Cacoal: Hospital do povo ou dos políticos? Por Francisco Xavier

A saúde pública no município de Cacoal tem sofrido muito com a péssima administração do município e por isso a inauguração do Hospital Regional, administrado pelo governo do estado surgiu como uma grande esperança para os cacoalenes e demais pessoas da região que poderiam ser atendidas na unidade, mas infelizmente há fatos que nos entristecem muito, como parece ser o caso da ingerência política na administração do Hospital Regional.

Após cerca de 20 anos sendo construído, o hospital Regional passou a funcionar cerca de três ou quatro anos atrás e dispõe de excelentes funcionários, um quadro médico qualificado e uma infraestrutura que possibilita o bom atendimento. Até mesmo o sistema de alimentação é merecedor de elogios, porém o acesso ao atendimento parece ser o grande problema do HRC. Há muitas reclamações sobre atitudes grosseiras de alguns médicos, mas isso se resolve com cursos de relações humanas. É fácil!!

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Não é raro ocorrer casos em que a burocracia impede o atendimento de várias pessoas, fazendo com que muitas delas tenham que procurar atendimento na capital do estado ou mesmo no município de Vilhena, que conta com uma estrutura hospitalar bem organizada. É necessário que o governo de Rondônia reveja os procedimentos burocráticos necessários para a internação de pessoas no Hospital Regional de Cacoal, sob pena de ocorrerem óbitos, em virtude das dificuldades encontradas pelas pessoas mais humildes, quando precisam de tratamento.

Uma unidade hospitalar tão grandiosa não pode ficar à mercê da vontade de políticos. As reclamações nesse sentido são muitas e  evidenciam a interferência clara de pessoas com mandato. Uma pessoa não pode depender de telefonemas de deputados dirigidas ao Diretor do hospital, para garantir a internação. Aquele hospital é público; não é propriedade de deputados. É desumano que pessoas busquem ser atendidas e não tenham o devido tratamento. Igualmente é estranho quando as pessoas recorrem a deputados e através de ligações telefônicas conseguem vagas para internação. A legislação vigente no país é clara no sentido de que todos têm direito à saúde. Uma unidade hospitalar pública não pode escolher quem vai atender, não pode selecionar pacientes.

Em recente episódio, a professora Paula Arriel, que atua na rede pública do estado, teve inúmeras dificuldades para conseguir a internação de seu pai no Hospital Regional de Cacoal. Ele encontrava-se internado no Hospital São Daniel Comboni e necessitava de atendimento especializado, no ramo da medicina vascular. Após várias tentativas sem sucesso, ela levou seu pai para Vilhena, local onde ele foi internado no mesmo dia. Após as analises, os médicos encaminharam o paciente para a capital do estado, onde infelizmente faleceu, em virtude de evolução de seus problemas. Claro que não se pode atribuir a falta de atendimento ao Diretor do Hospital de Cacoal, mas a alegação de que não havia médico da especialidade revela a fragilidade do sistema de saúde propagado na imprensa como completo. Como pode um hospital como o de Cacoal não ter um médico da área vascular? Isso é um absurdo.

Com relação à interferência de políticos nos procedimentos de internações, este fato nos causa tristeza, porque o Diretor do Hospital Regional de Cacoal tem boa formação e pertence ao quadro de oficiais da Polícia de Rondônia. Não dá para acreditar que uma pessoa com formação militar seja influenciada por políticos, como se deputados tivessem direito de escolher quem pode ou quem não pode ser internado, mas infelizmente muitas pessoas reclamam deste fato. É necessário que a direção do hospital estabeleça com clareza os critérios para o atendimento de pessoas na unidade, pois a transparência é critério imperioso na administração pública. A ideia de pensar que uma unidade hospitalar pública seja dominada por políticos não combina com a qualidade que se quer na saúde pública. Há casos de pessoas que, mesmo internadas, sofrem com a falta de datas para realizar alguns procedimentos. Semana passada, recebemos a informação de que um idoso está há cerca de 20 dias esperando marcar uma cirurgia em uma das mãos que foi quebrada. Não dá para entender por que essas coisas acontecem.

Da mesma forma, não dá para entender por que o idoso precisa ficar internado se não tem data para fazer a cirurgia. Esse fato causa sofrimento no paciente e em seus familiares, já que eles precisam dar a devida atenção ao ancião. Outro caso emblemático é o de uma senhora que sofreu um acidente de moto, foi internada na Unidade Mista, depois transferida para Hospital Regional. Segundo informaram para ela, deveria fazer um exame de raio x urgente. Já passou de um mês e até hoje ainda não foi marcado. Os conceitos de urgência e humanismo não podem ser distorcidos dessa forma. Com relação à administração do hospital, tenho convicção de que o senhor Marco Aurélio Vasquez tomará as medidas cabíveis para estabelecer uma política de atendimento igualitária, além de cobrar do governo do estado que preencha as vagas existentes pelos profissionais de que o hospital ainda não dispõe. Assim estaremos combatendo as desigualdades em nosso estado e oferecendo ao povo o mínimo de dignidade possível… Tenho dito!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

1 thought on “Cacoal: Hospital do povo ou dos políticos? Por Francisco Xavier

  1. O que me entristece profundamente é o fato que o hospital Regional de Cacoal possui dois médicos vasculares e me foi negado três vezes o atendimento a meu pai idoso de 73 anos forçando – me a levá – lo as pressas a capital para o hospital João Paulo II no qual, apesar das dificuldades pela super lotação nos receberam de braços abertos, porém infelizmente meu pai veio a óbito devido a demora na realização de sua cirurgia não por inegligencia médica, mas devido ao grande contingente de pessoas que o hospital atende sozinho e sem a estrutura necessária, porém com grande responsabilidade e carinho para com seus pacientes. Deixo aqui meu profundo agradecimento aos funcionários do hospital João Paulo II e minha indignação e revolta para com o hospital Regional de Cacoal que tem deixado não só meu pai, mais muitos outros pacientes virem a óbito pela sua politicagem e inegligencia com a população que necessita de seu atendimento. O tempo que estive com meu pai em pvh conheci inúmeras pessoas que lá estavam também por falta de atendimento no regional de Cacoal. Deixo aqui meu desabafo e peço encarecidamente as autoridades que resolvam esse problema e coloquem na direção do hospital Regional de Cacoal pessoas comprometidas com a população, que não merece perder seu entes queridos por politicagem e desrespeito para com o povo que paga seus impostos e não tem retorno na saúde vergonhosa de nosso município.

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