação totalmente reprovável. “As pessoas que pretendem cometer suicídio não desejam morrer, elas querem sair da dor. Quando elas percebem que não há nenhum apoio do ambiente externo, elas reforçam a ideia de que não há mais o que fazer”, finalizou.

‘Sociedade do espetáculo’

Segundo o antropólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Alberto Balhana, o modo como as testemunhas agiram com a morte do adolescente de 17 anos é resultado da banalização da vida. “O suicídio virou um espetáculo. Aquelas pessoas provavelmente nunca viram uma situação como essa e queriam compartilhá-la. É uma forma de masoquismo, de observar o fato trágico e não fazer nada para evitá-lo. Há uma insensibilidade ao sofrimento alheio, a mente humana acha a violência algo natural… A revolta e a crítica viraram aceitação”, afirmou.

Precisa de ajuda?

Se você está passando por momentos difíceis, está se sentindo sozinho, ou sofre com depressão, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que fornece apoio emocional e prevenção ao suicídio por meio de telefone e chats na internet.

Quem quiser conversar com os voluntários pode ligar para o telefone 141 ou acessar o https://www.cvv.org.br/.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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