Bastante conhecido entre alunos, Baleia Azul pode ter feito mais uma vítima

No Brasil há pelo menos 13 grupos fechados do Baleia Azul no Facebook, com mais de 59 mil pessoas

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga mais um possível suicídio que pode ter relação com o jogo Baleia Azul. Alexandre Assis Ramos dos Reis, de 16 anos, foi encontrado morto no último final de semana em casa, no Bairro Ribeiro de Abreu, Região Nordeste da capital. O adolescente, que se enforcou, teria postado no Facebook que a culpa era do “desafio da Baleia Azul”.

Na semana passada, o pedreiro Gabriel Antônio dos Santos, de 19 anos, foi encontrado morto em Pará de Minas, na Região Central de Minas Gerais. Ele ingeriu 80 cápsulas de um comprimido controlado. Segundo parentes, a motivação seria a última etapa do jogo.

A Itatiaia acompanha os casos, as investigações e também aborda a polêmica sobre o game com estudantes de BH. Todos conhecem o jogo mortal. “Sei que é um jogo de desafio e que o último desafio é o cara cometer suicídio. Idiotice”, diz o aluno Gabriel. “É um jogo sem sentido. Não tem um desafio final que valha a pena você se matar”, diz Henrique, colega de Gabriel.

Já a estudante Milena diz ter pesquisado sobre o game mortal. “Li (as regras) e achei realmente aterrorizante. Mexe muito com o psicológico da pessoa quando começa a jogar aquilo”, observou.

Tatuagem e depressão 

A reportagem da Itatiaia conversou com o pai de Alexandre Assis. Muito abalado e cansado, preferiu não querer gravar entrevista. Ele é taxista e contou que recentemente o filho havia terminado um namoro, o que pode ter contribuído para uma depressão. O pai disse ainda ter visto um desenho de baleia no corpo do filho.

Uma tia do adolescente, que também preferiu não gravar entrevista, contou à Itatiaia que o sobrinho deixou uma carta para a família dizendo que não queria que o caso fosse explorado na imprensa.

O jogo 

Criado na Rússia, onde teria provocado a morte de 130 pessoas, o jogo macabro deixa pais de adolescentes e de crianças em alerta total. O game mortal funciona em grupos fechados na internet. Após ser aceito, o jogador recebe do seu tutor virtual uma série de desafios a serem cumpridos, sendo que o último deles é tirar a própria vida. Outras tarefas incluem tatuar a figura de uma baleia com uma faca e passar um dia inteiro sem dormir assistindo filmes de terror.

No Brasil há pelo menos 13 grupos fechados do Baleia Azul no Facebook, com mais de 59 mil pessoas.Na internet, há vários alertas sobre o jogo mortal e explicações de como ele funciona. Veja como são descritas algumas etapas do game.

1- Assistir filmes de terror e psicodélicos de madrugada, mas não é qualquer filme, o curador do jogo que indicará qual será, ele fará perguntas sobre as cenas, para saber se realmente você assistiu ao filme.

2- Cortar o braço com uma lâmina, “3 cortes grandes” mas é preciso ser sobre as veias e o corte não precisa ser muito profundo, envie a foto para o curador, e seguirá para o próximo nível.

3- Desenhar uma baleia azul e enviar a foto para o curador comprovando  tarefa.

4- Acordar 4h20 da manhã e subir em um telhado, quanto mais alto melhor.

5- Se você estiver pronto para se tornar uma baleia escreva “SIM” em sua perna. Se não, corte-se muitas vezes “Castigue-se”.

6- Encontrar outra baleia azul, “outro participante”, o curador indicará na oportunidade.

7- Ouvir as músicas que os “curadores” enviar a você.

8- Procurar um telhado mais alto, e fique na borda por algum tempo.

9- Subir em uma ponte e sentar-se na borda por algum tempo.

10- Pendure-se novamente em um telhado alto, e apoie-se na borda com as pernas penduradas.

11- Não falar com ninguém o dia todo.

12- Fazer um voto de que você é realmente uma Baleia Azul

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Participe do debate. Deixe seu comentário