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Cansada da ineficiência estatal, mulher mata ex com 12 tiros

Ela já havia registrado 20 boletins contra o ex-namorado, que a perseguia após uma relação marcada por abusos e violência

Brasília – Não é de hoje que eu falo sobre a ineficácia do Estado perante a episódios de violência envolvendo mulheres Brasil afora. Em 2016, os casos dispararam, parece ter virado uma epidemia, tamanha a quantidade de vítimas e em praticamente todos os casos elas buscaram socorro junto à órgãos de proteção, como polícia e Ministério Público. E em quase todos os casos, elas terminaram mortas por quem um dia lhes jurou amor eterno.

Esta semana um caso com final diferente aconteceu em Florianópolis (SC), envolvendo a gaúcha Ana Raquel Santos da Trindade, de 31 anos que foi absolvida pelo júri após matar com 9 tiros (ela disparou 12) o ex-namorado Renato Patrick Machado de Menezes em 2014. Ela já havia registrado 20 boletins de ocorrência contra o ex, mas ele nunca foi preso.

A história deles foi contada pela repórter Aline Torres, do UOL, que mostrou um caso de abusos, enganos, estupros e até cárcere privado.

Mas o que fica desse triste episódio é a certeza, mais que absoluta, da total ineficiência do Estado perante esses casos. Como se pode falhar tanto com uma vítima de violência?  Somente na 6ª Delegacia de Polícia de Florianópolis, especializada em violência doméstica, ela registrou 15 boletins – oito por estupro, três por tentativa de assassinato em frente ao filho e quatro por ameaças de morte. Ela também solicitou à Justiça uma medida protetiva, para impedi-lo de se aproximar, mas foi negada.

A justiça é cega, mas Ana não. Ela comprou uma arma e dez dias depois, ouviu o agressor forçando o portão de sua casa. atirou 12 vezes, acertou 9. Ficou 24 dias presa e foi aplaudida pelas demais detentas no dia que deixou o presídio. Será que todas as mulheres terão que andar armadas agora para tentar evitar a morte?

Em outubro desse ano falei sobre a onda de violência que assola as mulheres em todo o país. A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil, para 70% da população, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil; A aplicação da Lei Maria da Penha fez com que fossem distribuídos 685.905 procedimentos, realizadas 304.696 audiências, efetuadas 26.416 prisões em flagrante e 4.146 prisões preventivas, entre 2006 e 2011; hoje, contabilizamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Segundo o Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados em 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex. Essas quase 5 mil mortes representam 13 homicídios femininos diários em 2013.

E com tudo isso, o Estado permanece impassível, fazendo de conta que protege. Na semana que passou, tivemos pelo menos mais quatro casos de mortes de mulheres por seus ex-companheiros, alguns com direito a imagens dos crimes. Mas o Estado permanece inoperante. Até, quem sabe, o dia em que a vítima for a mulher/filha de algum ministro ou político de alto coturno.

Alan Alex é editor de Painel Político

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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