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A artista que Brad Pitt deixou na bancarrota

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Ator foi condenado a indenizar Odile Soudant por não ter pago projeto feito por ela em sua mansão

Odile Soudant está “vivendo no inferno” há três anos, mas agora volta a respirar. Essa artista francesa de 49 anos acaba de ganhar um longo processo contra Brad Pitt, condenado pela Justiça a pagar 565.000 euros (2,1 milhões de reais) de indenização por uma longa série de faturas não pagas, que acabaram provocando a quebra de sua empresa. A decisão judicial foi tomada em abril, mas foi mantida em segredo até poucos dias atrás, por causa de um estrito contrato de confidencialidade assinado por Soudant. Uma decisão satisfatória, mas insuficiente para reparar os danos. “Esse dinheiro não cobre as perdas que sofremos: a sede da empresa, os colaboradores despedidos, minha reputação pessoal e o reconhecimento da autoria do projeto”, denuncia Soudant em seu espaçoso apartamento no bairro parisiense de Pigalle, enquanto toca um disco em vinil de Nina Simone.

No final de 2010, Pitt propôs a Soudant que fizesse um projeto para quatro dos edifícios de seu château em Miraval, a mansão provençal que o ator adquiriu por 45 milhões de euros (169,6 milhões de reais) juntamente com Angelina Joliequando ainda eram casados. A ideia era irrigar de luz natural a parte residencial dessa extensa propriedade, de centenas de hectares. “Aceitei porque nos entendemos desde o começo. Os dois eram amáveis e normais. Se tivessem me pedido que iluminasse a piscina de azul e as árvores de verde, não teria aceitado. Nunca vendi minha alma ao diabo. Meu objetivo nunca foi ganhar dinheiro”, explica Soudant, especializada em instalações luminosas e conhecida na França por suas colaborações com o arquiteto Jean Nouvel, de quem o ator é um grande admirador (uma de suas filhas se chama Shiloh Nouvel). Entre seus projetos estão a iluminação do Parque de Poblenou e da cervejaria Moritz, ambos em Barcelona, além de outras intervenções em colaboração com artistas como Anish Kapoor e Anselm Kiefer.

As reformas começaram em 2011, conduzidas por uma equipe de 17 pessoas que incluía arquitetos, designers, especialistas em acústica e até um engenheiro em física óptica, que definiu os ângulos necessários para conduzir a luz natural para os interiores. As obras transcorreram “sem nenhum problema”, segundo a versão de Soudant, até o final de 2013, quando Pitt recebeu uma estimativa dos custos acumulados. Segundo um email enviado por um de seus assistentes, o total de custos chegava a 25 milhões de euros (94,2 milhões de reais). Soudant, por sua vez, teria faturado 4,9 milhões de euros (18,4 milhões de reais), uma soma que o ator considerou “criminosa”. Durante o julgamento, porém, ficou demonstrado que a cifra real era inferior e que os atrasos não eram responsabilidade de Soudant. “Por que lhe deram uma cifra falsa? E por que ele decidiu acreditar nela? Ninguém entendeu isso ainda”, afirma a artista.

Desde aquele momento, o ator deixou de fazer os pagamentos mensais a Soudant, que em pouco tempo ficou sem condições de remunerar seus empregados e fornecedores. As dívidas se amontoaram e seus cartões de crédito foram bloqueados. “As pessoas achavam que eu era uma ladra. Sobrevivi graças a amigos que me traziam comida”, recorda. Em 2014, Pitt decidiu retirá-la do projeto e contratou uma das colaboradoras de Soudant para que terminasse a obra. A artista levou então o caso à Justiça. Depois desta primeira vitória, continua pendente um segundo processo sobre a propriedade intelectual da obra, cuja resolução deveria ser iminente. Soudant afirma ser a autora do projeto artístico e, por isso, o resultado final poderia ser considerado uma cópia ilegal punível pela lei.

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