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Caindo aos pedaços, policlínica Osvaldo Cruz ainda é referência por falta de opção

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Entrada da Policlínica

 As condições são insalubres e parecem qualquer coisa, menos uma unidade de saúde. Cratera, forro caído, alagamentos, sujeira, falta de remédios, ausência de equipamentos, poucos médicos e pacientes de sobra. Um prédio ¨abandonado¨, na caótica Rua da Beira. É ali que se encontra, há três anos “provisoriamente”, a maior Policlínica do Estado, Osvaldo Cruz (POC).

No acesso a Policlínica, já se pode constatar o descaso. Não há nenhum indicativo que naquele local funciona uma unidade de saúde. Nenhuma placa, nenhum banner, nenhuma faixa. Somente a quantidade de pessoas em busca de atendimento que indicam ser aquele prédio uma unidade de saúde. Pessoas que buscavam atendimento na Policlínica já morreram na perigosa travessia daquele trecho da BR 364, por atropelamento. Nem uma faixa de pedestres há no local.

Logo na entrada, nossa equipe deparou-se com um paciente que aguardava uma ambulância do interior. Ele estava lá fora, sentado numa cadeira de rodas com os pneus furados, que é a condição de praticamente todas as cadeiras de rodas da instituição. A menos de 5 metros dele, um buraco com uma água imunda compõe a visão da entrada do estabelecimento que as pessoas buscam se curar.  Um estabelecimento que está doente, na UTI e precisa de cuidados urgentemente.

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Sala de atendimento

Nossa reportagem visitou a ala de oftalmologia, também em condições precárias, onde não há parte do forro e a fiação elétrica está à mostra. Servidores garantiram que a sala alaga todas as vezes que chove, mas que havia sido limpa pela equipe momentos antes da reportagem chegar. Nos consultórios a falta de estrutura impressiona. O prédio onde se localiza atualmente a POC era uma faculdade particular que foi adaptada, e hoje, o que antes era uma sala de aula, dá espaço a três consultórios improvisados.

Todos os consultórios com aparelhos de ar-condicionado ultrapassados. São menos eficientes e consomem mais energia, não havendo a vedação do consultório com o ambiente externo da Policlínica, o que configura risco pra todos que trabalham e que são atendidos no local. No exato momento em que nossa equipe se encontrava em um dos consultórios, uma empresa prestadora de serviço chegou para substituir o aparelho de ar-condicionado por um ¨novo¨, pois o outro havia pifado e, acreditem se quiserem/puderem, é este da foto.

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Pacientes utilizam cadeira de rodas com pneus vazios

A sala de gesso fica no mesmo espaço com outros dois consultórios. Como se pode ver nas imagens, não há condição de se atender num ambiente como este, mesmo assim, a equipe de médicos e enfermeiros da Policlínica tem feito “milagres”. Ao chegar, a equipe do Painel Político constatou que haviam diversos pacientes na fila. Na ala de idosos, aproximadamente dez ainda aguardavam serem atendidos. Conversamos com duas idosas que se identificaram como Dona Maria e Dona Joana. Dona Maria, idosa de 61 anos de idade, que vai uma vez por mês se consultar na Policlínica. Ela possui problemas cardíacos, pressão alta e diabetes. Não é aposentada, sofreu um acidente há dois anos e também tem complicações nos joelhos. “Minha consulta estava marcada às 14 horas. São 17 horas e ainda tem cinco pessoas na minha frente”, lamenta a senhora, que mesmo assim, não deixa de agradecer o tratamento que recebe da equipe.

Dona Maria ainda garante que é bem recebida e bem tratada pelos funcionários da POC, mesmo com toda a falta de estrutura. Dona Joana, 64 anos de idade, moradora do bairro Areal espera ser atendida há cinco meses. A idosa sofre de problemas cardíacos, hipertensão e diabetes. “Cheguei às 11 horas e minha consulta estava marcada às 13h. Já são 17h e com tantas pessoas na minha frente, não sei se serei atendida ainda hoje”, expõe a paciente.

Administração faz o que pode

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Diretor Geral da Policlínica Osvaldo Cruz, Dr. Kenner Granado

O Diretor Geral da Policlínica Osvaldo Cruz, Dr. Kenner Granado Junqueira, explicou que o atual prédio é uma instalação provisória, e que a nova Policlínica foi uma obra feita em parceria com a Usina de Jirau, como compensação pelos impactos sociais e ambientais da construção da usina. A nova instalação ainda não foi entregue, devido reparos na estrutura que ainda nem foi inaugurada, como a acessibilidade aos deficientes e a parede da sala de raio-x, que havia sido construída sem a devida blindagem necessária para o uso.

Reconheceu que as condições não são favoráveis, mas deixou claro que parar não é opção. E não é mesmo. No ano passado, 183 mil atendimentos foram realizados na POC. Só no primeiro semestre deste ano, já foram efetuados mais de 90 mil atendimentos. É importante salientar que a Policlínica é referência não apenas na capital, e sim em todo o Estado, incluindo municípios de outros Estados, como é o caso de Humaitá(AM) e Rio Branco(AC).

Apesar das péssimas condições estruturais, a Policlínica possui 35 especialidades, sendo referência em algumas especialidades, como a traumatologia oftálmica.

Estado responsabiliza usinas

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Representante da Ouvidoria Geral do Estado, Vicente Moura

O prazo para entrega do novo prédio já está em atraso. As novas instalações deveriam estar funcionando desde setembro deste ano, tendo como nova previsão para entrega, janeiro de 2014. Segundo o representante da Ouvidoria Geral do Estado, Vicente Moura, o Governo do Estado de Rondônia encaminhou um processo referente ao atraso da conclusão da obra ao Ministério Público, pois o atraso gera prejuízos financeiros para o erário por se tratar de um prédio locado, como também gera transtornos, atrasos e prejuízos incalculáveis à população que necessita desses atendimentos.

Veja outras fotos:

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Instalações elétricas da POC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Todas as salas estão em condições precárias

 

 

 

 

 

 

 

 

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Não há refrigeração adequadas nas salas de atendimento
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Há somente uma pia com álcool em gel para a limpeza das mãos

 

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