Banco Central reduz projeção do PIB para 0,7% e vê inflação em 6,3% em 2014

As projeções do Banco Central para a economia tornaram-se mais pessimistas, segundo o Relatório de Inflação divulgado nesta segunda-feira, 29. Novas previsões do BC mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do País deve fechar
com uma expansão de 0,7% no último ano do governo Dilma Rousseff. No relatório de junho, o BC projetava um expansão de 1,6% de alta do PIB este ano.

A projeção caiu para menos da metade. A projeção do BC é menos otimista do que a do Ministério da Fazenda, que estima uma alta do PIB de 0,9% em 2014, no relatório de avaliação de despesas e receitas do Orçamento. No primeiro ano do seu governo, em 2011, a presidente conseguiu um crescimento de 2,7% e, no segundo, de apenas 0,9%. No ano passado, a economia teve uma alta de 2,3%.

O BC também projetou um crescimento de 1,2% até o segundo trimestre de 2015. A pesquisa Focus, que coleta previsões dos analistas do mercado financeiro, projeta um crescimento de 0,29% neste ano e de 1,01% em 2015.

Inflação. Em relação a inflação, a presidente vai entregar o seu governo com um IPCA mais alto do que a deixada pelo seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Segundo o relatório, o IPCA fechará o ano em 6,3%, bem acima do centro da meta de inflação de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A nova estimativa apresenta um ligeiro recuo em relação a projeção de 6,4% que constava no relatório de inflação divulgado em junho. A projeção leva em conta o cenário de referência traçado pelo BC para a definição da política monetária, No último ano do governo Lula, em 2010, o IPCA foi de 5,91%. A inflação no ano passado subiu também 5,91%, ante 5,84% em 2012. No primeiro ano do governo Dilma, em 2011, o IPCA fecho no teto da meta, em 6,50%.
No cenário de mercado, a projeção do Banco Central para a inflação ao final deste ano recuou ante a anterior e ficou em 6,3%. Ou seja, em ambos os cenários, de mercado e o de referência, a projeção fica apenas 0,2 ponto porcentual abaixo do teto da meta de 6,5%.

Pelos dados do Relatório Trimestral de Inflação, no cenário de referência, a chances de o IPCA ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância da meta recuou de 46% para 37%. Para 2015, essa probabilidade passou de 30% para 31%. No cenário de mercado, a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2014 subiu de 48% para 37%. Para 2015, também apresentou avanço, de 38% para 39%.

Investimento. Apesar da promessa da presidente Dilma Rousseff de acelerar o crescimento no País durante o seu governo, os investimentos no País devem fechar o ano com uma queda de 6,5% em 2014. A projeção da chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos, recuou de -2,4% para -6,5%. Se confirmada a estimativa do BC, o ritmo de alta dos investimentos vai despencar em 2014, já que em 2013 o crescimento da FCBF foi de 6,3%. A desaceleração dos investimentos está contribuindo para o baixo crescimento do País. Até o segundo trimestre de 2015, a taxa da FBCF deve apresentar uma queda de 2,4% ,segundo o BC.

O BC reduziu de 2% para 1,6 % a projeção de alta do consumo das famílias este ano. A estimativa de alta do consumo do governo caiu de 2,1% para 1,7%. Até o segundo trimestre do ano que vem, o BC projeta uma alta de 1,2 do consumo do
governo e de 1,6% do consumo das famílias.

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