BR 364, a rodovia da morte volta a fazer vítimas e bancada federal segue inerte

Deputados e senadores de Rondônia são incompetentes em resolver o problema. Rodovia segue sem duplicação e sem manutenção

Não é mais notícia, tornou-se rotina a morte de famílias inteiras na BR 364 em Rondônia. São números tão bizarros, que parecem lendas urbanas. Em 2015, apenas entre os meses de julho e agosto, em um trecho de 90 quilômetros entre Itapuã do Oeste e Ariquemes, 11 pessoas morreram em acidentes. O trecho entre Jaru e Ji-Paraná, passando por Ouro Preto do Oeste é outro campeão em mortes. E são tantas que até as autoridades não conseguem chegar a números precisos. A maior parte dos acidentes poderia ter sido evitada, se a rodovia fosse duplicada, elas ocorrem em ultrapassagens e quando motoristas tentam desviar de buracos na estrada.

Alguns trechos estão críticos, como entre Pimenta Bueno e Vilhena. O asfalto em algumas partes nem existe mais.

Entre Ji-Paraná e Cacoal a rodovia passou por manutenção em 2014, mas as obras já estão destruídas devido a péssima qualidade dos serviços. Empreiteiras seguem impunes.

No último fim de semana, mãe e filha morreram em acidente na tarde de domingo (27), próximo à entrada de acesso ao distrito de Estrela de Rondônia, entre as  cidades de Presidente Médici e Cacoal – RO. Elas estavam em um o carro modelo Fox e bateu de frente com uma carreta quando a carreta tentou desviar de um buraco na pista, invadiu o lado contrario e chocou de frente com o outro veículo. (informação atualizada às 19h14min)

Valdir Raupp, Ivo Cassol e Acir Gurgacz
Valdir Raupp, Ivo Cassol e Acir Gurgacz

Também no fim de semana, o trecho entre Ji-Paraná e Cacoal ficou com o trânsito lento em função do acúmulo de água de chuva na rodovia. Trecho inteiro ficou alagado, impedindo a passagem de veículos. No Facebook existe uma página dedicada apenas a relatar acidentes na rodovia. E é assustadora. Em novembro de 2015, foram registrados no mesmo dia, 9 mortes na BR em três acidentes em pontos diferentes.

Bancada inerte

Enquanto mortes são registradas praticamente todos os dias na BR 364, a bancada federal de Rondônia no Congresso, três senadores (Valdir Raupp, Ivo Cassol e Acir Gurgacz) e oito deputados federais (Marinha Raupp, Luiz Cláudio, Lúcio Mosquini, Expedito Netto, Mariana Carvalho, Lindomar Garçon, Nilton Capixaba e Marcos Rogério) seguem tentando aparecer nos holofotes da mídia nacional completamente alheios à realidade do povo rondoniense.

Gurgacz, por exemplo, foi relator das pedaladas de Dilma Roussef, busca uma vaga em algum ministério, sua família detém o transporte de passageiros no estado, mas ele não briga pela duplicação da rodovia. Ivo Cassol fez uma campanha nacional (e oportunista) em prol da liberação do uso da fosfoetalonamina sintética, mas não se mexe para melhorar a BR 364. Raupp até mês passado era vice-presidente nacional do PMDB, mas também nunca se mexeu nesse sentido, mas a cada visita que fazem ao Estado, discursam e alegam estar ‘trabalhando nesse sentido’.

Bancada na Câmara que fala demais e age de menos
Bancada na Câmara que fala demais e age de menos

Os deputados federais então nem se fala. Cada um tentando ser mais que o outro, mas também não agem no sentido de resolver, de uma vez por todas o problema. Centenas de vidas seriam poupadas caso a rodovia fosse duplicada, mas não apenas ‘nos trechos críticos’ e sim na totalidade.

A BR 364 é responsável pelo transporte de soja para os portos de Porto Velho e é a única ligação terrestre para o estado do Acre. É também a principal artéria do Norte do país e os serviços feitos de manutenção são precários. A maioria não suporta o período de chuvas e a população, que precisa dela tem que arriscar a vida em uma roleta russa. Tudo isso diante dos nossos representantes, que falam demais e fazem de menos.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

1 thought on “BR 364, a rodovia da morte volta a fazer vítimas e bancada federal segue inerte

  1. Intitular uma rodovia como “rodovia da morte” e no mínimo falta de bom senso.
    Vamos lá ; velocidade permitida na via 80 km/h
    É comum ver veículos com velocímetro travado em 160 km/h após o acidente, imprudência total em todo o percurso da rodovia, no trecho entre Itapuã / ariquemes temos muitas retas e torna-se comum veículos a mais de 140 km/k, motoristas sem a menor consciência do perigo que causam. A métrica deveria se chamar “motoristas kamikazes “

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