Com 342 votos, Câmara dos Deputados aprova impeachment de Dilma Rousseff

Dilma Vana Roussef foi a segunda presidente afastada pelo Congresso Nacional na história do Brasil

Domingo, 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados aprovou o processo de impeachment da presidente Dilma Vana Roussef, do Partido dos Trabalhadores, que havia sido eleita em 2010 e reeleita em 2014.  “Reconhecemos a derrota de cabeça erguida. Os golpistas foram mais fortes”, disse o petista José Guimarães, líder do partido na Cãmara. Ele ainda rebateu a tese de setores do PT que defendem a convocação de eleições gerais se Dilma vier a ser afastada do cargo. A própria presidente já havia reconhecido antes que, se perdesse neste domingo, seria “carta fora do baralho”.

O vice-presidente Michel Temer assistiu a sessão da Câmara com o senador e presidente em exercício do PMDB, Romero Jucá, os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Eliseu Padilha, e o presidente da fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco. O clima na residência oficial é de euforia. Os votos superaram a planilha de Padilha.

Em votação tensa, marcada por ofensas, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) cuspiu na cara do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a sessão de votação da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff. De acordo com o próprio Wyllys, ele foi insultado por Bolsonaro e respondeu com a cusparada no deputado.

A votação teve início por volta 17h45 (horário de Brasília), após os parlamentares discursarem, e cantarem o Hino Nacional. Quem começou foi o deputado Washington Reis (PMDB-RJ), que estava com problemas de saúde. Depois, foi seguida a ordem pré-estabelecida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em que o voto era revezado entre os estados brasileiros. O voto decisivo foi do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE). “Quanta honra o destino me reservou de poder da minha voz sair o grito de esperança de milhões de brasileiros. Sim pelo futuro”, afirmou.

Agora, o pedido segue para o Senado Federal, na segunda-feira (18) e, no dia seguinte, já deve ser lido em plenário. O Senado terá que formar uma comissão de 21 membros que discutirá a admissibilidade do processo. Para o impeachment ser aprovado, é preciso uma decisão da maioria simples, o equivale a 41 dos 81 senadores. Caso o parecer seja aprovado, Dilma fica afastada por até 180 dias para julgamento pelos supostos crimes de responsabilidade e Michel Temer assume como presidente interino.

Dilma Rousseff só será, de fato, impedida de continuar no cargo se, ao final da instrução do processo no Senado, ela for condenada em plenário pelo voto de, ao menos, 54 dos 81 senadores. Essa última sessão será comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) da época.

Acompanhamento da votação

Antes da votação da Câmara, manifestantes pró e contra o impeachment tomaram as ruas do país. Em Brasília, mais de 50 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios. Também houve atos no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Cascavel (PR), Porto Alegre.

Durante a votação na capital federal, os manifestantes acompanharam cada voto dos deputados em quatro telões na Esplanada dos Ministérios, vaiando e apoiando a cada “sim” ou “não” dito pelos políticos.

Bancada de Rondônia

Todos os 8 deputados federais de Rondônia votaram pelo impeachment da presidente. Marinha Raupp, Luiz Cláudio, Mariana Carvalho, Expedito Netto, Lúcio Mosquini, Nilton Capixaba, Lindomar Garçon e Marcos Rogério.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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