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Apesar de cheia, usinas do Madeira produzem menos

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Enquanto a maior parte do país sofre com a falta de chuvas em pleno período úmido, o rio Madeira, que abriga as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, vem registrando recordes de cheia. As duas usinas, porém, têm contribuído pouco para o Sistema Interligado Nacional, justamente em período crítico de abastecimento elétrico.

De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 13 turbinas de Santo Antônio e 15 de Jirau que deveriam ter entrado em operação até fevereiro deste ano ainda não começaram a funcionar. Juntas, essas máquinas poderiam agregar 2 mil megawatts (MW) de potência (945 MW de Santo Antônio e 1.125 MW de Jirau) ao parque gerador brasileiro. Considerando a condição atual do rio, esse volume seria suficiente para atender 2,8% do consumo de energia do país.

Como as usinas são “a fio d´água”, ou seja não possuem grande reservatório de acumulação, não é possível estocar água. Com isso, o recurso precisa ser aproveitado no exato momento em que passa pelas hidrelétricas.

Mas aí surge o segundo problema. Justamente por causa da cheia histórica do rio Madeira, o consórcio Santo Antônio Energia (SAE), responsável pela construção e operação da hidrelétrica, teve de desligar a usina, cortando a operação de cerca de 1.200 MW de potência instalada. De acordo com o consórcio, o desligamento foi provocado pelo rebaixamento do reservatório da usina, por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para evitar danos a estruturas provisórias da hidrelétrica de Jirau, localizada acima de Santo Antônio.

“Com esse rebaixamento, falta a queda mínima na barragem para permitir o funcionamento das turbinas da hidrelétrica Santo Antônio. Na prática, é necessário que haja uma diferença mínima entre o nível do rio acima da barragem e abaixo dela, o que não ocorre, neste momento, em função do citado rebaixamento do reservatório”, informou o consórcio, em comunicado.

O SAE – formado por Furnas (39%), Caixa FIP Amazônia Energia (20%), Odebrecht Energia (18,6%), Andrade Gutierrez (12,4%) e Cemig (10%) – afirmou que o desligamento da hidrelétrica tem causa “exclusivamente técnica”. O grupo disse ainda que “não há comprometimento no fornecimento de energia“, já que o volume que seria produzido será compensado e disponibilizado por outras usinas. Procurado pelo Valor, o consórcio não informou quantas turbinas estavam em operação. Em dezembro, porém, a usina contava com 16 máquinas.

Victor Paranhos, diretor-presidente da Energia Sustentável do Brasil (ESBR), consórcio responsável pela operação e construção de Jirau, rebateu as informações do SAE. “A nota deles não está correta. Eles não estão seguindo a regra”, disse o executivo, alegando que Santo Antônio estava operando acima da cota estabelecida. “O alagamento na comunidade de Jaci é culpa exclusiva deles”, disse Paranhos.

O executivo explicou que, por causa do desligamento da usina, o linhão que transporta a energia das duas hidrelétricas de Porto Velho (RO) a Araraquara (SP) também foi desativado. A linha, de mais de 2 mil km de extensão, só pode operar quando há pelo menos 11 turbinas em operação. Sem as máquinas de Santo Antônio, apenas 6 unidades de Jirau estão produzindo energia.

“Hoje, toda a energia de Jirau está indo para Acre, Rondônia e norte de Mato Grosso”, afirmou Paranhos. Segundo o executivo, das seis máquinas em funcionamento de Jirau, quatro estão em operação comercial e duas estão em fase de testes.

Nesta semana, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negou recurso da ESBR contra uma decisão da autarquia de dezembro de 2013. Na ocasião, a Aneel reviu uma decisão anterior que condicionava a elevação da cota operativa de Santo Antônio ao repasse de 24,3 MW médios de energia firme do rio Madeira para a ESBR. O ESBR é formado por GDF Suez (40%), Eletrosul (20%), Chesf (20%) e Mitsui (20%).
Rodrigo Polito e Marta Nogueira
Fonte: Valor Econômico

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