Avó que torturou o neto em ritual de magia negra volta para a prisão

Ela havia obtido a liberdade provisória em agosto do ano passado

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) cassou a liberdade provisória que havia sido concedida a avó adotiva do menino que foi vítima de tortura em rituais de magia negra em Campo Grande, e ela foi presa novamente.

O tribunal deu provimento ao recurso do Ministério Público Estadual (MP-MS). Ela ficou quase seis meses na prisão antes de ser colocada em liberdade em agosto de 2016, quando o juiz da 7ª Vara Criminal, entendendo que não existiam requisitos para manter a prisão preventiva, resolveu revogá-la.

Diante da decisão, o promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida, interpôs recurso. A Procuradoria de Justiça opinou pelo provimento, salientando a necessidade da prisão preventiva.

Em sessão realizada na última semana de janeiro, a 3ª Câmara Criminal do TJ-MS, por unanimidade, acolheu o  recurso e decretou a prisão preventiva da acusada, que poucos dias depois foi cumprida.

A mulher é avó materna do menino, que na época da descoberta da tortura tinha pouco mais de quatro anos. Para a polícia ela participou junto com a filha, o marido dela e os primos das sessões de tortura contra o menino.

Na época da prisão, ela negou que soubesse das agressões e tortura durante rituais de magia negra.

Segundo o TJ-MS, o processo ainda não foi julgado, mas todos os depoimentos já foram tomados. A Justiça aguarda agora o encaminhamento de um laudo pericial e a apreciação do juiz responsável pelo caso de alguns pedidos feitos pelo MP-MS.

Entenda o caso
Quatro pessoas foram presas na época por envolvimento nas agressões e tortura, descobertas em visita surpresa da equipe do abrigo onde o menino vivia.

Ele foi internado na Santa Casa da capital no dia 23 de fevereiro, com queimaduras no rosto, fratura em um dos braços, ferimentos nos olhos e saco escrotal. No hospital, a tia-avó justificou os ferimentos dizendo que a criança havia caído.

O caso foi denunciado pelo hospital e chocou profissionais das polícias militar e civil, Conselho Tutelar e médicos. Os tios-avós foram presos e confessaram a tortura em rituais de magia negra.

Eles tinham a guarda-provisória da criança e afirmaram que as agressões ocorriam também fora dos rituais de magia negra. Os nomes dos tios-avós não serão divulgados nesta reportagem para garantir os direitos de proteção da criança.

Família
O homem preso é irmão da avó paterna biológica do menino. Ele e a esposa teriam sido os familiares mais próximos interessados na guarda da criança, depois que a avó paterna devolveu a criança à Justiça alegando que não tinha condições de cuidá-la.

Segundo a polícia, os pais biológicos do menino são usuários de droga e o abandonaram. Em depoimento, a tia-avó contou que quis adotar a criança com intenção de utilizá-la em rituais de sacrifício.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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