Bombeiros se recusam a atender ocorrência de incêndio, alegando “falta de caminhão”

Sinistro aconteceu na última sexta-feira, 12, e prejuízos já chegam perto de R$ 1 milhão

Na última sexta-feira, 12, um incêndio ocorrido na Cooperativa Coopereca colocou em xeque todo o argumento do governo do Estado em relação a “investimentos no Corpo de Bombeiros” e expôs a precariedade do órgão, e principalmente, a total inapetência em atender a população. As cerca de 350 famílias, que vivem do que produzem na cooperativa, que fica na BR-364, Km 1071, Distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho, ainda continuam contabilizando os prejuízos causados pelo incêndio.

O Projeto RECA como é conhecido, significa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado e é desenvolvido por pequenos agricultores que tiram da floresta, em regime cooperativista, alimentos típicos da Amazônia e preservam o meio ambiente. O RECA tem dado tão certo que já recebeu vários prêmios nacionais e internacionais de preservação ambiental.

O incêndio deixou um prejuízo, até o momento, calculado em cerca de R$ 1 milhão. Segundo a cooperada Cássia Lane Brito Camelo, que também atua no Departamento Administrativo da Cooperativa, o fogo consumiu três barracões, que eram usados no beneficiamento dos óleos de castanha, andiroba, da manteiga de cupuaçu e sementes de pupunha.

“Fabricávamos a manteiga de cupuaçu e os óleos de andiroba e castanha. Além disso, também tínhamos uma grande quantidade de manteiga de cupuaçu em estoque, pronta para ser vendida. Tudo foi perdido”, disse Cássia.

Dentro de um dos galpões, também destruído pelo fogo, estava um dos equipamentos mais caros da Coopereca. Trata-se de uma prensa de médio porte e dois filtros, avaliada em torno de R$ 300 mil. Ela era usada para prensar as sementes de castanha, cupuaçu e andiroba. Além de fazer a extração dos óleos, usados na indústria de cosméticos.

Cássia afirmou que todas as famílias foram afetadas pelo incêndio, mas que o espírito de união continua. “Não teremos o lucro que estávamos prevendo para esse ano. Vamos usar o dinheiro dos associados para repor parte do que perdemos. Além, de buscarmos parcerias para reconstruir o que foi perdido”, declarou.

Corpo de Bombeiros não atendeu sinistro por “distância e falta de veículos”

Quando os filiados da Coopereca perceberam, durante a madrugada, o incêndio tomando conta dos galpões, entraram em contato com o Corpo de Bombeiros, em Porto Velho, pedindo ajuda.

Foram informados que devido à distância da capital rondoniense, e a falta de caminhão de bombeiros, pois só possuem dois caminhões para atender a capital, não era possível deslocar uma equipe para combater as chamas. O trajeto entre Porto Velho e o Projeto Reca é de cinco horas de viagem.

Diante da recusa, os agricultores decidiram procurar a capital mais próxima, que é Rio Branco, no Acre, que fica a cerca de 150 km do Reca. Porém a resposta também foi negativa.

“Disseram que não podiam fazer nada, pois, o incêndio era em outra jurisdição, outro estado e que levaria muito tempo até terem a documentação necessária para se deslocarem até o local. Tivemos que apagar o fogo por nossa conta. Isso mostrou que precisamos ter, em Ponta do Abunã, uma estrutura mínima de Corpo de Bombeiros aqui nessa região”, lamentou Cássia Lane Brito Camelo, filiada a Coopereca.

Os produtores estão revoltados com a atitude dos bombeiros acreanos e rondonienses. Eles afirmam que pagam impostos e taxas e, na região onde moram, estão sem qualquer amparo por parte do Poder Público quando necessitam.

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Incêndio destruiu galpão
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Incêndio destruiu galpão, tudo foi perdido
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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