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Bufê dá calote em noivos e grupo do Whatsapp ajuda a salvar festa

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Casal contratou os serviços há mais de 6 meses e ficou sabendo do golpe 24 horas antes da cerimônia; caso foi registrado na sexta-feira (15)

Letícia e Philip sonharam com o casamento, com a igreja, decoração, com os convidados, festa, com álbum de fotografias e esperavam ansiosos pelo grande dia, sábado, 16 de julho de 2016. Só não contavam com o golpe do bufê, 24 horas antes, e com um prejuízo de R$ 12 mil. O caso foi registrado pela Polícia Civil de Sete Lagoas, região Central de Minas, na sexta-feira (15). A suspeita ainda não foi localizada, informa o jornal mineiro O Tempo.

O final feliz se deu graças à velocidade das redes sociais – via Whatsapp – e a boa e velha solidariedade.

Letícia Souza, de 28 anos, conheceu Philip, 27, em fevereiro de 2014. Muito antes, porém, ela já juntava dinheiro para se casar. “Eu sempre quis uma festa de casamento. Foi o sonho de uma vida inteira entrar na igreja… Eu fiquei super abalada com tudo isso… Estou tomando dois calmantes por dia, ainda não durmo direito e só não estou chorando agora porque já chorei tudo o que tinha pra chorar. Meu marido está tendo que ter paciência comigo… A ficha ainda não caiu, porque nunca pensei que isso fosse acontecer comigo”, desabafou Letícia, em lua de mel na cidade de Caldas Novas (GO).

O casal procurou a Imperial Festas, no centro de Sete Lagoas, em novembro de 2015, para fazer o orçamento. O grande dia custaria R$ 12 mil e incluiria o cerimonial, a decoração da igreja e do local da festa (sítio da família) e um buffet para 200 pessoas. Decididos, Letícia e Philip voltaram à empresa em dezembro e pagaram R$ 6.000 de entrada. “A proposta dela era perfeita: flor natural, barman, cerimonial, decoração da igreja, da festa, do bufê… Só fotografia, filmagem, iluminação e a banda seriam pagos à parte. Estava tudo certo, era o meu sonho se realizando”, comentou a noiva.

Na última segunda-feira (11), o casal pagou os 50% restantes, e a suspeita recebeu o dinheiro sem dar qualquer sinal de dificuldades para cumprir o contrato. “Na quinta-feira (14), eles foram entregar as cadeiras no sítio, e, por sorte, eu estava lá. Eu combinei cadeiras da cor ouro velho e vieram cadeiras pretas. Eu achei que fosse um engano, mas quando liguei pra ela, ela me disse que as cadeiras estavam certas, e me falou bem assim: ‘O material que eu tenho, que eu trabalho, é esse. Será esse ou nada!’. Fiquei desesperada, mas não iria perder a minha festa por causa das cadeiras e consegui alugar em outro local, do jeito que eu queria, por R$ 680. Só pedi à Imperial que me reembolsasse depois”, explicou Letícia. A organizadora respondeu à cliente que não poderia devolver o dinheiro, mas que ela ficaria com o crédito para um próximo contrato.

O alívio, porém, foi momentâneo. “A partir daí, ela não atendeu mais as ligações, não respondia. Eu me desesperei, comecei a procurar os fornecedores e descobri que ela já tinha cancelado com eles todos os serviços relacionados a minha festa. O pessoal da decoração disse que ela tinha pedido flores artificiais e não as naturais que a gente combinou. Eu tinha pedido 1.000 doces e fiquei sabendo que ela tinha encomendado só 400. Quer dizer: ela já estava com a intenção de não cumprir o contrato. Depois, quando descobrimos tudo, ela me mandou mensagens dizendo que queria trabalhar e que nós é que não queríamos deixar! Ela inverteu toda a história!”, indignou-se.

“Eu pensei que não ia ter nada! Se não fosse pela ajuda das pessoas, que praticamente patrocinaram a gente, não tinha mais como fazer a festa. Eu estava sem chão e não ia conseguir fazer nada”, agradeceu Letícia.

Noivas de Sete Lagoas

O casamento aconteceu e a história só teve um final feliz graças ao Noivas de Sete Lagoas, um grupo criado no Whatsapp para noivos, bufês, fotógrafos, músicos e afins.

Um policial militar recomendou e a publicitária Laura Gonçalves de Souza, 32 anos, irmã da noiva, foi aceita no grupo, que, em pouco mais de 24 horas, organizou a festa.

“Eu fiz uma postagem, dizendo que estávamos desesperados, pedindo ajuda e quis saber se alguns dos integrantes do grupo tinham sido contratados para o casamento da minha irmã. O pessoal do cerimonial, dos bombons, e o barman falaram que tinham sido contratados, mas que depois a Imperial Festas desmarcou tudo. Eles não receberam qualquer valor. Descobrimos que a loja, que ficava na avenida Vila Lobos, no centro, foi fechada e que ela trabalhava em casa. Fomos no endereço, gritamos na porta e ninguém atendeu. Nós procuramos o ex-marido dela, uma tia, que pediu mil desculpas, e eles também não conseguiam falar com ela… Aí, vimos que não tinha mais jeito. Descobrimos também que outra noiva passou pela mesma situação em abril deste ano. Um noivo, depois que entrei pro grupo, me procurou e disse que contratou o mesmo buffet para o casamento dele, agora em agosto”, alertou Laura.

“A dona de um cerimonial, vendo nosso desespero, me ligou no mesmo momento e disse que ia nos ajudar sem cobrar nada. Ela quis saber aonde a gente morava e foi até lá. Depois, passamos a buscar os fornecedores. Conseguimos um bufê a preço de custo, os bombons e as flores também a preço de custo, recebemos doação das tolhas de mesa e da iluminação. Eles nos emprestaram o bolo decorativo… Gastamos cerca de R$ 8.000, demos cheque pré-datado, usamos cartão de crédito….. Contamos com e tivemos a ajuda de todos. A festa não foi como a sonhada, mas a equipe fez tudo o que podia e foi muito bom”, contou agradecida a irmã da noiva. “Nós registramos um boletim de ocorrência na Polícia Civil, na sexta (15), e vamos entrar com uma ação judicial contra o bufê e a proprietária”, assegurou Laura.

Tentamos contato com o cerimonial, em Sete Lagoas, mas nenhum dos telefones atendeu.

Nossa reportagem ainda aguarda retorno da Polícia Civil.

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