Atletismo da Rússia fica fora dos Jogos do Rio

Corte reforça punição da Federação Internacional, e russos não poderão participar  da Olimpíada. Isinbayeva desabafa: “Obrigado por terem enterrado o atletismo”

A Rússia não terá representantes no atletismo dos Jogos do Rio. Através de um comunicado oficial, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) anunciou na manhã desta quinta-feira seu veto ao pedido do Comitê Olímpico do país (ROC) para permitir a participação de 68 nomes, entre eles o da bicampeã olímpica Yelena Isinbayeva, nas mais diversas provas da modalidade. O parágrafo que abre a nota fala em “atletas inelegíveis”. Contudo, a Corte não tem o poder de proibir a participação dos mesmos como independentes. Essa decisão é de responsabilidade do Comitê Olímpico Internacional (COI), que vai decidir até o fim desta semana a proibição ou não de toda a delegação da Rússia na Olimpíada.

Em seguida, foi a vez da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) se pronunciar e agradecer o apoio da CAS. Em nota, seu presidente Sebastian Coe diz estar muito satisfeito em conseguir proteger o esporte e espera o retorno mais rápido possível do país às competições. Apesar de estamos gratos que as nossas regras e o nosso poder para defender as nossas regras e o código antidoping foram apoiados, este não é um dia para declarações triunfantes. Eu não vim para este esporte para impedir atletas de competir. O nosso desejo instintivo como federação é incluir e não excluir. A IAAF vai continuar trabalhando com a Rússia para estabelecer um ambiente limpo e seguro para os seus atletas de modo que sua federação e equipe possam voltar para a competição internacional.

O presidente da Federação de Atletismo da Rússia (Araf), Dmitry Shlyakhtin, disse momentos depois da sentença que sua entidade fez tudo o que era possível para garantir os atletas aptos a participarem dos Jogos Olímpicos.

CRONOLOGIA DO CASO

A corredora russa Yulia Stepanova e seu marido, Vitaly Stepanov, ex-oficial da Agência Antidoping Russa (Rusada), foram os delatores que tornaram possível a reunião de evidências que provassem a dimensão do esquema para burlar o controle antidoping do atletismo do país. Após fornecer documentos e conceder entrevista à rede alemã ARD, que tornou as denúncias públicas, a atleta foi considerada “traidora” na Rússia e mudou-se para o exterior. A Agência Mundial Antidoping (Wada) a classificou como “corajosa” pelos riscos que assumiu ao expor a fraude, e o Comitê Olímpico Internacional (COI) a liberou para competir no Rio com a bandeira de atleta neutra.

No dia 13 de Novembro de 2015, a IAAF suspendeu a Federação de Atletismo da Rússia como membro da entidade. A punição foi confirmada em 26 de novembro e novamente no dia 17 de junho de 2016. O Comitê Olímpico russo entrou com um pedido junto ao CAS, no dia 3 de julho, para a liberação de atletas que não haviam violado nenhuma regra antidoping.

No último dia 15 de julho, 67 atletas do país entraram com um recurso contra a decisão da IAAF de negar os pedidos dos mesmos competir como atletas neutros. Apenas uma ganhou sinal verde da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Foi o caso da saltadora Darya Klishina, que treina nos Estados Unidos e poderá competir no Rio como atleta neutra, sem a bandeira da Rússia. Delatora do escândalo de doping que culminou na suspensão, Yulia Stepanova também poderá competir nas mesmas circunstâncias.

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