Cientistas cortam DNA de cobaias machos e ovário aparece no lugar de testículo

Material cortado não apresentava nenhum gene. Experimento de ‘reversão sexual’ foi publicado na revista ‘Science’ nesta quinta-feira (14).

A pesquisa foi coordenada por cientistas do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, e está na edição desta quinta-feira (14) da revista “Science”.

Normalmente, mamíferos se tornam fêmeas se há uma quantidade insuficiente de uma proteína conhecida como SOX9. Essa proteína é codificada por um gene localizado no cromossomo Y.

É por isso que os machos, que têm um cromossomo X e um cromossomo Y, geralmente desenvolvem testículos; enquanto as fêmeas, que têm dois cromossomos X, não o fazem.

A surpresa do estudo, no entanto, é que os cientistas cortaram uma parte do material genético que não possuía genes. Pesquisadores — como o primeiro autor Nitzan Gonen — não esperavam que uma mudança nesse tipo de material pudesse ser o gatilho para uma alteração tão radical no sexo das cobaias.

“Fiquei surpreso ao descobrir que um único pedaço era capaz de controlar algo tão significativo quanto o sexo” — Nitzan Gonen.

Apenas 2% do DNA humano contém o “código” para produzir proteínas. Os 98% restantes são “não-codificantes” — e o pedaço cortado estava nesse grupo.

Cientistas acreditam que o estudo poderia ajudar a explicar distúrbios do desenvolvimento sexual em humanos. Segundo os autores da pesquisa, pelo menos metade desses distúrbios tem causa genética desconhecida.

Como foi o estudo

O pedaço do DNA cortado (Enh13) estava localizado a meio milhão de bases do gene responsável pela produção dos testículos, localizado no cromossomo Y.

Mesmo com a presença do cromossomo Y, contudo, camundongos desenvolveram ovários e genitália feminina quando a equipe removeu o Enh13.

Após o experimento, cientistas descobriram que o Enh13 é um potenciador da proteína responsável pelos testículos.

Quando esse pedaço do DNA está presente, a proteína fica aumentada. Isso mostra assim, que o cromossomo Y não é o único responsável pela produção de testículos, diz Robin-Lovell Badge, professor do Instituto Francis Crick e um dos autores do estudo.

“Acreditamos que o Enh13 tem um papel em transtornos de desenvolvimento sexual e poderia ser usado para ajudar no diagnóstico” — Robin-Lovell Badge.

Imagem mostra ação da proteína Sox9 no desenvolvimento de gônadas sexuais. Nas duas primeiras colunas, o desenvolvimento de testículo na presença da proteína. Já nas duas últimas, cientistas mostram gônada revertida e gônada sem intervenção da ciência (Foto: Gonen et al)

Ciência e experimentos de reversão sexual

Experimentos de reversão sexual em cobaias não são novos. Em 1991, o mesmo grupo revelou “Randy”, um rato cromossomicamente feminino (XX) que se desenvolveu como macho depois que a equipe alterou seu material genético.

“Percorremos um longo caminho desde Randy, e agora, pela primeira vez, demonstramos a reversão sexual depois de mudar uma região do DNA que potencialmente não codificaria nada” — Robin-Lovell Badge.

Cientistas acreditam que muitas das respostas para distúrbios sexuais podem estar nessas regiões não codificadoras. O próximo passo do estudo britânico é estudar um pouco mais a relação entre essas regiões sem genes e a determinação do sexo.

 Fonte: g1
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