Painel Político
A maior agência de notícias em seu Whatsapp do Brasil

CEO da Match, empresa de venda de ingressos da Copa, é preso no Rio

0

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na tarde desta segunda-feira (7), no Copacabana Palace, na Zona Sul, o inglês Raymond Whelan, principal executivo (CEO) da Match Services, empresa que tem direitos exclusivos sobre a venda de ingressos para a Fifa, por suspeita de que ele seja um dos chefes de quadrilha internacional de cambistas que agia durante a Copa do Mundo. Com ele, a polícia encontrou cem ingressos para os jogos. A prisão temporária de cinco dias, expedida pela Justiça do Rio, faz parte da investigação que já havia prendido 11 pessoas, incluindo o argelino Mohamed Lamíne Fofana, que estaria diretamente abaixo de Raymond.ray_1

Por volta das 17h40, o executivo chegou à 18ª Delegacia de Polícia, na Praça da Bandeira, que é a responsável pelo inquérito. Ray deve ser enquadrado no Artigo 41 do Estatuto do Tocedor, como fornecedor de ingressos. A pena para o crime é de até quatro anos de prisão. O passaporte dele foi apreendido.
Cem ingressos apreendidos
De acordo com a polícia, Raymond, de 64 anos, estava na área comum do hotel, tranquilo, quando foi abordado pelo promotor Marcos Kac. Os dois foram até o quinto andar, onde o CEO da Match estava hospedado. Ele não reagiu à prisão e negou que tenha ligação com o esquema de repasse de ingressos. Com ele foram apreendidos aproximadamente 100 ingressos e cerca de R$ 1,3 mil dólares. A saída do hotel foi feita pela porta dos fundos, evitando a imprensa, que estava do outro lado, na Avenida Atlântica.

Segundo a polícia, Whelan morava no Rio havia dois anos, embora não fale português. Dois filhos do executivo moram na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

Antes da prisão, a empresa divulgou uma nota informando que vai investigar as acusações e cancelar todos os ingressos comprados pela empresa do argelino Lamine Fofana.
Colaboração da Fifa
Em entrevista coletiva pela manhã, a Fifa afirmou que forneceu uma lista de telefone de todas as pessoas que estão trabalhando para a entidade no Brasil, entre elas funcionários e prestadores de serviço. Segundo a instituição, os responsáveis em desviar ingressos serão punidos, independentemente de quem seja.
Segundo a polícia, a quadrilha trabalhava com dezenas de números de telefone, com contatos no Brasil e no exterior. Uma forma de estar sempre disponível para os clientes. As escutas da Polícia Civil feitas com a autorização da Justiça e exibidas no Fantástico neste domingo (6) mostraram que o chefe do esquema controlava a cotação dos ingressos no mercado clandestino mudando os preços diariamente (veja a reportagem no fim do texto).
Um dos homens flagrados na gravação da polícia é o argelino Mohamed Lamíne Fofana. Ele foi preso na terça-feira (1º) em um condomínio da Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade. Ele se apresentou à polícia como empresário. No caderno encontrado com ele, anotações comprovam o esquema que ele comandava. Ao todo, eram 112 ingressos para várias partidas em camarotes vip, que poderiam render R$ 912 mil por jogo.
Nas gravações da polícia, Fofana conversava com um dos principais contatos dele no Brasil, Antônio Henrique de Paula Jorge, que também foi preso. Em outra página, anotações revelam que ele tinha pelo menos 25 ingressos vip para a final da Copa, cada um custaria R$ 51 mil, em um total de R$ 1,3 milhão.
Ligações telefônicas
A polícia descobriu 900 ligações de Fofana, feitas nos últimos dois meses, para um dos celulares de uso da Fifa no Brasil. A delegação da Fifa está hospedada no Copacabana Palace. “Quando as pessoas interessadas nesses ingressos ligavam pra ele, dizia que iria para o Copacabana Palace negociar para poder lá adquirir esses ingressos valiosos e transferir para os clientes”, afirmou o delegado titular da 18ª DP, Fábio Barucke.
Em uma gravação, Antônio Henrique disse que também recebe ingressos de seleções europeias. Outra seleção que daria os ingressos seria a seleção brasileira e o fornecedor estaria dentro da concentração da equipe, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio.
“Essa pessoa se dizia ter fácil acesso a seleção brasileira, que seria de conhecimento de um jogador de futebol que ele iria lá na Granja para pegar os ingressos que a seleção teria recebido da Fifa ou da CBF a título de cortesia. Esses ingressos seriam captados pra entregar pra quadrilha pra poder vender para o público”, contou Barucke.
A CBF não quis comentar o caso porque não é parte da investigação. A assessoria de imprensa da entidade afirma que não circulam ingressos na Granja Comary, a sede da concentração da seleção brasileira. O diretor de marketing da Fifa disse em entrevista coletiva que a entidade está colaborando com as investigações.

fonte:g1

Comentários
Carregando