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Caracas tem mais confrontos nas ruas e chanceleres tentam iniciar diálogo

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A Polícia Nacional Bolivariana e o Serviço Bolivariano de Inteligência lançaram ontem bombas de gás lacrimogêneo e dispararam balas de borracha para dispersar um protesto contra o governo de Nicolás Maduro no município de Baruta, na Grande Caracas. O objetivo das forças de segurança era remover as barricadas de estudantes das ruas do bairro de El Cafetal.

Os manifestantes reagiram lançando foguetes artesanais e arremessando garrafas. As autoridades prenderam ao menos 15 pessoas durante o confronto, segundo a ONG de defesa de direitos humanos Fórum Penal, que auxilia opositores detidos em protestos, O confronto começou por volta das 5 horas, quando os agentes do governo chegaram a El Cafetal. Os policiais vasculharam o bairro em busca dos organizadores da mobilização.

Quatro manifestantes sofreram ferimentos leves e outros dez apresentaram sintomas de intoxicação após inalar gás lacrimogêneo. O prefeito de Baruta, o opositor ao chavismo Gerardo Blyde, protestou contra a ação violenta.

O novo confronto ocorreu no dia em que três chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) desembarcaram em Caracas para dar continuidade à tarefa de tentar promover o diálogo entre governo e oposição. Hoje e amanhã, os chanceleres Luiz Alberto Figueiredo, do Brasil, Ricardo Patiño, do Equador, e María Ángela Holguín, da Colômbia, conversarão com dirigentes da frente oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) e com líderes estudantis. Mas, desta vez, terão encontros também, separadamente, com deputados e prefeitos da oposição.

O panorama mudou para pior desde a primeira visita dos chanceleres, entre os dias 24 e 25. Desde então, a Assembleia Nacional cassou o mandato da deputada de oposição María Corina Machado, o Tribunal Supremo de Justiça condenou o prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos, a um ano de prisão e o líder do partido Vontade Popular, Leopoldo López, foi indiciado pelo Ministério Público por quatro crimes e não teve direito a liberdade condicional.

Segundo o subsecretário-geral da MUD, Ramón José Medina, apesar do discurso do governo, nenhuma das condições para o diálogo exigidas pela oposição foi atendida pelo Palácio de Miraflores. A MUD exige a libertação de todos os detidos que considera presos políticos, o desarmamento de grupos paramilitares e a substituição de ministros do Tribunal Superior de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral com mandato já expirado. “O governo, definitivamente, não tem intenção de dialogar. Sem diálogo, será exposto tal como é: autoritário de antidemocrático”, afirmou Medina ao Estado.

Espanha. Caracas reagiu ontem à decisão da Espanha de suspender possíveis vendas de armamento não letal à Venezuela enquanto não se concluir o processo de diálogo no país, que ainda nem começou. Em nota, o Ministério de Relações Exteriores venezuelano afirmou que não há nenhum contrato para a compra de equipamentos desse tipo e investiu contra Madri, mandando o governo espanhol “cuidar de seu próprio diálogo interno com a população insatisfeita”.

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