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Cinco diferenças entre os ataques do PCC, em 2006 e Natal, neste fim de semana

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Segundo o governo, os ataques no Estado acontecem, agora, por causa de uma tecnologia que barra sinais de celular nos presídios. A justificativa é, no entanto, fraca. Já que existem tecnologias do tipo em vários presídios do Brasil e nunca ouve motins, rebeliões ou ataques por isso.

Assim como em maio de 2006, quando os ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) a agentes da segurança pública de São Paulo – que gerou retaliação da polícia e um caos na maior cidade da América Latina – o Rio Grande do Norte convive com uma série de ataques criminosos após mudança no sistema carcerário estadual.

Os setores de inteligência dos órgãos de segurança pública costumam rastrear as ligações de pessoas que estão dentro de presídios. É estratégico para saber ações e planejamentos de criminosos. Esse é um dos argumentos utilizados por juizes que sugerem a queda do aplicativo WhatsApp, por exemplo. O aplicativo é mais difícil de rastrear do que o sinal de uma ligação.

Apesar da série de ataques lembrar os Crimes de Maio de 2006, quando 564 pessoas morreram (505 civis e 59 agentes da segurança pública), particularidades mostram diferenças. A reportagem do ONDDA listou cinco. Confira, abaixo:

1) A motivação
Em 2006, 74 penitenciárias do Estado de São Paulo “viraram” (termo utilizado para rebeliões organizadas) após transferência do Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, apontado pelo MP (Ministério Público) como líder do PCC.

Já no Rio Grande do Norte, o governo diz que a motivação está na instalação de bloqueadores de celular na Penitenciária de Parnamirim. Questionável por especialistas de segurança pública, que sugerem que há algo maior por trás.

2) Os atingidos
Há 10 anos, naquele mês de maio, criminosos do PCC fizeram um ostensivo ataque à forças da segurança pública estadual, atingindo PMs (policiais militares), policiais civis, bombeiros e guardas municipais. Ao todo, 59 agentes foram mortos em menos de um mês. Em resposta, as forças de segurança mataram 505 civis – até hoje, não há comprovação de envolvimento de todas essas pessoas com o PCC. Foi o mês mais sangrento da história democrática do Brasil.

Agora, em Natal e na Grande Natal, os ataques são a ônibus, carros e prédios públicos. Todos focos de incêndio criminoso. Não há registros de mortes.

3) Prisões
Cerca de 600 suspeitos foram presos pelos ataques à forças da segurança pública de São Paulo em 2006. Poucos tiveram ação confirmada nos ataques. A maioria continuou presa por suspeita relação com o PCC, mas não pelos ataques.

No RN, cerca de 60 pessoas foram presas até agora. Destes, 40 estão detidos preventivamente – devem permanecer presos até serem julgados. A maioria foi autuada por associação criminosa, incêndio ou tentativa de incêndio.

4) Reações dos governos
Enquanto o governo de São Paulo tentava não alardear a população, falando e reafirmando o tempo inteiro que tudo estava sob controle, mesmo com a população já apavorada e com a cidade parada, o governo do RN parece mais sensato e mais ágil.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte (Sesed), Ronaldo Lundgren, chamou os atos de “atentado” e pediu ajuda do Exército e de fuzileiros navais.

5) Mandante
Em São Paulo, Ministério Público, governo e polícia apontam Marcola como o mandante dos ataques de maio de 2006. Isso foi reforçado depois de um inquérito elaborado pela Corregedoria da Polícia Civil. Em março de 2005, um enteado de Marcola foi sequestrado por policiais em Suzano, na Grande São Paulo. Ele só foi solto depois de a facção ter pago R$ 300 mil. No dia do primeiro ataque em 2006, Marcola afirmou na sede do Deic que aquela corrupção policial “não ficaria barato”.

Em Natal, primeiro foi divulgado que as ações partiram de dentro dos presídios. Depois, a polícia anunciou a prisão de João Maria dos Santos de Oliveira, de 32 anos. O traficante é apontado pelas forças de segurança como um dos chefes de uma facção criminosa que vem agindo no estado e que seria um dos principais mandantes dos ataques que vêm ocorrendo no Rio Grande do Norte.

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