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Câmara pagou resort, propaganda e aluguel de avião a suplentes em janeiro

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Os suplentes que assumiram o cargo de deputado federal por 30 dias não participaram de sessões, mas usaram a verba de gabinete disponível aos parlamentares para alugar avião, barco, “divulgação da atividade parlamentar” e hospedagem em resort.

Segundo a Câmara Federal, 37 suplentes assumiram um mandato relâmpago em janeiro deste ano, em pleno recesso parlamentar. A abertura das vagas foi resultado de renúncia ou licença de parlamentares que tomaram posse como governadores, vices, ministros e secretários estaduais no dia 1º de janeiro. Os deputados-tampão exerceram o mandato até fevereiro, quando os parlamentares eleitos no ano passado assumiram seus cargos.

O salário de um deputado federal, na legislatura passada, era de R$ 26,7 mil. Mesmo sem participar de sessões, dos 37 que entraram em janeiro, 12 pediram e receberam auxílio-moradia em dinheiro –descontando Imposto de Renda, mas sem a necessidade de prestar contas do gasto. O valor do benefício é de R$ 4.253. Muitos dos 37 políticos nem sequer usaram passagem para ir a Brasília.

A Câmara dispõe de 432 apartamentos funcionais, mas muitos parlamentares preferem receber auxílio-moradia para se hospedar em outro local.

Gastos dos suplentes

A cota parlamentar dá direito aos deputados de gastar com uma série de serviços, como viagem, consultoria, combustível e propaganda. Alguns gastos de deputados chamam a atenção, embora sejam considerados regulares pela Câmara.

O então deputado Carlos Martins (PT-PA) alugou um avião no valor de R$ 5.300 para viajar no dia 17 de janeiro. O destino da viagem não foi informado na nota fiscal. O deputado também gastou R$ 4.500 da Casa para alugar, por duas vezes, um barco.

Segundo um recibo da prestadora do serviço, a locação serviu para viagem a comunidades de municípios ribeirinhos na região de Tapajós.

Durante duas semanas, a reportagem do UOL ligou para a assessoria de imprensa do ex-deputado, mas as ligações não foram atendidas.

O maior gasto entre todos os suplentes foi o do então deputado Márcio Junqueira (Pros-RR), que gastou R$ 35 mil com “divulgação da atividade parlamentar”. O serviço não teve nota fiscal disponibilizada para consulta. Nesse período, o deputado só usou passagem aérea da Casa por uma vez, no dia 7 de janeiro, e não teria viajado mais à capital federal.

O UOL tentou entrar em contato com o ex-deputado, mas ele não respondeu. O telefone do partido em Roraima não completa as ligações.

Já a deputada Telma Pinheiro (PSB-MA) usou dinheiro da Câmara para pagar uma consultoria por R$ 28 mil. O estudo contratado seria para análise socioeconômica da comunidade Vila Embratel, em São Luís. O UOL deixou mensagem na página pessoal da ex-deputada no Facebook, mas ela não respondeu.

O deputado Marcelinho Carioca (PSB-SP) também usou seu mandato para viajar pelo interior de São Paulo. Em uma das viagens, de 8 a 10 de janeiro, ele se hospedou em um resort, com diária superior a R$ 300. O ex-deputado foi um dos que recebeu auxílio-moradia.

A assessoria do ex-deputado informou que as notas fiscais de hospedagem foram por conta de “compromissos como parlamentar” e que “todas as contas foram aprovadas pela Câmara dos Deputados”. “Demais dúvidas devem ser solicitadas ao órgão competente que aprovou a prestação de contas do deputado”, afirmou.

Segundo a Câmara, existem duas PECs (Proposta de Emenda à Constituição) em andamento: a 1/11, do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que proíbe a posse de suplentes durante o recesso parlamentar, exceto no caso de convocação extraordinária; e a 50/11, que prevê alteração das datas de posse. As duas ainda precisam ser votadas na Comissão de Constituição e Justiça, antes de ser analisadas em plenário.

Cota parlamentar

Instituída em 2009, a cota parlamentar unificou a verba indenizatória, a cota de passagens aéreas e a cota postal-telefônica.

Ela varia de R$ 30.416,80 a 45.240,67, a depender do Estado, e visa reembolsar o custeio de despesas típicas do exercício do mandato. Todos os gastos podem ser conferidos no site da Câmara.

UOL

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