Astro do filme “Os Goonies” revela ter sido molestado e que outro ator, Corey Haim foi estuprado

Ex-ator mirim sobre pedofilia em Hollywood: ‘Fui molestado por várias pessoas’

Uma entrevista recente do ator Elijah Wood ao jornal britânico Sunday Times voltou a colocar em pauta o tema da pedofilia em Hollywood. Apesar de não ter conhecimento de nenhum caso concreto e de o ator nunca ter sido vítima de nenhum tipo de abuso, Wood afirmou que nessa indústria há muitas “víboras” que se aproveitam de crianças inocentes e que procuram a fama.

Outro ex-ator mirim, porém, não teve a mesma sorte que o protagonista de O Senhor dos Anéis. Em entrevista ao site da revista The Hollywood Reporter, o americano Corey Feldman, estrela de filmes como Os Goonies (1985) e Os Garotos Perdidos (1987), detalhou como ele, seu melhor amigo de infância, Corey Haim, e outros atores foram molestados e até estuprados por profissionais de Hollywood na infância.

De acordo com Feldman, o canadense Corey Haim, que também começou a carreira de ator quando criança, sofreu muito mais do que ele na mão de pedófilos. “Ele sofreu abusos mais diretamente do que eu. Eu fui molestado, e por várias pessoas, mas Cory foi realmente estuprado, enquanto o que aconteceu comigo não foi estupro de fato. Isso aconteceu com ele quando ele tinha 11 anos. Meu filho tem 11 anos agora e eu não consigo nem começar a imaginar algo assim acontecendo com ele. Isso o destruiria”, afirmou. Haim morreu em 2010, aos 38 anos, após anos de vício em drogas. “Claro que ele era errático e se comportava mal nos sets de gravação. O que mais nós poderíamos esperar dele?”

Questionado sobre o cargo dos molestadores, Feldman afirmou que não poderia citar nomes porque poderia ser processado. Ele disse, porém, que um dos homens que abusou dele quando criança ainda está trabalhando em Hollywood, e é um nome conhecido na indústria. O ator também contou sobre grandes festas que acabavam se tornando os locais onde adultos se aproximavam de crianças. “Esse era o lugar onde as crianças conheciam os adultos e eles pegavam os números de telefone delas. Depois eles ligavam para as mães delas e diziam: ‘Ei, eu quero levar o Corey para um evento, vai ser ótimo para ele, deixe-me passar aí e levá-lo’”, disse. De acordo com Feldman, esses homens faziam parte de um grupo. “Acredito que o estuprador de Haim estava ligado a algo maior e é provavelmente por isso que ele se manteve protegido por todos esses anos. Essa pessoa intimida e ameaça para fazer com que os outros fiquem quietos. Todos esses homens são amigos.”

Corey Haim, morto em 2010 por uso de drogas, teria sido estuprado quando criança por produtores

Feldman falou sobre sua família, que não o protegeu quando criança. “Um dos caras, o principal cara que me molestou, era empregado do meu pai. Ele o contratou e esse homem me coagiu a experimentar todas as drogas que eu já experimentei na minha vida. (…) Ele era meu assistente, meu motorista, meu acompanhante, e também basicamente meu guardião. (…) Meus pais eram muito abusivos e egoístas e estavam mais interessados no que estava acontecendo com eles do que naquilo que estava acontecendo na minha vida.”

O ator, que foi amigo de Michael Jackson, também comentou, de passagem, as acusações que perseguiram o cantor até o fim de sua vida de que ele molestava crianças. “Isso está no meu livro e eu preferia que as pessoas lessem meu livro (o livro de memórias Coreyography: A Memoir). Mas ele era um amigo e nosso relacionamento não terminou bem. Tivemos um problema e isso aconteceu porque havia um lado obscuro na personalidade dele. Mas esse lado obscuro não está de nenhuma forma conectado à pedofilia, pelo que eu sei.” Questionado se o cantor havia demonstrado comportamento inapropriado com o ator ou com outra criança, ele respondeu: “Não que eu saiba”.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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