Bombeiros comemoram prisão e aniversário de Cabral na porta da cadeia

Cabral não teve direito a visitas ou recebimento de alimentos, como um bolo, no dia do aniversário.

O aniversário do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) não passou em branco. Com um espumante de R$ 8,50, um grupo de bombeiros revoltados com a crise do estado comemorou na porta do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste, os 54 anos do político que está preso.

— Jamais deixaria passar em branco o aniversário dele. Tinha bolo, vela, guaraná e espumante que eu comprei no supermercado. Não é daqueles que ele estava acostumado a tomar, mas deu para fazer uma brincadeira — contou Valdelei Duarte, presidente da associação SOS Bombeiros.

Cabral não teve direito a visitas ou recebimento de alimentos, como um bolo, no dia do aniversário. Só os familiares de outros presos que estavam esperando para a visita na porta do complexo penitenciário em Bangu tiveram o direito a um bolinho: os bombeiros dividiram a sobremesa entre os presentes, cantaram parabéns e soltaram fogos.

— Faço questão de estar presente na hora que ele for condenado. Quando o juiz bater o martelo, vou para a rua soltar fogos. O Sérgio Cabral chamou a gente de irresponsável e vândalo. Agora o Rio está vendo quem é o irresponsável e vândalo — defendeu Duarte.

Para quem não lembra, um dos momentos mais difíceis enfrentados por Cabral ocorreu em 2011, quando uma greve dos bombeiros se transformou numa crise e o então governador determinou que a Secretaria de Segurança prendesse os bombeiros em Bangu 1.

O ex-governador está na penitenciária Pedro Werling de Oliveira e só pode receber parentes e amigos na quarta ou sábado. Sucessor e aliado de Cabral, Luiz Fernando Pezão (PMDB), se disse, de acordo com o portal G1, chateado a interlocutores do governo por conta da data diante de tal situação.

A cela de Sérgio Cabral tem uma televisão e um ventilador. De acordo com a Lei de Execuções Penais, o preso tem direito a receber um rádio de pilha, um ventilador de até 30 centímetros e uma televisão de 16 polegadas — o menor tamanho do mercado.

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17) na Operação Calicute. A ação investiga um suposto esquema de cobrança de propina em obras durante a gestão Cabral, que funcionou entre 2007 e 2014.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Cabral cobrava propina de empreiteiras para fechar os contratos com o governo do Rio. As construtoras, por sua vez, se consorciaram para fraudar licitações e sabiam previamente quem iria ganhar as concorrências.

Os investigadores dizem que 5% do valor do contrato ia para Cabral e 1% para a Secretaria de Obras. Cabral recebia das empreiteiras “mesadas” entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. O esquema envolveria ex-secretários de Cabral e assessores. A Calicute é um desdobramento da Operação Lava Jato e teve como base as delações premiadas do ex-dono da Delta Engenharia Fernando Cavendish, da empreiteira Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia – que afirmam terem pagado propina por obras como a do Maracanã, do PAC das Favelas e do Arco Metropolitano.

Fonte: extra.globo

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