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Brasil libera venda de cortes in natura e congelados para os EUA

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Acordo favorece a abertura de outros mercados

Em cerimônia realizada ontem no Palácio do Planalto, o Brasil formalizou acordo de exportação de carne in natura e congelada para os Estados Unidos (EUA). O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e a embaixadora dos EUA, Liliana Ayalde, fizeram a troca de cartas de reconhecimento de equivalência dos controles oficiais de carne bovina entre os dois países. Maggi afirmou que o acordo representa uma oportunidade para que sejam explorados mercados de outros países, já que o status sanitário similar ao norte-americano abrirá portas ao produto brasileiro.

“Estamos fazendo hoje um reconhecimento que os status sanitário dos EUA e do Brasil são iguais, se complementam, e uma boa parte do mercado internacional se abre a partir deste momento”, disse o ministro, em cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado do presidente em exercício, Michel Temer, e do ministro das Relações Exteriores, José Serra. Temer comemorou o acordo e elogiou o trabalho dos ministros.

O presidente interino reconheceu que a negociação foi um trabalho “de muitos anos”, embora não tenha citado a responsabilidade sobre ele do governo da presidente afastada Dilma Rousseff. “Temos que reconhecer que outros tantos trabalharam (pelo acordo)”, disse. O acordo entre Brasil e Estados Unidos foi selado na semana passada em Washington, durante o 9º Comitê Consultivo Agrícola (CCA). Segundo o governo, a expectativa é de que os embarques comecem em 90 dias, depois da finalização dos trâmites administrativos.

O ministro Blairo Maggi disse que era preciso reconhecer que há muito tempo se trabalhava pelo acordo e, sem citar o governo Dilma, disse: “A nós coube esse privilégio de fazer esse evento final”. Ele destacou que “a maior vitória” não é o acordo em si, mas sim a equivalência do status brasileiro ao dos EUA. “Estamos recebendo muito mais do que a possibilidade de mandarmos toneladas de carne para EUA; estamos recebendo a possibilidade de exportar para os demais países”, afirmou. “Estamos explorando um caminho e uma avenida larga”, completou.

Foram 17 anos de esforço na negociação do acordo, como frisou o ministro José Serra. “Hoje culminamos uma fase iniciada em 1999, em várias administrações presidenciais atrás”, afirmou. Segundo ele, a medida em relação aos EUA, no médio e longo prazo, pode levar a um acréscimo de US$ 900 milhões de receita na balança comercial brasileira.

Preço competitivo

O Brasil já vende carne bovina industrializada para os EUA. Em 2015, de acordo com dados do governo, as exportações somaram US$ 286,8 milhões. Com o fim dessa negociação em relação à carne fresca e congelada, os frigoríficos brasileiros, juntos, terão uma cota de até 64,8 mil toneladas por ano. O Brasil vai disputar com outros países cota de importação de 65 mil toneladas anuais de carne bovina dos Estados Unidos. Representantes da indústria pecuária dizem que o país teria capacidade de suprir sozinho essa cota e ainda deve ser rapidamente o líder entre os concorrentes, já que os preços da carne bovina brasileira são mais competitivos.

No entanto, a abertura definitiva do mercado norte-americano é encarada como a porta de entrada da carne brasileira para outros países que têm acordo ou mesmo seguem as mesmas regras sanitárias dos Estados Unidos. Entre eles, estão Canadá, México, nações caribenhas e ainda mercados orientais, como os disputados Japão e Coreia do Sul, cujos preços pagos chegam a ser três vezes superiores àqueles recebidos hoje pelas companhias brasileiras.

Informações do Estado de Minas

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