CineOca exibirá curtas pernambucanos no II Festival de Arte e Cultura da Unir

A coletânea foi garimpada pelas produtoras Isabela Cribari e Germana Pereira e do curador do projeto, o jornalista e cineasta Rodrigo Almeida

O cinema pernambucano vive, desde 1996, quando o Festival de Brasília consagrou “Baile Perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, duas décadas de ouro. Cineastas como Cláudio Assis (“Amarelo Manga”), Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”), Kleber Mendonça (“O Som ao Redor”), Camilo Cavalcante (“A História da Eternidade”) e Gabriel Mascaro (“Ventos de Agosto”) reforçam a fama do Estado.
Mas quem pensa que a pujança do cinema atual é fruto do acaso não sabe da missa um terço. Dos ciclos mais produtivos – o primeiro durante o período silencioso, na década de 1920; o segundo pegando carona na bitola amadora do Super 8, na década de 1970 – até os dias que correm, a produção audiovisual de Pernambuco é das mais ricas e venturosas do cinema nacional.
A prova disso é a monumental Antologia do Cinema Pernambucano, uma coleção com 212 filmes realizados no Estado, ao longo de 90 anos de altos e baixos, mas de persistência ímpar. Parte dessa coleção (22 curtas) será exibida pelo CineOca no II Festival de Arte e Cultura da Universidade Federal de Rondônia, nos dias 28 e 29 de abril, às 19h30, no auditório da Unir Centro.
Dentro da temática Cinema/Transcinema há filmes badaladíssimos como “That’s a Lero Lero”, de Lírio Ferreira e Amin Stepple, “Simião Martiniano”, de Clara Angélica e Hilton Lacerda. Na temática Câmera/Cidada destacam-se “Soneto do Desmantelo Blue, de Claudio Assis, e “Recife Frio”, de Kleber Mendonça.
A coletânea foi garimpada pelas produtoras Isabela Cribari e Germana Pereira e do curador do projeto, o jornalista e cineasta Rodrigo Almeida. “A produção reunida na antologia desenha um perfil do cinema pernambucano em todas as suas vertentes. Mas a maior surpresa foi descobrir a potência desses filmes. Geralmente somos levados a ver os curtas como uma escolinha para os longas-metragens. Esses filmes, ao contrário, já são grandes e não precisam ser melhorados. Muitos, claro, já apontam a estética que vários cineastas desenvolveriam em seus longas-metragens”, analisa Rodrigo.
Prática Cineclubista
 
O CineOca, cineclube em atividade desde 2005 em Porto Velho, tem como objetivo difundir o cinema de qualidade, alternativo, regional, de nacionalidades diferentes, com propostas inovadoras, temáticas interessantes, diretores conceituais, enfim produções que têm pouca oportunidade de divulgação em circuitos considerados comerciais.
Faz parte da prática cineclubista discutir sobre os filmes ao final da exibição, para que as impressões e reflexões acerca da obra cinematográfica sejam compartilhadas e provoquem transformações, afinal o cinema é uma importante instrumento de compreensão da vida social e da condição humana.
Histórico
 
O CineOca é um dos pioneiros na atividade cineclubista na capital. Promove com frequência ações ligadas à área, tais como a organização de mostras, oficinas, intervenções e até produções. Filiado ao Conselho Nacional dos Cineclubes, participa constantemente de exibições em circuito alternativo, além de contribuir para a política da democratização do audiovisual. Adota como lema a máxima do movimento cineclubista nacional “os filmes são feitos para serem vistos”.
Parcerias
A parceria com instituições é outra estratégia do CineOca para ampliar o acesso ao audiovisual. A Universidade Federal de Rondônia é um exemplo de instituição, cuja união com o cineclube rendeu importantes mostras culturais. Dessa vez, CineOca e Unir estão juntos no II Festival de Arte e Cultura.
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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