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Brasileiros pedem ‘Manuel’ em show de Ed Motta em Londres

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Cantor reagiu com bom humor aos pedidos, porém interpretou outro sucesso da carreira, ‘Colombina’

Depois de se envolver em uma polêmica no Facebook no mês passado, Ed Motta bem que tentou, mas não conseguiu escapar dos gritos de Manuel durante seu show em Londres realizado na noite desta segunda-feira (4), no centro cultural Barbican.

Quase no final da apresentação, quando anunciou que já estava alcançando os 75 minutos previstos e teria tempo apenas para apresentar mais uma canção, o músico – que até então só havia falado “muito obrigado” em português, além de interpretar um trecho de Minha Casa, Minha Cama, Minha Vida em sua língua nativa – acabou sendo alvo de alguns brasileiros na plateia pedindo para que tocasse o sucesso de seu primeiro álbum da carreira.

Reagindo com bom humor à situação, Ed Motta respondeu: “aí é sacanagem (risos). Não vai ter não. A gente nunca ensaiou essa música. É sério. Vou ficar devendo. Prometo que da próxima vez eu venho com um arranjo dela aí maneiro pra caramba”, justificou Ed.

“Porém, eu vou tocar uma música que foi um sucesso espetacular. É a música que me ajudou a comprar meu apartamento. Sério. É uma música que me dá mais dinheiro que o Manuel já me deu. E essa música éColombina ”, acrescentou o cantor, arrancando aplausos do público.

Antes de interpretar a canção, Ed ainda fez uma pequena introdução: “tá vendo como sou um cara legal. Sou bonzinho pra caramba, comportado, bom moço, tudo isso. Aí vem Colombina Colombina é aquela música de réveillon, música de lança-perfume, tudo isso, todo mundo loucaço de lança-perfume. Vamos nela. Quem me ajuda no refrão?”, indagou ele, começando a cantar o sucesso antes de interromper a performance para dar uma “bronca” nos brasileiros da plateia.

“Caramba, ninguém está cantando. Vamos de novo. Maior mico na frente dos caras. Os caras apenas vão pensar que não tenho um sucesso no Brasil, só isso (risos). Me ajuda aí, bicho. Inclusive vamos filmar essa parada pra colocar no Youtube, entendeu?”.

Músicas do seu novo CD, AOR (Adult Oriented Rock) , entre elas, Simple Guy , 1978 , Dondi e Farmer’s Wife , além de outros sucessos de sua carreira, como Um Dom pra Salvador , marcaram a noite, que também contou com show de abertura da brasileira Eliane Elias.

Impressão dos fãs

Na opinião de alguns dos fãs brasileiros que compareceram ao show de Ed Motta em Londres, o cantor se saiu bem da saia-justa envolvendo pedidos de Manuel . “Ele foi hiper simpático. Acho que esperava por isso e soube lidar perfeitamente com a situação. Parabéns pra ele”, disse a psicóloga Fátima Borges, de 43 anos.

Há sete anos vivendo na capital inglesa, Fátima sempre teve vontade de acompanhar um show do músico desde o Brasil. “Nunca fui a um show dele antes. É da minha época, sempre quis vê-lo cantar, ouvir as músicas dele e essa voz maravilhosa, tem tudo a ver com o Brasil. Eu amei. Preferia em português, acho que fica mais bonito, mas a voz dele combina com tudo. Acompanhei um pouco a polêmica. Isso é ele. Tem direito à opinião como todo mundo tem. Muita gente deve pensar da mesma forma, ele teve a coragem de falar e eu respeito”, acrescentou.

Já no caso da economista Michelle Tamiga, de 30 anos, que ajudou a puxar o coro de Manuel da plateia, o show agradou, apesar de ter presenciado performances melhores do cantor no passado. “Gostei do show dele, mas não foi dos melhores. Vou dizer que o do ano passado no norte de Londres foi hors concours (incomparável), mas continua sendo bem legal. Gritei Manuel porque é uma das músicas que mais gosto, a batida é super legal e eu gosto bastante, mas Colombina também não deixou a desejar. Acho que agradou. Foi legal, valeu a pena”.

Radicada há nove anos em Londres, Michelle comentou ainda sobre as recentes declarações do cantor. “Pelo o que eu li, ele prefere falar em inglês, porque além do público brasileiro, tem um público que não entende português, o que eu entendo. Acho que, se você está em um lugar que não seja de língua portuguesa e fala aquela língua local, por que não? Você integra o pessoal dali, ou seja, ele está querendo cativar um público mais internacional, além do brasileiro lá de fora. Por esse aspecto eu entendo o ponto de vista dele. Agora, se falar que é um pessoal mais simples e tudo mais, eu acho isso bobeira, porque fiz faculdade fora, não trabalho em subemprego, trabalho em multinacional e estou aqui curtindo, super feliz”, explicou.

Antes de subir ao palco, Ed Motta admitiu que o alvo da crítica que postou no Facebook sobre brasileiros “simplórios” que usam relógio branco e camisa de times para comparecer aos seus shows no exterior foi mais abrangente do que imaginava.

“Esse lance do relógio branco, vou te contar um negócio engraçado pra caramba. Você não acredita. Eu vi um monte de gente na Europa com o tal do relógio branco. Isso está na moda no mundo inteiro. O cara da imigração estava com um relógio branco e eu falei, ‘rapaz, todo mundo está com esse relógio aí’. Pensei, ‘eu apontei errado a seta da crítica. O canhão foi pro lugar errado, na verdade o canhão é geral’. Tem que jogar uma bomba no mundo e dizer, ‘tira esse relógio’. Meu Deus do céu (risos)”.

Prazer x Arrependimento

Durante o bate-papo, Ed Motta também brincou que sentiu prazer com toda a polêmica envolvendo seu nome, relembrando os tempos em que era “odiado” na escola.

“Na verdade, é o seguinte. Foi muito chato isso, mas dentro da minha personalidade, felizmente ou infelizmente, isso sempre foi um padrão. No meu colégio, tinha época em que o colégio inteiro estava com ódio de mim. E tenho que confessar que eu sentia um certo prazer com isso. Falava assim: ‘é interessante, estou em um lugar especial’ (risos)”.

Aos 43 anos, o cantor disse que agiu como uma criança mimada ao discutir com os internautas, apesar de manter sua opinião sobre o conteúdo original da mensagem. “Me arrependi pelo que fiquei respondendo depois às pessoas, irado. As pessoas entraram com raiva e eu criança, bobalhão, fui com raiva também. Raiva com raiva. Criança contra criança. Entrei como uma criança boba, mimada, também com raivinha, mas o conteúdo inicial do que eu escrevi eu não tiro uma vírgula daquilo”, afirmou.

“Se eu pudesse voltar atrás, não teria feito esse post. Não teria feito mais pelo efeito ‘sacal’ que ficou, esse linchamento ideológico virtual. Seria mais por isso, não pelo conteúdo do que eu penso. O que eu penso é aquilo, não tem jeito. Na vida é melhor você ser falso, você não falar nada, claro. Eu tinha que aprender isso, mas não aprendi ainda”, finalizou Ed.

Depois de passar pela Alemanha, França, Irlanda e Inglaterra, a turnê AORtem apresentações agendadas na Espanha, Itália, Aústria, Holanda  e Finlândia até o mês de julho.

Patrícia Dantas Direto de Londres para o  Terra

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