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Como Expedito Júnior conseguiu se tornar um dos principais articuladores das eleições 2018

Com uma trajetória política conturbada, e pode-se dizer bem sucedida, o ex-senador Expedito Júnior, atualmente filiado ao PSDB de Rondônia, parecia que estava fadado ao ostracismo político, após perder o mandato em junho de 2009, depois de ter sido eleito em 2006 em uma dobradinha com o então candidato ao governo Ivo Cassol. Usando de subterfúgios que seriam revelados anos depois, o adversário de Expedito na época, o agora senador Acir Gurgacz, conseguiu a vaga de Júnior, assumindo em novembro de 2009.

Uma operação cheia de contradições, deflagrada à época, acusava Expedito e Cassol de compra de votos nas eleições através de pagamentos feitos à empregados de uma empresa de vigilância. As “testemunhas” chegaram a ser presas após caírem em contradição em seus depoimentos, e mais tarde seriam filmados recebendo vantagens da empresa Eucatur, de propriedade da família de Acir Gurgacz.

Após ser cassado, Expedito passou a se dedicar inteiramente ao PSDB. Organizou a legenda no Estado e passou a percorrer todos os municípios, mantendo conversas com lideranças e ampliando sua presença política.

Em 2009, durante o processo de cassação do mandato

Em 2010 Expedito tentou se candidatar ao governo, mas teve um recurso indeferido na época pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, que não acatou os argumentos de que ainda havia recurso em andamento em relação à cassação em 2009. O caso de Expedito, na época, foi emblemático já que naquele ano os tribunais passaram a adotar as regras da Lei da Ficha Limpa, mesmo sem a legislação estar completamente definida. Nas eleições de 2014 o caso voltaria a pauta exatamente pelo caso de Júnior. Na época, os tribunais regionais eleitorais entendiam que a inelegibilidade de 8 anos, “a contar da eleição”.

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Porém, em 2013, durante um julgamento de um recurso do Amazonas, o TSE passou a adotar um novo entendimento, a cessação da inelegibilidade antes do pleito permite o registro de candidatura, por constituir fato superveniente, seguindo a tese sobre a alínea “d”, da lei, que passou a vigorar assim, “as condições de inelegibilidade devem ser aferidas no dia do pedido do registro, considerando-se ainda o dia da eleição para verificar-se a existência de fatos supervenientes”. Com isso, em 2014 Expedito conseguiu seu registro, mas o prejuízo causado pela demora do julgamento  já era irreversível. Mesmo assim ele ainda conseguiu disputar o segundo turno, perdendo para Confúcio Moura por uma diferença de 6,86% dos votos.

Expedito Júnior candidato ao governo em 2014

As eleições de 2014 foram marcadas por abusos grotescos por parte da coligação capitaneada por Confúcio Moura, além do uso da máquina pública para favorecer o candidato. Confúcio chegou a ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral em março de 2015, porém, em outubro, em um julgamento com decisões totalmente contrárias a tudo que o TSE entendia, e para evitar uma “convulsão política”, nas palavras de Gilmar Mendes, então membro da Corte, Confúcio foi mantido no cargo.

Mas foi em 2016 que Expedito Júnior conseguiu uma grande vitória, a eleição do então desconhecido Hildon Chaves, como prefeito de Porto Velho. Promotor aposentado, empresário, Chaves já acompanhava a rotina de Expedito e avaliava ser suplente de senador em 2018. Durante o processo eleitoral de 2016, sem experiência alguma e com marketing agressivo, além de conseguir viralizar uma fala curta durante um debate modorrento, editado pelo site Rondoniaovivo, em menos de 24 horas Hildon virou o jogo e foi para o segundo turno das eleições que definiria o prefeito da capital.

Expedito Júnior teve papel fundamental no processo de transição e orientação à Hildon no primeiro momento, e atualmente observa de longe, sem interferir na gestão.

DE OLHO NO SENADO

Ao ser questionado por PAINEL POLÍTICO sobre suas intenções políticas, o ex-senador declarou que “está muito cedo para definir qualquer coisa”, e que cogita a possibilidade de não ser candidato, “hoje estou com minha vida bem organizada e a correria de campanha e do próprio mandato nos afasta da família. Tenho conversado com minha esposa e filhos e ainda estou avaliando”, afirma.

Porém, sondagens que são feitas no Estado incluem cenários com Expedito tanto para governador quanto Senado, e ao ser confrontado com os números ele desconversa, “isso é resultado do trabalho que a gente em um curto mandato no Senado, imagina se eu tivesse ficado os oito anos”.

Passada a turbulência de 2009 e 2010, sem processos eleitorais, Expedito não tem pressa. E fala sério quando alega estar “avaliando a possibilidade de não disputar nenhum cargo”. Apesar disso, ele se mantém politicamente ativo no Estado. Conseguiu eleger o filho, Expedito Netto deputado federal em 2014 e no final do ano passado, em um entendimento com sua legenda, entregou a presidência a deputada federal Mariana Carvalho e a seu fiel escudeiro, o deputado estadual Laerte Gomes. Ele nega qualquer rompimento com Mariana ou com o PSDB, mas existe a possibilidade dele migrar para outra legenda, e levar consigo grande parte do ninho tucano, o que deixaria o partido em uma condição delicada nas eleições desse ano.

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Fato é que, dada as circunstâncias do momento político, a candidatura de Expedito Júnior ao senado é natural. São duas vagas e analistas entendem que ele não teria muitas dificuldades durante o processo. Aliado a isso, nas eleições de 2014 ele voltou a conversar com o senador Ivo Cassol (PP), com quem havia rompido relações em 2010. A possibilidade do grupo voltar a se unir em 2018 é real, mas depende do aparo de algumas algumas arestas.

Com perfil mais conciliador e menos afoito, Expedito conseguiu sobreviver a um turbilhão que parecia colocar fim a sua carreira política. Ele pode até ter sido derrotado em algumas ocasiões, mas a perseverança vem construindo uma trajetória que pode ser coroada com um mandato de 8 anos no Senado Federal. Já o futuro político de Acir Gurgacz, que conseguiu legitimar o mandato nas eleições de 2014 em um processo onde praticamente não haviam adversários, é uma incógnita. Pré-candidato ao governo, se não for eleito amargará mais uma derrota, com a possibilidade de não conseguir se reeleger também em 2022.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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