Cadeia onde Cabral está preso é a mesma em que miliciano deu festa de aniversário

A Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica na Zona Norte do Rio, onde o ex-governador Sérgio Cabral está à disposição da Justiça, desde o último domingo, nunca foi sinônimo de segurança máxima. O prédio de dois andares, famoso por proporcionar regalias aos detentos quando funcionou como Batalhão Especial Prisional da PM (BEP), fica localizado a pouco mais de dez quilômetros de distância do Palácio Guanabara.

Em 2010, o cabo Carlos Ari Ribeiro promoveu uma festa de aniversário no BEP Foto: reprodução

Cabral despachava no Palácio Guanabara, entre os anos de 2007 e 2014, quando foi governador do Rio de janeiro.

Em 2007, uma vistoria da Corregedoria da PM constatou a ausência de 18 policiais militares, que cumpriam pena na unidade e deveriam estar atrás das grades. A saída irregular dos PMs presos já ocorrida há, pelo menos, dois meses.

Em setembro de 2010, o histórico do BEP piorou ainda mais. Acusado de ser o maior matador da milícia, na época, o cabo Carlos Ari Ribeiro, o Carlão, que cumpria pena por homicídio, deu uma festa de aniversário no presídio, regada a uísque, energético e refrigerantes. Após este episódio, a unidade passou a ser conhecida como o “Batalhão das Festinhas”

Carregamento de cerveja apreendido no BEP, Batalhão Especial Prisional da Policia Foto: Pablo Jacob / Pablo Jacob/Agência O Globo

Um ano depois, no dia 2 de setembro de 2011, Carlão aproveitou a ausência de vigilância e fugiu da unidade, após escalar um muro. Um mês depois, um carregamento de 2.600 latas de cervejas, que havia sido encomendado por um  preso, foi apreendido dentro da unidade.

Em 2012, um novo escândalo. Uma inspeção feita pelo Conselho Nacional de Justiça constatou a vida luxuosa que os PMs presos desfrutavam na unidade.

Na época, foram encontradas 109 geladeiras,52 micro-ondas,102 televisores, 63 cafeteiras e uma máquina de assar frangos.

Em junho de 2015, quando abrigava 218 presos, a unidade voltou ao noticiário. Dois PMs presos usaram telefones celulares para postar fotos em redes sociais. Um deles apareceu em fotos postadas segurando maços de notas de R$ 50 e R$ 100.

PM Renault Ferreira Feitosa apareceu em fotos postadas no Facebook ostentando dinheiro Foto: Reprodução Facebook

O PM Renault Ferreira Feitosa, que apareceu nas fotos, foi transferido para outro presídio. Ele havia sido preso, em 2012, acusado de roubar um carro. Portador de esquizofrenia Renault foi considerado inimputável e foi absolvido das acusações de roubo. Em fevereiro de 2017, ele foi assassinado a tiros em São Cristóvão.

O último escândalo envolvendo regalias do BEP, ocorreu em outubro de 2015.

Insatisfeitos com o rigor da fiscalização da Vara de Execuções Penais (VEP), um grupo de PMs tentou agredir a juíza Daniella Barbosa Assumpção de Souza. Eduardo Oberg, juiz titular da VEP na época, determinou então o fechamento da unidade por falta de segurança. Todos os PMs foram transferidos para um presídio de Niterói.

Antes de se transformar no BEP, a unidade era a casa de Custódia de Benfica. Em 2004, presos fizeram uma rebelião no local que acabou com a morte de 34 pessoas e a fuga de 14 detentos.

Agora, além de receber Sérgio Cabral, a unidade vai abrigar ainda outros 145 presos. A exemplo de Cabral, todos vieram transferidos de Bangu 8.

Deste total, 53 são de nível superior, incluindo o ex-governador, e 93 respondem por não pagar pensão alimentícia. A unidade conta com 53 câmeras que vão monitorar a cadeia 24 horas por dia.

O presídio passou por reformas feitas por presos que cumpriam pena no regime semiaberto.

Fonte: extra.globo
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