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Autoridades encerram buscas por brasileiros sumidos nas Bahamas; PF em RO segue atrás de coiotes

Entre os desaparecidos, estão pessoas naturais de Minas Gerais, Rondônia, Pará e Tocantins

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No início de dezembro, foram encerradas as buscas pelo paradeiro dos 19 imigrantes que desapareceram nas Bahamas em novembro de 2016. O grupo, formado por brasileiros, dominicanos e cubanos, sumiu depois da tentativa marítima clandestina de chegar ao litoral dos Estados Unidos, precisamente no estado da Flórida. Um ano depois, as buscas não obtiveram sucesso. As informações são da Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br).

Durante a audiência pública realizada na terça-feira (5) na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a Ministra Maria Luíza da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, informou que a conclusão das investigações depende das autoridades estrangeiras e que, num determinado momento, também suspenderão as buscas.

“Nosso trabalho é de apoio, de suporte, não é direto. Esse é o grande desafio que nós temos, porque muitas vezes as investigações vão depender de órgãos estrangeiros”, disse Silva.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que todos os instrumentos diplomáticos e legais foram acionados na busca pelo paradeiro dos brasileiros e que o órgão não é responsável por determinar unilateralmente o encerramento das investigações criminais, as quais são realizadas por um grupo de instituições.

No último setembro, uma comitiva de deputados viajou às Bahamas em busca da obtenção de mais informações sobre o caso, entretanto, a missão não obteve sucesso. Os parlamentares não encontraram informações diferentes daquelas já divulgadas, ou seja, a possibilidade de ter havido um naufrágio. O mar do Caribe é conhecido internacionalmente pelas águas cristalinas, quentes, mas também agitadas e infestadas de tubarões. As autoridades na região informaram aos políticos brasileiros que não foram encontrados indícios de detenção irregular, latrocínio (roubo seguido de homicídio) ou qualquer outro tipo de crime cometido contra os desaparecidos. Entretanto, as autoridades locais não indicaram nenhum esforço em investigar os “coiotes” (traficantes de pessoas) que agem na região.

Raphael Baggio de Luca, delegado da Polícia Federal (PF) responsável pela operação, disse na audiência de terça-feira (5) que a PF em Rondônia continua com as investigações em buscas de provas relacionadas aos coiotes que agem no Brasil. Além disso, a PF focaliza os outros crimes ligados ao desaparecimento dos brasileiros, como estelionato e organização criminosa (formação de quadrilha).

Raphael fez um apelo para que as pessoas não participem nesse tipo de travessia devido aos grandes riscos envolvidos. O delegado frisou que, mesmo depois da repercussão internacional do caso, ainda existem pessoas dispostas a seguir a mesma rota trilhada pelos desaparecidos na tentativa de entrar clandestinamente nos EUA.

Entre os brasileiros desaparecidos, estão pessoas naturais de Minas Gerais, Rondônia, Pará e Tocantins. Diversos parentes dos desaparecidos também participaram da audiência em Brasília (DF), entre eles a mãe de um jovem de Goiânia (GO), que está desaparecido desde agosto desse ano, após ingressar em outro grupo que tentava realizar a travessia clandestina pelas Bahamas. Idalina Alves Souza de Jesus relatou que o filho Maikon Eder Alves de Jesus, de 23 anos, contatou a família em 3 de agosto. Na ocasião, ele relatou que ele e mais 6 imigrantes embarcariam em breve rumo a Miami (FL). O jovem tomou a decisão de entrar clandestinamente nos EUA para trabalhar, após ter tido o pedido do visto de turista negado 2 vezes. Ele contratou um coiote em Minas Gerais.

Os parentes de Maikon contataram o Setor Consular do Itamaraty somente no final de setembro. Idalira, bastante emocionada, disse que o filho não tinha conhecimento do caso dos 19 desaparecidos nas Bahamas em novembro de 2016. O jovem dizia que o único risco da viagem era o de ser detido pela Guarda Costeira e deportado. Há 4 meses sem notícias do filho, Idalira demonstrou esperança em encontra-lo.

“Eu sei que vou encontrar o meu filho com vida”, disse ela.

BrazilianVoice

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