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Brasil estuda como ampliar notificação de bebês com síndromes ligadas ao zika

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Identificar bebês que não nasceram com microcefalia, mas que têm problemas relacionados ao zika vírus é o principal desafio para o Brasil dar assistência a todas as crianças afetadas pela epidemia, segundo o diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage Carmo.

De acordo com o ministério, de 13% a 19% das crianças examinadas apresentam resultado de falso negativo, ou seja, não apresentam perímetro da cabeça menor que padrão, caractetística da microcefalia, pórem desenvolvem outras consequências atribuídas à Síndrome Congênita Associada à Infecção Pelo Vírus Zika.

O diretor falou sobre o assunto no Seminário Estadual de Vigilância e Resposta às Arboviroses e suas Complicações, no Recife. O encontro reuniu gestores estaduais e municipais pernambucanos, além do órgão federal e de representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Eduardo Carmo destacou que uma das necessidades é a atualização do sistema de notificação de bebês que podem ter sido afetados pelo vírus, para que crianças tidas inicialmente como saudáveis por não apresentarem microcefalia não fiquem sem assistência caso, no futuro, apresentem outros problemas que a comunidade científica aponta serem relacionados ao zika – como deficiência auditiva ou visual, além de crises convulsivas.

“A grande questão que está sendo discutida não só no Brasil, mas com a própria Organização Pan-Americana da Saúde, é como caracterizar esses quadros que venham a ser classificados como uma Síndrome Neurológica Associada à Infecção por Zika”, disse Hage, acrescentando que muitas malformações neurológicas e sintomas clínicos associados ao zika também têm relação com outras doenças.

O desafio, de acordo com o diretor do Ministério da Saúde, é organizar um sistema de informações que amplie os registros para além da microcefalia e tenha precisão. “Para que a gente não modifique o sistema de vigilância que vem dando resultado positivo até o momento, mas que amplie demais e não tenha capacidade de detectar casos. Esse é o problema de fazer a mudança de um sistema para o outro”, explicou.

Para definir um padrão de quais malformações e sintomas constituem a síndrome associada ao zika, o Ministério da Saúde e a Opas vão se reunir com especialistas nacionais e internacionais para definir e categorizar a síndrome. A data do encontro ainda não está definida, mas a previsão é que ocorra em meados de julho, em Brasília.

Protocolo em Pernambuco

Em Pernambuco, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, cerca de 20% dos bebês de mães que tiveram zika não têm microcefalia, entretanto, apresentaram alguma alteração no sistema nervoso central. Para driblar o desafio mencionado pelo Ministério da Saúde e garantir diagnósticos amplos, o Estado optou por incluir no Protocolo Clínico e Epidemiológico da Síndrome do Zika Congênito, que vai ser lançado em 15 dias, a notificação de casos a partir de sintomas clínicos, comuns nesses bebês.

Os sintomas são: quadros convulsivos, irritabilidade, desproporção crânio-encefálica, dificuldade cognitiva ou motora (relacionada ao aprendizado ou ao movimento), alterações nas articulações e as malformações relacionadas ao sistema nervoso central (não identificadas por imagem) e problemas auditivos ou visuais.

A investigação vai ser retrospectiva, abrangerá bebês nascidos antes do novo protocolo entrar em vigor. “Isso só quando o bebê nasce, aí você observa. Inclusive lesões menores, até imperceptíveis, que a gente não tem como diagnosticar agora”, aponta o diretor de Doenças Transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, George Dimech.

Serão investigadas as mulheres que apresentam manchas vermelhas na pele durante a gestação – a chamada exantema. A recomendação é que as mães fiquem atentas aos sintomas nos primeiros cinco anos dos filhos. Caso a criança apresente algum desses sintomas, a mãe deve procurar o Sistema Único de Saúde (SUS).

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