Caso Naiara: suspeitos vão à júri na quinta-feira. Relembre o crime que ainda é mistério

Jovem foi estuprada e morta com mais de 20 facadas e apesar das prisões, contradições e suspeitas cercam o crime

O dia 24 de janeiro de 2013 vai ficar marcado eternamente no casal Paulo e Linara. Foi o dia em que eles perderam a filha, Naiara, de apenas 18 anos, estudante de jornalismo em Porto Velho.

No dia do crime, o pai conta que a estudante foi à autoescola para uma aula teórica, como sempre fazia. Esta é a última imagem que a família guarda de Naiara ainda com vida. “Naquele feriado do dia 24 de janeiro, ela foi fazer uma aula teórica, que começou às 9h e terminou às 11h30. Dali em diante não vimos mais ela”, conta, emocionado, Paulo.

Local onde o corpo foi encontrado
Local onde o corpo foi encontrado

A jovem sofreu um estupro coletivo cometido por pelo menos 4 homens, foi estrangulada e levou 22 facadas. Seu corpo foi abandonado no local do crime, no Ramal 15 de Novembro, em uma região conhecida como ‘Lagoa do Sapo’. Veja no vídeo abaixo detalhes do local:

Na próxima quinta-feira, 31, vão à julgamento no Tribunal do Júri na capital, os acusados Francisco da Silva Plácido, Richardson Bruno Mamede das Chagas e Wagner Strogulski. Um quarto participante do crime, o vigilante Marco Antônio Chaves da Silva primeiro a ser preso pelo crime, já foi condenado a 24 anos de prisão, após

Wagner Strogulski ficou foragido e teve a prisão revogada
Wagner Strogulski ficou foragido e teve a prisão revogada

assumir, em julgamento, a autoria do estupro e negar participação no assassinato. Entretanto, os sete jurados entenderam que o vigilante também teve participação direta na execução da estudante.

Já Wagner Strogulski era amigo da vítima e chegou a ficar foragido durante meses, se apresentando quando a justiça revogou sua prisão, por entender que ele não representava ameaças para a investigação.

O argumento da defesa foi apoiado pelo Ministério Público, que também disse não haver razão para a custódia preventiva do suspeito. Ao conceder a liberdade, a juíza Euma Mendonça Tourinho declarou que “não há qualquer notícia a respeito de intimidação de testemunhas ou outro que o valha que justifique a sua custódia cautelar, ou seja, solto até o presente momento não procurou, de qualquer forma, conturbar o andamento do processo”.

O crime

De acordo com as investigações Naiara Karine foi morta no dia 24 de janeiro de 2013, após sofrer um estupro coletivo praticado por, pelo menos, quatro homens. O corpo da jovem de 18 anos, que cursava jornalismo, foi encontrado em uma estrada conhecida como Linha 15 de Novembro, na zona rural da capital rondoniense.

Ela foi assassinada com vários golpes de faca e, segundo as investigações, sofreu violência sexual. O localizador do celular de Naiara ajudou a polícia a chegar ao local do crime horas depois de ter sido dada como desaparecida. Após um mês de investigações, a Polícia Civil caracterizou o crime como sequestro, estupro e homicídio. O inquérito apesar disso, ainda não foi oficialmente concluído.

Notícia sem comprovação envolveu família Cassol

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Advogada Jaqueline Cassol foi envolvida no caso por notícia errônea

Durante as investigações do Caso Naiara, a advogada Jaqueline Cassol, irmã do senador Ivo Cassol foi chamada para depor como testemunha. Na época do crime, Jaqueline era proprietária de uma loja de roupas no Porto Velho Shopping onde Naiara trabalhava. Uma equipe de reportagem de um site local divulgou erroneamente que Jaqueline teria sido presa como “mandante do crime”. Para complicar ainda mais, o jornal Diário da Amazônia repercurtiu a informação em seu site, dando credibilidade. Apesar do jornal ter retirado de sua página da internet a notícia, o caso ganhou proporções inimagináveis. Jaqueline moveu ações (e ganhou) contra o jornal e pessoas que lhe imputaram a responsabilidade inclusive os comentários em redes sociais.

A advogada conta que esse foi um dos momentos mais difíceis de sua vida, mas que graças ao apoio da família e amigos, conseguiu superar o trauma. Em 2014 Jaqueline Cassol concorreu ao governo de Rondônia, ficando em terceiro lugar. A polícia descartou qualquer envolvimento dela no caso.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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