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Comércio de drogas volta a ser rotina na Cracolândia de SP

“Tá esquentando? Tá alisando aqui, ó?” Diante de uma tomada em um dos abrigos para usuários de crack no Centro de São Paulo, uma mulher tentava fazer funcionar uma chapinha. Passava o objeto pelos cabelos cacheados com ansiedade. Não era um arroubo de vaidade.

— Eu encontrei no lixo. Se estiver funcionado, vou vender na praça — dizia ela, admitindo ser dependente da pedra.

A chapinha da mulher se juntaria, na tarde de ontem, a um universo de quinquilharias trocadas e vendidas, na Praça Princesa Isabel, por centenas de pessoas que participavam de um discreto comércio de crack. No último domingo, a prefeitura da capital e o governo estadual chegaram a expulsar da área o chamado “fluxo”. Policiais e guardas destruíram barracas de lona que, segundo as gestões, acobertariam o tráfico. Um dia depois da ação, o espaço estava novamente tomado pela multidão e os traficantes demonstravam que o abrigo das tendas não era fundamental para o sucesso de seu negócio ilícito.

— O complicado é que eles vêm, fazem todo esse show, e depois já está tudo de volta. O traficante e o usuário são quase inseparáveis, porque o usuário precisa da droga a todo instante, o fornecimento tem que ser contínuo, no caso do crack. O simples fato de haver uma nova concentração demonstra que a abstinência não está sendo alcançada — afirmou uma das assistentes sociais que atua na área.

A prefeitura afirmou que, graças à operação, realizou 53 internações voluntárias apenas no último domingo. Recém-empossado coordenador do programa municipal Redenção, que tem a missão de acabar com a Cracolândia, o psiquiatra Arthur Guerra admite os desafios do plano. Guerra só foi convidado para o posto uma semana depois da primeira operação policial na área, em maio, e após a prefeitura tentar autorização judicial para facilitar a internação compulsória de usuários.

— Peguei o bonde totalmente andando. Por isso não quero falar das coisas do passado. Qualquer coisa que eu disser agora sobre o que foi feito antes, o prefeito pode me dizer: ‘mas, campeão, o senhor não estava aqui, como pode avaliar algo que desconhecia?’ — afirmou Guerra ao GLOBO.

O psiquiatra garantiu que a prefeitura não irá, ao menos por enquanto, insistir na Justiça com a questão das internações compulsórias.

— Estamos revisando essa ideia, dentro de um canal de bom senso. Como foi feito, deu a impressão errônea de que o policial ia fazer a internação. Isso nunca foi pensado. Quando a gente faz as coisas com um pouquinho de pressa e se espera soluções milagrosas, isso acontece. Mas, se a prefeitura reapresentar isso, vai reapresentar de uma forma mais bem formulada.

Guerra disse ainda que irá utilizar a experiência de redução de danos dos agentes públicos que tocavam o “De Braços Abertos”, programa da gestão petista que Doria prometeu abolir durante a campanha. Mas assegurou que o foco do trabalho será na abstinência dos usuários.

Fonte: oglobo.com

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