fbpx
Articuladores de Temer contabilizam 360 votos a favor do impeachment

Movimentos do PP e do PSD enfraqueceram apoio a Dilma

Na manhã desta quinta-feira, é fato que já tenha se constituído na Câmara uma maioria pró-impeachment. Nas contas mais pessimistas, os articuladores políticos da oposição e do vice-presidente Michel Temer contabilizam entre 350 e 360 votos a favor do impedimento.

Há uma previsão política da oposição de que, no dia da votação, no domingo, possa obter o apoio de cerca de 380 deputados devido ao efeito político desse clima de já ganhou.

Por isso, Temer tem recebido deputados pessoalmente e amarrado os apoios. A margem de segurança hoje ainda é pequena. Mas, se prevalecer a ideia de que o jogo já está jogado, essa margem tenderia a crescer.

Do lado do governo, há um sentimento de desânimo. A terça e a quarta-feira foram péssimas para a presidente Dilma Rousseff, mas expuseram mais claramente a posição individual de deputados.

Alguns parlamentares que antes eram aliados de Dilma revelaram a mudança de posição, a fim de responder à cobrança de eleitores que desejam a queda da presidente. Isso dá ao governo um mapa mais realista sobre o qual ainda poderá trabalhar até a votação de domingo.

Ou seja, o ex-presidente Lula tentará reverter esse quadro. Pretende fortalecer aqueles poucos no PP, no PSD, no PR, no PSB, no PMDB e nos pequenos partidos que ainda estão ao lado do governo. E procurar deputados que estavam até o início desta semana com Dilma e passaram a apoiar o impeachment.

Em resumo: hoje, a Câmara aprovaria a abertura do processo de impeachment contra a presidente, mas os articuladores de Dilma e Temer continuarão na luta por votos e irão nesse ritmo até domingo.

Para Temer, quanto maior a vitória, mais chance de viabilizar e legitimar seu eventual governo. Para Dilma, agora, importa apenas sobreviver.

*

Fora de hora

Ao se dizer carta fora do baralho, a presidente tira credibilidade da proposta de diálogo e reconhece a virtual derrota. Em entrevista ontem, Dilma lançou a ideia de dialogar com todas as forças políticas e econômicas, mas disse que, na hipótese de perder a votação na Câmara no domingo, estaria “fora do baralho”.

Se fosse sincera a proposta de dialogar sem levar em conta vencedores e vencidos, ela teria de aceitar participar do pacto na hipótese de o impeachment ser aprovado. Propor diálogo apenas no caso de vencer não soa verdadeiro.

Fazia tempo que a presidente era pressionada por ministros a propor um pacto com setores da oposição. Havia a ideia de chamar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para uma conversa, ver se o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) aceitaria tomar um café, propor uma reunião com a ex-ministra Marina Silva, da Rede.

Essas sugestões foram feitas ao longo de 2015. Logo após a vitória eleitoral em 2014, numa entrevista ao SBT, ela disse que poderia dialogar com Aécio e Marina. O fato é que ela nunca quis isso. Falou agora como uma última cartada, numa sinalização de que, se sobreviver ao impeachment, governaria de um modo diferente.

Essa ideia de pacto vai entrar para a série de medidas que a presidente decidiu propor quando tal saída já era tarde demais. Ou seja, mais uma vez errou ao desprezar uma sugestão correta e que poderia ter evitado que ela chegasse à situação de hoje, na qual a tendência é a queda do poder.

As informações são do Blog do Kennedy Alencar

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Deixe uma resposta