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Após polêmica com tornozeleira cedida a Loures, superintendente de Administração Penitenciária de Goiás é exonerado

O superintendente de Administração Penitenciária do Estado de Goiás, coronel Victor Dragalzew, foi exonerado do cargo, conforme Diário Oficial do estado publicado na segunda-feira (24). Segundo o texto, medida foi tomada a pedido do próprio superintendente. Saída ocorre após polêmica por suspeita de privilégio ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, que recebeu tornozeleira eletrônica cedida por Goiás.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) informou ao G1 que ainda não há um sucessor. O órgão não soube informar quem responde pela Superintendência de Administração Penitenciária (Seap) por enquanto ou quando será nomeado substituo para o cargo.

G1 e a TV Anhanguera tentam contato com o coronel, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

Polêmica

Loures recebeu a tornozeleira, em Goiânia, no último dia 1º de julho.Dias depois, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) abriu inquérito para apurar se o ex-deputado foi privilegiado ao receber o equipamento, já que, conforme o órgão, há falta de aparelhos de monitoramento no estado.

O órgão chegou a pedir busca e apreensão da tornozeleira usada por Loures no último dia 13 de julho. A solicitação foi negada pelo juiz Reinaldo Alves Ferreira um dia depois. Já no dia 20 do mesmo mês, o MP requisitou que a Justiça reconsiderasse a decisão.

Coronel Victor Dragalzew é exonerado do cargo de sueprintendente da Seap (Foto: Reprodução)

O promotor Fernando Krebs chegou a ouvir o coronel Dragalzew para esclarecer como foi feito o pedido da tornozeleira a Goiás. Na ocasião, o coronel declarou apenas que, “se houver irregularidade no empréstimo, a gente vai desfazer”. Porém, o MP-GO liberou o teor da declaração. Segundo o documento, Dragalzew disse que não sabia quem receberia o equipamento.

O então superintendente já havia explicado que o pedido da tornozeleira foi feito pelo Departamento Nacional Penitenciário (Depen) e que Loures não furou fila ao receber o equipamento. Na ocasião, ele também afirmou que não faltavam aparelhos de monitoramento de presos em Goiás.

Krebs já havia enviado ofício à Procuradoria Geral da República (PGR) para informar sobre o inquérito instaurado. No documento, ele expressa sua suspeita de que Rocha Loures não estivesse sendo monitorado. A SSPAP rebateu informando que o ex-deputado está sim sendo vigiado por meio de satélites, assim como todos os demais presos.

Diante da polêmica pela cessão do equipamento a Rocha Loures, a SSPAP encaminhou ofício à Polícia Federal e ao Depen pedindo que os órgãos se responsabilizem pela cessão da tornozoleira.

O documento é assinado pelo secretário de Segurança Pública de Goiás, Ricardo Balestreri e endereçado ao diretor geral da PF, Daiello Coimbra, e ao diretor geral do Depen, Marco Antônio Severo Silva.

Rocha Loures

O ex-deputado estava preso desde o dia 3 de junho, quando foi flagrado pela PF recebendo uma mala, em São Paulo, com R$ 500 mil que, segundo delatores da JBS, eram dinheiro de propina.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin mandou soltá-lo, mediante o monitoramento, mas a Polícia Federal disse não ter o dispositivo disponível. Por isso, o equipamento foi cedido por Goiás.

Após Rocha Loures deixar a Polícia Federal, o advogado dele, Cezar Bitencourt, disse à TV Globo que “foi feita justiça” porque, na visão da defesa, não havia necessidade da prisão.

Pela decisão do ministro Edson Fachin, Rocha Loures:

  • Deverá permanecer em casa à noite (das 20h às 6h), nos finais de semana e em feriados, fiscalizado por monitoramento eletrônico (tornozeleira);
  • Não poderá ter contato com qualquer investigado, réu ou testemunha relacionados aos atos pelos quais responde;
  • Está proibido de deixar o país e deverá entregar o passaporte;
  • Terá de comparecer em juízo sempre que requisitado para informar e justificar suas atividades, mantendo informado o endereço no qual poderá ser encontrado

Na decisão que mandou soltar Rocha Loures, o ministro Fachin considerou que não há risco de “reiteração delitiva” por parte do ex-deputado “em face do transcurso de lapso temporal e das alterações no panorama processual”.

Fonte: g1.com

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