Cientistas descobrem substância que bronzeia a pele sem tomar sol

Após dez anos de esforços, pesquisadores descobriram uma substância capaz de penetrar a pele e bronzeá-la sem a expor aos raios ultravioleta do sol, evitando assim o risco de desenvolver um câncer de pele.

Diferentemente de cremes tradicionais, que só colorem a camada superficial da pele, esta molécula atua estimulando as células que produzem pigmentos, cujo papel é absorver as radiações ultravioleta, explicam os pesquisadores.

Segundo o estudo publicado nesta terça-feira, 13, na revista norte-americana Cell Reports, a nova molécula tem que se submeter ainda a testes pré-clínicos antes de determinar sua inocuidade nos humanos.

Esta sustância, aplicada como um creme, permite bronzear a epiderme de ratos de pelo vermelho que, da mesma forma que os humanos, são suscetíveis de desenvolver um câncer de pele como efeito dos raios ultravioleta.

Estas pesquisas derivam de um estudo publicado em 2006 na revista Nature que mostrava que outra substância, a forskolina, produzida por uma planta da Índia, podia induzir o bronzeado da pele dos ratos rosas sem exposição aos raios ultravioleta.

Entretanto, os cientistas descobriram rapidamente que esta molécula não podia penetrar a pele humana. Por não estar protegida por uma espessa camada de pelo, a epiderme humana teve que evoluir ao longo do tempo para desenvolver proteções contra o frio, o calor e as radiações ultravioleta, entre outros.

“A pele humana é uma barreira formidável, difícil de penetrar”, explica o doutor David Fisher, chefe do serviço de dermatologia do hospital norte-americano Massachusetts General e professor da faculdade de medicina de Harvard, principal autor desta descoberta.

“Dez anos depois, encontramos uma solução com uma classe diferente de moléculas, menores e capazes de passar através dos lipídeos para atuar sobre outra enzima que atua sobre o mesmo mecanismo genético da pigmentação da pele”, disse o pesquisador.

Os cientistas testaram estas moléculas em amostras de pele humana em laboratório e constataram que bronzeiam mais ou menos em função das doses da substância e a frequência das aplicações, e que este bronzeado artificial dura vários dias.

“A importância potencial deste estudo residirá no futuro em uma nova estratégia de proteção da pele e de prevenção do câncer de pele”, considera o doutor Fisher.

“A pele é o maior órgão do nosso corpo e pode ser afetado pelo câncer, na maioria dos casos por uma exposição aos raios ultravioleta”, conclui.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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